Cafôfo e Costa falaram com entusiasmo, mas Praça do Município só encheu pela metade

Fotos: Rui Marote

Paulo Cafôfo apresentou hoje a sua lista de candidatos à autarquia do Funchal, na Praça do Município, numa sessão pública que registou um cuidado “mise-en-scène” e a presença do secretário-geral do Partido Socialista, António Costa, mas que contou, como notas negativas, com os muitos apitos e protestos de várias dezenas de lesados do Banif, que compareceram, e com uma assistência relativamente reduzida.

É verdade, havia centenas de pessoas presentes, mas não chegaram para encher mais de metade da praça, e havia muito espaço deixado vazio em redor e em locais privilegiados – por exemplo junto à Igreja do Colégio, com vista privilegiada sobre o evento. Apesar da mensagem entusiasmada de Cafôfo, faltou, em nosso entender, o mesmo entusiasmo na adesão do público.

Ainda o líder do PS nacional (e primeiro-ministro) não havia chegado, e já os lesados do Banif marcavam presença no local, com faixas com dizeres como “não queremos esmolas, apenas aquilo que é nosso”. Quando Costa saiu do carro, as apitadelas foram mais que muitas, mas, desenvolto, este dirigiu-se junto dos manifestantes e conversou com eles, ouvindo as suas queixas, as suas reivindicações de uma solução que os venha a ressarcir de perdas, como com os lesados do BES, e concordou com eles em que foram vitimados pelo sistema, mas enjeitou responsabilidades, deixando-as para o parlamento nacional e entidades como a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Após a conversa, ocupou o lugar que lhe competia na assistência, sempre sob os apitos de protesto.

Já a mesma sorte não tiveram os sindicalistas da CGTP e do Sindicato Nacional dos Trabalhadores das Telecomunicações e Audiovisual que quiseram protestar em período que antecede a greve nacional destes profissionais, já que a PSP os mandou recolher o cartaz que mostraram, uma vez que aparentemente tal manifestação não estava autorizada.

Paulo Cafôfo subiu de seguida ao palco para apresentar o seu mandatário, Danilo Matos, e o mandatário jovem, Emanuel Gonçalves, após o que foram sucessivamente sendo apresentados os candidatos a vereadores.

Dirigindo-se aos cidadãos, declarou que “esta é uma caminhada que fizemos sempre juntos”, e que pretende continuar a fazer, como quando, em 2013, a vitória da coligação Mudança representou “a voz e a força” da sociedade civil do Funchal.

 

O candidato a edil referiu-se em tons elogiosos aos partidos que apoiam a coligação Mudança e salientou entender que a contribuição de todos é válida e que os partidos têm, também, a ganhar com o crescente exercício da cidadania fora do seu círculo restrito.

Deu conta de “um orgulho desmedido” no trabalho que os membros da coligação e a sua equipa camarária têm feito, e que se estende a todos os órgãos autárquicos como Juntas e Assembleias de Freguesia. Aproveitou para enaltecer o labor do vereador Domingos Rodrigues, agora de saída, e o modo como o mesmo foi “pioneiro” em várias áreas, desde o orçamento participativo à revisão de um PDM com 20 anos.

 

Disse-se “honrado” por os actuais candidatos a vereadores continuarem a acreditar neste projecto e não se cansou de frisar a palavra “orgulho” acerca da sua candidatura, entre cujos membros se conjugam “a juventude com a experiência”, numa equipa “de gente boa, honesta e credível”.

Paulo Cafôfo afirmou desejar continuar a cumprir os compromissos a que se propôs, e nessa medida não lhe faltaram milhões para prometer. Para começar, deu conta de ter pago quase metade dos 100 milhões de dívida da CMF, de ter baixado o IMI, de ter aliviado o fardo das famílias, e assim por diante. “Devolvemos às empresas e às famílias milhões de euros”, afirmou, credibilizando o Funchal, procedendo a uma efectiva reabilitação urbana cujos resultados, deu a entender, estão à vista, e considerou que a cidade “nunca teve uma tão grande produção cultural”. Neste balanço mais que positivo, considerou ainda a acção na área dos apoios sociais e nos incentivos às empresas e aos empreendedores.

Já quanto aos milhões, não hesitou em prometer pelo menos dez para aplicar nas zonas altas do Funchal no decurso do próximo mandato. Por entre muitas outras medidas positivas, como a erradicação do amianto dos bairros sociais, Cafôfo prometeu ainda a reabilitação dos bairros camarários e a construção de novas e necessárias estruturas; prometeu um programa de arrendamento a custos controlados, que, garantiu, permitirá aos jovens arrendarem habitação nos bairros históricos e do centro do Funchal e repovoarem assim a baixa; uma nova onda de reabilitação urbana; e assim por diante.

Na oportunidade,  elogiou também António Costa, agradecendo o apoio e a confiança que junto do mesmo o Funchal tem sempre merecido, ao longo destes anos, com uma presença que tem sido “constante”.

Subindo ao palco por entre as palmas dos apoiantes da coligação mas o muito sonoros assobios dos lesados do Banif, Costa sublinhou, por seu turno, que a concelhia do PS aprovou esta candidatura, como quem deixa claro que não há dissidências de opinião entre os socialistas regionais; relembrou que a coligação Mudança “foi uma das grandes surpresas” das últimas eleições autárquicas e sublinhou que, actualmente, já não é uma surpresa, mas uma certeza, a da coligação Confiança: a certeza da “excelência”, demonstrada pelo trabalho desenvolvido.

“Tenho estado aqui sempre que tem sido necessário estar aqui”, disse sobre si próprio, procurando tornar claro o seu apoio ao Funchal e à Madeira. Portugal sem a Madeira é inimaginável, deixou claro, e enviou uma mensagem de apoio aos madeirenses que vivem em países com níveis de segurança muito incertos, como é actualmente o caso da Venezuela. Mas as suas palavras, mais uma vez, acolheram foi assobios junto dos lesados do Banif.

António Costa não desarmou e, sempre com muito à-vontade, usou por seu turno a palavra “orgulho” para referir-se aos partidos que integram esta coligação que o PS lidera, e deixou um abraço e força aos candidatos.

A cerimónia terminou com a habitual música épica que se regista neste tipo de eventos de campanha.