
O Governo Regional está a estudar a possibilidade de abrir concurso, no próximo ano, para a manutenção dos espaços públicos e jardins. Outra das medidas que está a ser analisada é a criação de uma carreira de técnico de espaços verdes, com vista a dignificar uma profissão que acusa a falta de efetivos.
A ideia é semelhante ao que aconteceu recentemente com os rocheiros. Criar uma carreira capaz de valorizar experiências e saberes e, assim, atrair mais pessoas à profissão, criando simultaneamente oportunidades de emprego, dinamizando o empreendedorismo e oferecendo mão de obra especializada numa Região que é conhecida pela sua diversidade natural e beleza paisagística.
Ainda não está definido se terá a designação de jardineiro ou de técnico de espaços verdes, mas Miguel Albuquerque defende que é necessário avançar para o patamar da profissionalização e da formação na área dos espaços verdes, atendendo à área significativa de jardins públicos e privados, em parques e quintas, existente maioritariamente na cidade do Funchal.
“Estamos a tentar juridicamente, como fizemos para os rocheiros, criar uma carreira específica bem remunerada para os chamados técnicos de espaços verdes. Paralelamente, será aberto no próximo ano um concurso para a manutenção dos jardins públicos. São muitos espaços, o pessoal é escasso e temos falta de jardineiros”, explica o presidente do Governo, que quer acabar com o estigma em relação às pessoas ligadas à natureza. “Eu tenho amigos em Inglaterra que são jardineiros e têm uma grande honra nisso. É preciso mudar mentalidades. É um trabalho nobre, tem de ser acompanhado por formação e valorizado socialmente.”

Miguel Albuquerque adiantou ao FN que a medida está a ser estudada do ponto de vista jurídico, de maneira a garantir enquadramento constitucional. “Tenho muita vontade em dignificar e remunerar melhor as pessoas que gostam de trabalhar com a natureza. É uma área de grande atratividade para novas profissões e empresas, principalmente na Madeira onde os jardins e os espaços verdes são parte importante no principal motor da economia que é o turismo.”

Recorde-se que o Governo Regional lançou há cerca de um ano a marca “Jardins da Madeira”, um projeto que pretende tirar partido do património natural da Região, em termos de oferta turística, definindo estratégias de investimento para um sector cuja conservação e manutenção exige muito investimento.
O programa, tutelado pela Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, está já no terreno. Passa essencialmente por intervenções nos jardins públicos da cidade, alguns há muito a necessitar de atenção, como é o caso da Quinta Magnólia, onde o governo estima aplicar três milhões de euros na sua requalificação ambiental e paisagística, tendo já lançado concurso público para uma empreitada que deverá durar dois anos.
“Neste momento, estamos a ultimar a recuperação do Jardim do Tanque e estamos a recuperar o Jardim Botânico, introduzindo algumas áreas novas e procedendo a reparações que tinham de ser feitas. Está a ficar como eu sempre desejei.
Estamos também a arranjar os jardins da Quinta do Imperador, no Monte, onde ficará instalado o Museu do Romantismo. Depois da recuperação da casa, que envolve um investimento de mais de dois milhões de euros, este espaço será uma referência.
Na Quinta Magnólia não vamos fazer grandes inovações, apenas requalificar as características fundamentais do espaço. Vamos recuperar a casa principal e os campos de ténis, e a zona da piscina será para os campos de padel. Vamos também recuperar os percursos pedestres e melhorar os jardins, que são lindos, e abrir à população.”
Quinta das Cruzes e Praça do Povo são outros espaços nobres sob a tutela do Governo Regional que têm estado na mira das críticas. Há quem fale em abandono das zonas ajardinadas. Miguel Albuquerque refuta as acusações, apontando como exemplo o cuidado que tem sido dispensado no ajardinamento da frente mar, incluindo a Avenida Sá Carneiro.
“O jardim da Praça do povo não está ao abandono. Pelo contrário, está bem mantido. Agora, pela sua localização, é uma zona exposta aos ventos e à salinidade, o que coloca alguns desafios. Por outro lado, tem sido objeto de atos de vandalismo. Plantámos bananeiras e vinhas por três vezes e foram sempre arrancadas. São situações que não podemos prever”.
Relativamente à Quinta das Cruzes, o espaço é limitado e não permite grandes intervenções. A solução, diz, prende-se sobretudo com a substituição de algumas espécies, como as roseiras. “De resto, está bom”.
Miguel Albuquerque explica que a marca “Jardins da Madeira” é um instrumento fundamental na gestão dos espaços verdes. Uma das vantagens será concertar operações de divulgação e promoção de forma antecipada. “Estou convencido que tem muito para dar.”
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