Quarteto Lopes-Graça no Funchal para concerto a não perder

 

Este é um concerto a merecer uma atenção especial: a ANSA, associação que gere a Orquestra Clássica da Madeira promove, na quinta-feira, dia 1 de Junho, pelas 21 horas, no Salão Nobre da Assembleia Legislativa da RAM, um concerto de música de câmara, protagonizado pelo afamado Quarteto Lopes Graça. Intitulado “Bridges over Troubled Cultures – Música portuguesa e latino-americana”, o concerto terá o seguinte programa:

GIANNEO, Luis [Buenos Aires, 1897–1968] – Tres Piezas Criollas (1923)

KOVADLOFF, Diego [Buenos Aires, 1968] – String Quartet No 1 * Obra dedicada ao Quarteto Lopes-Graça

BRAGA-SANTOS, Joly [Lisboa, 1924 – 1988] – Quarteto de Arcos nº 2, op. 29 (1957)

LOPES-GRAÇA, Fernando [Tomar, 1906 – Parede, 1994] – Catorze Anotações (Parede, 1966)

ERLICH OLIVA, Alejandro [Buenos Aires, 1948] – Três Canções para Soprano e Quarteto de Cordas (2016)  *Obra dedicada a Natasa Sibalic e ao Quarteto Lopes-Graça. Primeira audição mundial

“A vida e a Morte” – Florbela Espanca (1894 – 1930)

“Sozinha no Bosque” – Marquesa de Alorna (1730 – 1839)

“Do Dever de Deslumbrar” – Natália Correia (1923 – 1993)

REVUELTAS, Silvestre  [Durango,1899 – Mexico DF, 1940] – Cuarteto No 4  “Musica de Feria” (1932)

Natasa Sibalic

“Bridges over troubled cultures”, salienta a OCM, é um programa que reflecte, num conceito homogeneizador, as actuais inquietações que assolam a música nos universos culturais que o Quarteto Lopes-Graça há muito se compraz em frequentar, o da criação contemporânea portuguesa e algumas referências do mundo latino, expressões musicais de países como a Argentina – mas decantadas por compositores “exilados” – pontes, todas elas, para / com o entendimento e a vivência do outro, outras realidades.
Um programa que enfatiza também a função mediadora – a ponte – fundamental, deste intérprete colectivo, na recriação – por vezes, como ocorre nas situações de obras escritas para o agrupamento, quase co-criação – das obras destes criadores, das suas mundividências plasmadas em arquitecturas sonoras, salienta a Orquestra.

“Três clássicos – Gianneo, Revueltas, Lopes-Graça, três contemporâneos – Kovadloff, Erlich-Oliva, Vasques-Dias – em todos a vontade de se conhecer, de te conhecer!”, salienta Luis Cunha, integrante do Quarteto Lopes-Graça.

Entretanto, sobre a obra em primeira audição mundial,. Três Canções para Soprano e Quarteto de Cordas, Alexandro Erlich Oliva escreve: “Estas canções constituem a minha homenagem – humilde e sincera – a três grandes nomes referenciais da poesia portuguesa dos Séculos XVIII, XIX e XX.  Concordo com a opinião de Natália Correia quando afirmava que a poesia não tem género. Por esse motivo não gostava que se lhe aplicasse o termo “poetisa”; para ela, a definição de quem se expressa através daquela arte devia ser poeta, independentemente do género.

A minha escolha destas três enormes criadoras do universo poético lusófono é totalmente intencional. É uma mensagem que faz parte do mensageiro.

Numa Europa onde, por exemplo na Suíça, o voto feminino na totalidade do território só foi autorizado…já bem ultrapassada a metade do Século XX (!) e num Portugal onde só agora, na segunda década do Século XXI está a ser implementada a lei que se digna incluir as mulheres no nobre princípio “Trabalho igual, salário igual”, não está a mais qualquer gesto coadjuvante da luta pela afirmação e defesa da condição feminina.

“A vida e a morte” é o primeiro poema de Florbela Espanca, escrito aos oito anos de idade.

Em “Sozinha no bosque”, a Marquesa de Alorna exibe um magnífico exemplo de poesia premonitoriamente modernista.

“Do dever de deslumbrar” é um dos poemas mais filosóficos da grande escritora e temível oradora parlamentar. O breve mas intenso texto culmina com a comovente afirmação da importância existencial da poesia.

Tanto quanto sei, nenhum destes três poemas foi até agora utilizado musicalmente para a elaboração de canções.

Esta trilogia vocal instrumental está dedicada – com toda a minha admiração artística – à Natasa Sibalic e ao Quarteto Lopes-Graça.”

Os bilhetes custam entre 10 euros e 5 euros e estão disponíveis no La Vie Funchal Shopping Center – Loja Naturalmente Português (Piso 1), das 09:00 às 22:00, e no dia do concerto no local, a partir das 18:00.

O Quarteto Lopes Graça é constituído por Luís Pacheco Cunha e Maria José Laginha, no violino: por Isabel Pimentel, na violeta; por Catherine Strynckx, no violoncelo; e o grupo actuará, neste recital, acompanhado pela soprano Natasa Sibalic.

Natasa Sibalic, nascida em Belgrado (Sérvia) e naturalizada portuguesa, é diplomada pela Academia das Artes de Novi Sad e licenciada pela Escola Superior de Música de Lisboa. Aperfeiçoou-se ainda com Biserka Cvejic (Viena), Earl Buys (New York), Elizabeth Bentson-Opitz (Hochschule fur Music und Theater- Hamburg) e Elena Dumitresku-Nentwig (Alemanha), com a qual realizou Estúdio de Ópera na qualidade de bolseira do Centro Nacional de Cultura.

