Candidata do PTP em Machico diz ter uma lista “do povo para o povo” e considera que “ainda há muito machismo na política”

Machico-PTP-Lucília Sousa B
“As pessoas querem uma lufada de ar fresco na política e muitos dos candidatos já sabemos o que dizem e o que fazem ou não fazem”

Simultaneamente à abrangência que o Partido Trabalhista Português (PTP) pretende com a candidatura à Câmara de Machico, há um “piscar de olho” ao eleitorado feminino com a apresentação de Lucília Sousa, 36 anos de idade e natural do Caniçal, para liderar a lista pelo concelho. O partido pretende aquilo a que se chama uma “lança em África”, porquanto não tem sido habitual as candidaturas de mulheres à presidência da Câmara. Este ano, por curiosidade, há três, duas além do PTP, no MPT e no CDS/PP.

Mulheres são alvo para o voto

A candidata não esconde que as mulheres serão o alvo do seu voto, mas deixa bem claro que vai pensar o concelho num todo, freguesia a freguesia, procurando ir ao encontro das necessidades das populações, nos setores mais nevrálgicos, como sejam as Pescas, a Agricultura e o Social, neste caso concreto com medidas direcionadas para os idosos e os jovens. Tem ideias concretas, sabe as necessidades do Machico global, está consciente das dificuldades, mas diz que elas são diretamente proporcionais à sua vontade de vencer, se não for na medida que pensa, pelo menos que seja pela mensagem que quer passar.

Há muito machismo na política

Acreditar no partido pelo qual concorre está na base da aceitação deste desafio. “Revejo-me nas ideias do PTP e naquilo que defende para as populações. Foi uma honra aceitar o convite, até porque é um partido que contraria a tendência das candidaturas, que mostram pouca abertura para candidatar mulheres”. Considera que “ainda há muito machismo na política” e diz que “o Partido Trabalhista tem vindo a desempenhar uma ação de vanguarda neste domínio”. E é com esta “bandeira” que vai para Machico, apelando ao voto de todos, mas deitando uma “mão de apoio” ao “mundo” feminino, atitude que espera ver retribuída a 1 de outubro com o voto na sua candidatura.

As pessoas querem uma lufada de ar fresco

Quando é confrontada com a bipolarização dominadora nas autárquicas, por parte de PSD e PS, sabe que um quadro desses representa problemas para os pequenos partidos, concentração de votos nos dois que têm vindo a conquistar mais votos em Machico, além de uma proliferação de pequenos partidos que, por sua vez, pode ser fator de divisão. “Não existem nem vencedores nem vencidos antecipados. Em democracia, tudo é possível”, reage. E tira da “manga” o que se passa no futebol: “Repare que no futebol, por vezes, há equipas da terceira divisão que ganham às da I, nunca se sabe onde estão as surpresas”. A ambição é grande, é com ela que vai em frente deste projeto.

Está preparada para aqueles que lhe vão apontar o dedo com a falta de experiência política. “Não penso que isso seja um obstáculo. As pessoas querem uma lufada de ar fresco na política e muitos dos candidatos já sabemos o que dizem e o que fazem ou não fazem. Fui criada no Caniçal, conheço o concelho e tenho a certeza que poderei ajudar no futuro do concelho”.

Queremos ter voz em Machico

Afirma não estar preocupada com os números ou com as previsões ou sondagens. Explica: “Isso não tem nada a ver com o meu trabalho, estou focada na forma como posso servir a população de Machico e na mensagem que vou passar ao eleitorado para que ele possa confiar em mim e votar no meu projeto. Qualquer candidato está apto a ganhar, queremos ter voz em Machico, mas para isso temos que eleger candidatos na Assembleia Municipal, na Câmara Municipal e nas freguesias”.

Dos contactos já estabelecidos com o eleitorado, Lucília Sousa garante que o concelho debate-se com dois problemas fundamentais: o número de idosos está a aumentar e o número de jovens está a diminuir, porque estão a emigrar. “É preciso encontrar soluções que fixem os nossos jovens e deem conforto aos idosos, com mais ajuda domiciliária e apoios nos medicamentos, por exemplo”.

