Eurovisão 2017/ Exercício …

O representante da Suécia, no Festival, referiu – num post num Instagram – que embora gostasse imenso da canção do Salvador, entendia que o discurso proferido por este, no final, “não foi o de um verdadeiro vencedor”.

Apesar de despudorado e incisivamente crítico, isso até nem é negativo, poderia ter sido feito num outro contexto e não correria o risco de parecer até sobranceiro. Estamos felizes pelo facto de a qualidade ter vencido e desta levar a bandeira de Portugal. Estamos com o ego muito afagado, e com motivos, mas que isso não nos tolde a sensatez.

Não teria sido mais bonito se ele tivesse dito que ficou feliz pela sua vitória com uma canção diferente de todos os padrões estabelecidos, cumprimentava os colegas e não dizia que a sua música era de plástico e descartável.

Da minha parte, espero que a música de plástico e descartável não acabe nunca pois tem um lugar específico mas minhas imensas e muito diversas preferências musicais. Nem se espere (isso seria ridículo) que a balada dos manos possa agora vigorar como uma espécie de metro que defina e determine o valor (ou a ausência dele) de uma canção.

Finalmente… um pequenino desafio. Se tivesse sido o Ronaldo a dizer o que Salvador disse? Imaginem que, após ganhar todos os prémios que já ganhou, tivesse afirmado, perante o mundo, qualquer coisa do género: Esta é a vitória do futebol que deve ser feito, vamos lá mudar isto e trazer o futebol de volta. Acabe-se com o futebol desta gente toda que joga sem qualidade …

Hummmm pois é. Bem me parecia.

Era só um exercício.