
As eleições autárquicas de 1 de outubro apresentam-se, para o PSD-Madeira, como aquilo a que podemos chamar de “prova de fogo”. A Ribeira Brava, um tanto inesperadamente, passou da tranquilidade à apreensão. Era vitória garantida, passou a dúvida até ao fim. Da área social-democrata surgem três candidatos, prova mais do que evidente que, por aqueles lados, a máquina “laranja” anda de tal forma aos “soluços” que exigiu esta profusão de pretendentes à liderança autárquica, que andam à procura, dizem, de uma alternativa. O momento do voto ditará o que pensa o povo desta aparente confusão. A Ribeira Brava espera, pelo menos é esse o objetivo do eleitorado, que se se faça luz de alguma forma. E que o resultado final seja o triunfo do concelho, mais do que o de uma candidatura.
Sem promessas, apenas compromissos
Luís Drumond foi deputado do PSD-M durante dois mandatos, foi presidente da Assembleia Municipal da Ribeira Brava até “bater com a porta” por causa do PDM. Há dois anos, pediu a desvinculação, por escrito, mas nunca obteve resposta, sente-se desvinculado. É candidato na lista do Juntos Pelo Povo. Não se revê nem em Ricardo Nascimento nem em Nivalda Gonçalves, por isso apresenta-se aos eleitores como uma alternativa com os olhos postos na mudança. E deixa, desde logo, uma mensagem direta ao povo ribeirabravense: “Se acham que o concelho está bem, não votem na nossa candidatura. Se acham que está mal, então vamos protagonizar a mudança, no estilo e na forma”. A partir daqui, tudo esclarecido neste relacionamento com os eleitores. E “mãos à obra” para “falar verdade, sem promessas, apenas com compromissos”.
“A Ribeira Brava já ganhou as eleições”
Quando colocado perante a eventualidade destas candidaturas constituírem motivo de dúvida junto do eleitorado, Luís Drumond considera que, pelo contrário, “é a democracia na sua plenitude, com diversidade de opiniões, de sensibilidades, de projetos e conjugação de esforços. Nada melhor do que isto para termos, na prática, um exercício democrático alargado, situação que nos últimos anos não tem ocorrido. A Ribeira Brava já ganhou as eleições”.
O número de candidaturas em presença, tendo em vista as eleições autárquicas, revela, na perspetiva do candidato, uma resposta à ineficácia da gestão autárquica. “Diz-se claramente que a Ribeira Brava regrediu nas últimas décadas, mas a verdade é que acumulou dívida descontrolada, que chegou aos 15 milhões de euros. Isso significa que as soluções até agora encontradas não são as melhores, não conseguiram traduzir as mais valias e o desenvolvimento que se pretende para o concelho. O aparecimento de várias candidaturas significa uma mudança de rumo para que as coisas nunca mais cheguem ao ponto a que chegaram”.
Talvez uma “geringonça” seja a solução

Neste contexto, Luís Drumond só vê vantagens nas várias candidaturas, expressando a existência de condições, com esse enquadramento, “para uma outra filosofia de participação cívica e crítica do nosso concelho”.
Se o resultado for, por exemplo, um cenário sem maioria absoluta, então admite que a negociação será a via mais lógica. E se for caso disso, vai adiantando: “Para o povo em geral, eu diria que uma situação dessa natureza, de não existência de maioria absoluta, vai permitir à Ribeira Brava ter uma “geringonça”. Quando não tivemos “geringonça”, regredimos em termos de desenvolvimento regional, comparativamente com outros concelhos, acumulamos dívida e ficámos num marasmo. Então talvez a “geringonça” seja a solução”.
Gente ligada a grupos de pressão
O candidato do JPP diz que um dos pontos inquestionáveis, para enfrentar o futuro, é não cometer os erros do passado, muitos deles foram protagonizados por gente que está ligada a grupos de pressão e que, porventura, numa realidade do tipo “geringonça”, a exemplo do que acontece no Governo da República, teriam uma situação menos propícia a ocorrências do género, que nesse contexto, seriam facilmente desmontáveis”.
Atual liderança não controla sensibilidades
Luís Drumond, ex-social democrata, explica o aparecimento de três candidaturas da área do PSD, pelo facto de, só agora, estarem reunidas as condições para que se dê expressão às diferentes sensibilidades no partido. “Durante muitos anos, o anterior líder Alberto João Jardim, era uma voz de comando, não dava espaço a essas sensibilidades. Esta nova liderança, ela própria resultante de um fraccionamento do PSD-M, não controla as sensibilidades e por isso ocorrem estas situações”.