Para os jovens, Lucília Sousa defende que “a Câmara deve dar o primeiro passo, sobretudo com a alteração de taxas municipais, que por um lado incentivem a criação de postos de trabalho, através de investimentos privados, e por outro possam criar condições para construção de habitação e incentivos à fixação dos mais novos”.

Machico-PTP-Lucília Sousa
“Precisamos de uma cidade bonita, limpa, sem construção desordenada, com manutenção dos espaços públicos. Temos uma praia de areia muito boa, com grande procura, mas mesmo ao lado há uma descarga de esgotos”.

Critica todas as gestões autárquicas, que “sempre se preocuparam apenas com a freguesia de Machico. Desde o tempo do Padre Martins até hoje, todos olharam só para o centro, o resto é paisagem”.

Praia de areia e ao lado descarga de esgotos

Foca os problemas que considera de solução prioritária, mas existem outros que a candidata do PTP coloca, também, no conjunto de preocupações: “Precisamos de uma cidade bonita, limpa, sem construção desordenada, com manutenção dos espaços públicos. Temos uma praia de areia muito boa, com grande procura, mas mesmo ao lado há uma descarga de esgotos. Os parquímetros deveriam ser gratuitos ao fim de semana e feriados para que as pessoas possam ir tranquilamente à praia e depois poderem permanecer no concelho e consumir no comércio local. Não é isso que acontece, muitas vezes as pessoas passam algum tempo na praia e depois vão embora. São tudo assuntos importantes para o desenvolvimento futuro”.

Uma boa lista do povo e para o povo”

Acredita que poderá lutar por estes objetivos. Afirma ter “uma boa lista, que concorre a todos os orgãos autárquicos. São homens e mulheres, todos naturais do concelho, jovens e menos jovens, de todas as classes trabalhadoras”. Formou a lista sem dificuldades. “Somos do povo a trabalhar para o povo e em todo o concelho”, dá uma ideia mais precisa. Tem a certeza que as gentes do Caniçal, particularmente os pescadores, “simpatizam com o PTP e veem no nosso partido uma fonte de luta pelos seus interesses”.

Já tem andado no terreno a sentir o pulsar das populações. Sabe que se quiser ter sucesso, além de começar cedo, deve ser incisiva na mensagem que passa. Tem ouvido de tudo e realça o que lhe parece mais absurdo, dado que se tratam de problemas que “há muito deveriam estar resolvidos”. Fala de uma recente deslocação ao Porto da Cruz e de estradas ainda por reparar, depois do temporal, mas aponta outra anomalia, no Folhadão e Gambal, onde a população tem períodos grandes de falta de água potável”. E questiona a autarquia: “Porque é que a Câmara ainda não fez nada? Porque é que não cria pontes com o governo para resolver esta situação e deixa-se de guerras partidárias que só prejudicam as populações?”

Subsídio não chega aos pescadores

Sendo natural do Caniçal, concorre a estas eleições “jogando em casa” na sua freguesia, também ela com algumas dificuldades resultantes da crise das Pescas e de ter uma forte comunidade piscatória que sofre dos períodos menos bons do setor. Lucília Sousa fala em focos de pobreza, da necessidade de construir habitação a preços controlados e de ir ao encontro dos pescadores com soluções para as dificuldades que enfrentam. Fala com o povo todos os dias. Exerce a profissão de cabeleireira, já foi empresária no setor da restauração, diz que “é conhecida em todo lado”. O que o povo lhe diz, é muita coisa, mas enumera uma queixa que lhe chegou recentemente, considera-a grave: “Há um subsídio, para os donos das embarcações, provenientes do POSEI, que se destina a ser distribuído pela companha, mas perdem-se pelo caminho e nunca chegam a quem precisa”.

Jovens do Caniçal não podem construir, é preciso alterar o PDM

Detém-se no caniçal para retomar o assunto jovens: “Enfrentam um problema, querem construir casa mas nunca mais chega a promessa do presidente da Câmara de alterar o PDM, uma vez que os terrenos ou são considerados zona verde ou são para agricultura. Até agora, nada foi resolvido. E quem quer construir casa vai para o Caniço ou Santa Cruz”. E para falar de uma outra pretensão: “Os turistas queixam-se das inexistência de sanitários na Ponta de São Lourenço. Muitos fazem passeios a pé e não há instalações de apoio, deveriam ser construídas”, defende.