Obteve diversos prémios em Concursos Nacionais e Internacionais, e ainda um Prémio especial pela interpretação de Lieder de Schubert. Em 2010 foi finalista de Concurso ARMEL/MEZZO Opera Competition na Hungria.

Em Portugal, onde reside desde 1999, apresenta-se regularmente em teatros e festivais no país (Teatro Nacional São Carlos, TN D. Maria II, Teatro de São Luís, Teatro de Trindade, CCB, entre outros), e também no estrangeiro (Festival “Les Perfums de Lisbonne” em Paris com apoio do Instituto Camões, Amsterdão e Utrecht na Holanda).

O seu repertório de ópera inclui papeis de Beauty ” The Triumph of Time and Truth” de G.F.Handel,  Ília “Idomeneo”, Rainha da Noite e Pamina “Flauta Mágica” de W.A. Mozart, Euridice  “Orfeo et Euridice” de C.W.Gluck, Mina ”As duas mulheres de Sigmund Freud” de Hugo Ribeiro e “Mudos” de Gonçalo Gato. Trabalhou sob a direcção artística de Christopher Bochmann, Brian MacKay, Nicholas McNair, Stephen Bull, Paulo Matos.

Na sua actividade concertante realiza um repertório diversificado, dedicando-se também à música de câmara. Colaborou, entre outros, com a Orquestra Sinfónica Juvenil, o Quarteto Lopes-Graça, os pianistas Anne Kaasa, João Paulo Santos Rui Pinheiro e Francisco Sassetti.

Gravou para a Rádio e Televisão de Novi Sad, Rádio de Belgrado e Radiodifusão Portuguesa (Antena 2).

O Quarteto Lopes-Graça, constituído por músicos com notáveis carreiras solísticas e camerísticas, professores da Escola de Música do Conservatório Nacional (Lisboa), formou-se em 2005 com o objectivo de dotar o Conservatório, à imagem de muitos dos seus congéneres no mundo, de um grupo de referência na área das cordas, com condições para desenvolver um trabalho permanente com output aos níveis da formação especializada em música de câmara (master-classes de quarteto) e da promoção da escola, no país estrangeiro, sublinha um comunicado.

Desde então, o QL-G soube afirmar-se como agrupamento de referência na sua área, tendo actuado nas mais importantes salas e eventos musicais do país – Festa da Música e Dias da Música do Centro Cultural de Belém –edições de 2005, 2006, 2008, 2009 e 2011, Casa da Música / Porto, Grande Auditório da Culturgeste, Teatro de São Luíz, Teatro da Trindade, Teatro D. Maria II (17 de Dezembro de 2006 – centenário do aniversário de Fernando Lopes–Graça), temporada Em Busca de um Salão Perdido (Salão Nobre do Conservatório), Festival de Música de Paços de Brandão, Centro de Artes de Belgais, Encontros de Música do Alentejo 2009, por várias ocasiões nas temporadas do Eborae Música, em Évora, no primeiro aniversário do Centro Artístico de Braço de Prata, em Lagos (Al-Cultur 2009), Santarém (Inauguração da Biblioteca do Ginásio), Almada (Capuchos e Auditório L. Graça), Cascais (Museu da Música Portuguesa), Funchal (Teatro Baltazar Dias), Marvão, Castelo de Vide, Caldas da Rainha, Caminha, Pombal, Viana do Castelo e em muitos outros projectos e espaços culturais.

Realizou ainda várias tournées aos Açores onde actuou com o Coral Vox Cordis.

Contemplado, por diversas ocasiões, com apoios do Ministério da Cultura, realizou concertos em vários pontos do país, nomeadamente no âmbito do recente Festival CRIASONS 2010 / 11, um evento dedicado à composição portuguesa contemporânea. É aliás este desígnio – a divulgação da nova música portuguesa – que tem inspirado a ação do QL-G nos anos mais recentes, realizando com frequência primeiras audições de obras que lhe são dedicadas por compositores nacionais.

Deslocou-se a Andorra, em 2010, com um programa vocacionado para a divulgação da cultura portuguesa naquele Principado. Em 2013 realizou uma digressão de um mês ao Brasil, no âmbito do evento Portugal no Brasil, com concertos em Curitiba, Brasília e Sorocaba. Em Novembro de 2014 participou, com três concertos, no XII Festival Internacional de Música Contemporânea de Lima, Peru. Terminou, recentemente, uma digressão à Argentina, tendo atuado nas mais prestigiadas salas da capital (Teatro Colón e Usina del Arte) e realizado uma Master-Class no Instituto Superior de Arte do Teatro Colón.

Editou em Maio de 2009 o seu primeiro projecto discográfico – um CD com obras de Fernando Lopes-Graça e António Victorino d’Almeida (obra dedicada) [Numérica 1182 | 2009]. Um novo álbum, editado em 2011 (em conjunto com o Opus Ensemble e o Duo Contracello) fez o registo das obras estreadas no Festival CRIASONS [Numérica 1218 | 2011]. Acaba de editar dois CDs com a obra integral de Fernando Lopes-Graça para Quarteto e Piano, com Olga Prats [Toccata Classics 0253 | 2014 e 0254 | 2015].