O nosso entrevistado não mostra preocupação relativamente à opção do PSD-M por Nivalda Gonçalves para a liderança da Câmara Municipal, escolha que representou, em consequência, um voto de “desconfiança” social democrata ao atual presidente Ricardo Nascimento, eleito há quatro anos pelas listas do PSD-M. “Não alinho com este presidente da Câmara, mas também não alinho com a candidata Nivalda Gonçalves. Por isso, apresentei a minha candidatura e só no final saberemos se fiz bem ou não”.
Muitas candidaturas ligadas a interesses instalados
Muitas das candidaturas à Câmara da Ribeira Brava, diz Luís Drumond, “estão ligadas a interesses instalados e a manobras de poder, como é o caso do PSD e de outras que pretendem manter uma posição de charneira no concelho. O JPP não. O JPP quer mudar a sério, na abertura, no estilo, nas pessoas, nas ações. Só assim é que podemos realmente mudar”.
Sociedades de Desenvolvimento funcionavam como um segundo governos
O candidato aponta um grande objetivo do seu programa: descentralização. Assente na leitura que faz de que a Ribeira Brava, sendo o concelho mais novo, fruto de uma demasiada centralização, não tem coesão interna, não tem equilíbrio interno e precisa de ter um desenvolvimento harmonioso e corretamente distribuído por todo o concelho, refere que essa será uma das prioridades da sua gestão em caso de vitória nas eleições”. E dá exemplos concretos dessa visão centralista: “Por exemplo, o Campanário, que é a segunda freguesia com mais população no concelho, no exercício das Sociedades de Desenvolvimento, que funcionavam como o segundo governo dos governos de Alberto João Jardim, não viu um euro de investimento. O mesmo sucedeu com os programas de caminhos agrícolas. Isto não pode acontecer, o desenvolvimento deve ser equilibrado. E quem diz o Campanário, diz outras freguesias. O mesmo se passa em matéria de eventos, devem ser distribuídos e não somente centralizados na zona baixa da Ribeira Brava”.
Não vamos lavar a cabeça a ninguém
Quando falamos da campanha e da estratégia de contacto com o povo da Ribeira Brava, Luís Drumond não deixa dúvidas quanto ao que podem esperar dele e da sua equipa. “A minha candidatura não tem espetada nem jantaradas nem massacres à saída das missas. Teremos dois espaços de fórum, um na Ribeira Brava e outro no Campanário, seguindo-se uma fase de contacto de proximidade, um porta a porta, não para dar “tshirts” e esferográficas, mas sim para ouvir as pessoas e apresentar as nossas propostas. Não vamos lavar a cabeça a ninguém”.
“É esta energia que vai levar à vitória”
Os anos que leva da política fazem-no não enveredar pelo caminho das promessas, constituindo estas normalmente o figurino dos discursos de quem quer ganhar votos e acelera métodos por alturas das campanhas, mesmo que a concretização simplesmente não vá além das palavras. “As pessoas sabem que aquilo que tenho defendido, ao longo dos anos, é compatível com o projeto que agora apresento. “Não vamos prometer nada, vamos assumir compromissos com as pessoas. Uma candidatura é a credibilidade de um percurso de vida. E eu estou a preparar esta candidatura há 26 anos. Mesmo no PSD, sempre tive em atenção, prioritariamente, as pessoas. Sempre lutei por causas. E por isso levei uns patins. Acredito que é esta energia que vai levar a uma vitória conduzindo a Ribeira Brava a uma mudança a sério. Estou confiante”.
Tanto a candidata Nivalda como o candidato Ricardo Nascimento traíram a população
Uma dessas causas mais recentes foi a escola. O Governo Regional decidiu construir no local onde atualmente se encontra, mas Luís Drumond defende que a mesma deveria ser construída de raiz junto ao polo desportivo. E não poupa dois candidatos: “Como Judas, tanto a candidata Nivalda como o candidato Ricardo Nascimento traíram a população, subscreveram documentos favoráveis à construção da escola junto ao campo de futebol e quando confrontados, mais tarde, com a decisão política, puseram-se de fora ou ficaram ao lado da decisão governamental. O povo sabe disso. Já quando foi o PDM, a Câmara considerou aquela zona do campo como zona de edificação em vez de manter como área de equipamentos. Algum propósito haverá nesta vontade”.
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