Miguel Albuquerque visita amanhã Ampliação do Aproveitamento Hidroelétrico da Calheta

O Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque visita amanhã, a partir das 11 horas, a obra do Projeto de Ampliação do Aproveitamento Hidroelétrico da Calheta.

O projeto, da responsabilidade da Empresa de Eletricidade da Madeira (EEM), consiste no aumento da capacidade de produção hidroelétrica e na transformação em sistema reversível, com captação, armazenamento e bombagem de água, integrando as seguintes intervenções principais:

  • Construção da Barragem do Pico da Urze (≈1.021.000 m3);
  • Construção do Reservatório de Restituição da Calheta (≈70.540 m3);
  • Construção da Central Hidroelétrica da Calheta III (2×15 MW);
  • Construção da Estação Elevatória da Calheta (3×5,9 MW);
  • Construção da conduta elevatória/forçada de 3,5 km em tubagem de diâmetro entre 1500 e 1000 mm;
  • Construção da Estação Elevatória do Paul (2×90 kW);
  • Remodelação/ampliação da Subestação do Lombo do Doutor 60/30kV;
  • Ampliação da capacidade de transporte da Levada do Paul II (cerca de 10,6 km);
  • Ampliação da capacidade de transporte da Levada Velha do Paul (cerca de 1,6 km);
  • Remodelação da Levada do Lombo do Salão (cerca de 1,8 km);
  • Recuperação Biofísica do Paúl (28,43 ha).

Segundo uma nota de imprensa emitida pela Presidênca do Governo Regional, o projeto insere-se numa nova filosofia de exploração dos sistemas renováveis hídrico/eólicos, através da criação de uma reserva estratégica de água para a ilha da Madeira com 1.091.540 m3, da instalação de 17,7 MW de potência de bombagem, da construção de uma nova central hidroelétrica com 30 MW de potência hídrica e do encaixe de 25 MW de potência eólica, permitindo um acréscimo de produção de energia hidroelétrica no Aproveitamento Hidroelétrico da Calheta de 26 GWh (15 GWh com afluências diretas e de 11 GWh com água bombada) e uma produção anual de energia eólica estimada em 61 GWh.

Para além da energia produzida pelo projeto, o sistema de armazenamento permitirá um aumento significativo da capacidade de receção de energias renováveis na rede elétrica da Ilha de Madeira.

Atualmente (2016-2017) a contribuição das energias renováveis no total da produção de eletricidade é de cerca de 30%. A concretização do projeto AAHC aumentará esta participação em cerca de mais 9%, constituindo um passo importante para que se atinja em 2020 a meta dos 50%.

O projeto concorre para as políticas regionais de energia, água e ambiente, que concretizam a responsabilidade da Região Autónoma da Madeira no âmbito da indispensável participação das regiões da Europa na implementação das políticas da União Europeia e enquadra-se no Plano de Desenvolvimento Económico e Social da RAM 2014-2020 e no Plano de Ação para a Energia Sustentável da ilha da Madeira.

Contribui para os compromissos regionais em matéria de consumo final bruto de eletricidade produzida a partir de energias renováveis no âmbito da Diretiva 2009/28/CE, e de redução de emissões de CO2, em cerca de 10%, decorrente da adesão da ilha da Madeira ao Pacto das Ilhas.

Transforma o Aproveitamento Hidroelétrico da Calheta existente, utilizado essencialmente no Inverno, num aproveitamento com disponibilidade permanente que passará a ser explorado durante todo ano, independentemente do regime de precipitação, contribuindo para a gestão do diagrama de cargas e para a garantia da segurança e qualidade do abastecimento de energia no sistema elétrico isolado, não interligado e de pequena dimensão da Madeira.

Para a competitividade da economia regional são também importantes os contributos para diminuir a importação e dependência de combustíveis fósseis, potenciar o investimento em energia eólica, incorporar soluções inovadoras e tecnologias eficientes, e criar postos de trabalho.

São também mais-valias do projeto, a constituição de uma reserva estratégica de água na ilha da Madeira, fundamental para a segurança do abastecimento de água para consumo humano, regadio e combate a incêndios, e o contributo da barragem na minimização do risco de aluvião na sua área de influência.

Os trabalhos decorrerão no período de dois anos.

O investimento atinge 68 milhões de euros, esperando-se uma contribuição de 45 milhões de euros de fundos no âmbito do Quadro Comunitário 2014-2020.