“As pessoas querem que eu seja candidato independente e o apoio do PSD é por achar que as coisas estão bem”

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José António Garcês indica duas obras consideradas estruturantes para o concelho, como prioridade e que tem a ver com o Governo Regional, como sejam “a estrada das Ginjas, de ligação ao Paúl, e a frente mar do calhau. Foto Rui Marote

José António Garcês é um homem do PSD, enfrentou divergências com a direção de Jardim e saíu, não esconde as ligações políticas e sabe que o eleitorado, que o elegeu há quatro anos como independente pelas listas do movimento “Unidos por São Vicente”, está consciente dessa sua condição e dessa aproximação social-democrata.

O povo deu-lhe confiança na governação autárquica e as coisas até correram bem, segundo a sua perspetiva analítica, ao ponto de considerar importante manter, na recandidatura, essa situação de independência dos partidos, embora recebendo os apoios do PSD e do CDS/PP. É mais ou menos respeitando a máxima de que “em equipa que ganha não se mexe”. Por isso, refiliar-se no partido está, para já, fora de questão. Este tempo é para tentar dar continuidade ao trabalho e enquanto estiver no projeto será independente. Depois, “logo se vê”, não fecha a porta: “O futuro a Deus pertence”.

Albuquerque aposta em social democrata independente

Miguel Albuquerque, o líder social democrata madeirense, deve ter estudado o meio e avançou para o apoio a Garcês. Entendeu que não encontrava melhor para a eventualidade de lista própria, embora muitos considerassem que o PSD deveria apresentar, enquanto partido com tradição de poder, um candidato seu. Albuquerque entendeu Garcês como “seu”, sem ser formalmente. E assim vai ser.

O presidente da Câmara de São Vicente e candidato independente reforça a ideia que presidiu à sua candidatura há quatro anos: “Iniciámos um projeto que tinha a ver com São Vicente e a sua população, um projeto de pessoas para pessoas. E para isso, reunimos um grupo de cidadãos independentes, uns simpatizando com um ou outro partido e outros que até nem gostam de partidos mas que aceitaram este desafio. Foi público que tanto o PS como o CDS abdicaram de candidatos próprios em favor do apoio à nossa candidatura, e também foi público que o PS decidiu, pela voz do seu presidente, concorrer agora com candidato próprio, sem que isso representasse qualquer divergência da nossa parte. Foi ainda público que o PSD, na sua responsabilidade política de achar que as coisas estão bem em São Vicente, pensando no bem estar das populações, achou que deveria apoiar este movimento, que em relação há quatro anos mantém o apoio do CDS/PP.”

As pessoas querem que eu seja independente

José António Garcês prepara-se para manter a essência do projeto anterior, mas com um programa novo, “virado para a inovação e planeamento estratégico do concelho”. Lembra que sempre disse que seria candidato como as pessoas quisessem. E as pessoas querem que eu seja candidato independente, é a nossa essência, é aquilo que somos”.

Não esconde uma ligação direta com o Governo de Albuquerque, mas logo aponta os benefícios que esse bom relacionamento tem resultado para o povo de São Vicente. Aponta “a conclusão da via expresso São Vicente-Boaventura, que é importante, o asfaltamento da estrada entre o túnel do Arco e a freguesia da Boaventura, uma necessidade de há muito, a Escola Agrícola da Madeira em São Vicente. Isto só para falar em alguns exemplos de investimentos do Governo no concelho”.

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José António Garcês diz que quer ouvir a população no contacto direto, mas não vai fazer campanha à saída das missas Foto Rui Marote

Estes apoios, a que se juntam outros relevantes, ainda que de menor expressão, não fazem José António Garcês pensar que isto são “favas contadas”, nada disso. Sabe que o trabalho pode ser reconhecido, mas também sabe, como diz, nunca ter visto alguém ganhar antes de contar os votos. As pessoas sabem com quem contaram e com quem podem contar”.

Quase tudo cumprido do programa de há quatro anos

Do programa que foi sufragado há quatro anos, está quase tudo cumprido, diz o autarca com orgulho. O que falta é para fazer antes do final do mandato, mas se houver algum precalço, garante, “sou eu próprio a reconhecer e a garantir que aquilo que ficou para trás será incluído no próximo plano de investimentos. Há situações que nos ultrapassam, que têm a ver com burocracia e legislação, que porventura poderão impedir a concretização de alguns objetivos. Mas vamos tentar não deixar nada por fazer”. E há mais: “É preciso que se diga que muitas obras foram feitas e nem estavam no projeto inicial, mas que apareceram por força das prioridades que fomos encontrando, muitas solicitadas pela população. Cumprimos com a nossa responsabilidade política”, apontando o exemplo de alguns caminhos agrícolas, que não estavam contemplados e que foram abertos, estão em terra porque os programas de apoio só abriram dois anos depois, pelo que as candidaturas foram atrasadas. O acesso ao mar na Ponta Delgada não estava no programa e foi feito. Fizemos intervenção em mais de cem veredas, umas cimentadas, outras com varandas, outras alargadas”.

Estrada das Ginjas e frente mar do calhau

Projetando já o futuro, José António Garcês indica duas obras consideradas estruturantes para o concelho, como prioridade e que tem a ver com o Governo Regional, como sejam “a estrada das Ginjas, de ligação ao Paúl, e a frente mar do calhau. Não se faz num mês”. No resto, tem as atenções viradas para a “dinamização da economia local, o turismo, através do desenvolvimento de uma zona, do Caramujo, que fica precisamente na estrada das Ginjas. São Vicente, com estes investimentos, irá sofrer um grande desenvolvimento”.

Programa de apoio domiciliário e lar da terceira idade

Nos domínios do social e da Educação, o autarca e candidato garante que o essencial está assegurado, apenas é necessário melhorar. Enumera, na parte social a “ajuda nos medicamentos para os idosos com mais de 65 anos, temos apoio social ao arrendamento, ajuda a famílias carenciadas na recuperação de imóveis degradados”. E na parte da Educação “transporte e manuais escolares gratuitos para todos os alunos do Ensino Básico, transporte gratuito para atividades extracurriculares, prémios de mérito aos melhores alunos do Secundário, bolsas de estudo a todos os alunos do concelho que se encontrem a frequentar o Ensino Superior e tenham aproveitamento”.

Mas Garcês quer mais. E esse mais já começou a ser desenhado com a autorização prévia do procedimento, em recente reunião de Câmara, de um projeto “A minha casa, o meu lar”, que visa reforçar o apoio domiciliário a idosos do concelho, envolvendo vários profissionais da área da Saúde, prevendo-se que entre em vigor a 1 de agosto. E num outro patamar, pensa na construção de um lar de terceira idade, explicando que “o único lar existente fica em Ponta Delgada, é privado, pertence à paróquia, e está cheio e com lista de espera enorme. É necessário encontrar solução para os que necessitem de apoio de manhã à noite”.

Campanha no contacto direto não envolve saída das missas

No terreno, já abordando a questão da campanha eleitoral, José António Garcês garante que não vai andar à saída das missas, essa é uma parte arrumada da questão e é modelo ultrapassado. “Vamos falar com as pessoas, ouvir as suas opiniões para podermos fazer uma apreciação, relativamente ao que precisam e sobre o que acham do que foi feito e do que falta fazer. Falamos com elas no dia a dia, já estamos a desenvolver esse trabalho. É uma campanha direta junto da população, sendo provável a realização de um comício”.