Albuquerque encerrou ‘Universidade Jota’ com grandes críticas à oposição e elogios à JSD, a “reserva do partido”

O presidente do PSD/Madeira afirmou ontem, no encerramento da Universidade Jota, que, ao fim de três anos e meio de gestão nas câmaras da oposição, aquilo que se vê é um “bluff e um “grande fiasco”. “Eles chegaram lá ao poder sem saber o que fazer com o poder”, sublinhou Miguel Albuquerque, no encerramento da Universidade J, na Encumeada. “Não investiram nem em habitação social, nem em novas redes de saneamento, nem em novas redes de água, nem nos transportes, nem na mobilidade, nem em novos centros comunitários”, criticou, acrescentando que não houve também inovação na cultura e na protecção civil. O que tem acontecido até agora, afirmou, é que “falam muito, mas nada acontece”.

Por outro lado, Miguel Albuquerque sustenta que, ao fim de 41 anos de autonomia, temos ainda “um quadro político perfeitamente bipolarizado”, de um lado estão os autonomistas social-democratas que construíram a Madeira moderna, das liberdades, do progresso e do desenvolvimento e do outro lado estão os mesmos de sempre: Uma “esquerda fragmentada”, sem um “discurso coerente” e que ao fim de 41 anos continua a fazer do “ruído mediático uma política” e continua “a não ter a confiança do povo”.

Contudo, segundo o presidente do PSD/Madeira, é também uma esquerda que está hoje sob uma “nova circunstância”, está integrada numa “coligação negativa”, que serve de “alicerce de um poder na República” e que tem influência na Região Autónoma da Madeira. Trata-se da mesma esquerda que está sob uma “subordinação absoluta às injunções do Estado Central e aos diretórios nacionais dos respetivos partidos”. O resultado é terem de “fazer autênticos números de malabarismo político”, o que se traduz “numa hipócrisia política completa”. “Quando não eram poder na República barafustavam, faziam manifestações, gritavam na Assembleia, tudo reivindicavam para a Madeira, agora que são poder na República piam fininho, ou seja, nem falam, são uns cordeiros mansinhos relativamente ao que o Estado impõe para a Região Autónoma da Madeira”. Hoje, adiantou, “estão submetidos ao doce sabor do poder”.

Miguel Albuquerque deu o exemplo do ‘ferry’ que tanto reivindicaram, mas para o qual o Governo que sustentam não inscreveu qualquer verba no Orçamento de 2017 para garantir essa ligação, não se tendo pronunciado sequer quando a ministra do Mar afirmou que o Estado não iria financiar a linha. Também aceitam, continuou, a discriminação entre a Madeira e os Açores nas verbas transferidas para a Segurança Social, em mais de 16 milhões de euros.

O presidente do PSD/Madeira lembrou que durante o Governo PSD/CDS-PP foi conseguida a prorrogação do prazo da dívida da Madeira, tendo sido falado nessa altura também a descida da taxa de juro, não só pelo PSD, mas também pelo PS, BE e PCP. Essa renegociação foi pedida, mas ao fim de sete meses ainda não há resposta. “Eles nada dizem e estão muito contentes com a situação”, disse, sublinhando ser esta “uma esquerda que se limita a fazer política através do ruído contestatário por via mediática”, refere um comunicado de imprensa.

No encerramento da Universidade J, Miguel Albuquerque aproveitou para felicitar a JSD, salientando que esta constitui “a reserva do partido”, pois será com ela que o “partido garantirá a sua continuidade” e que garante um “discurso de inovação, de abertura e de vanguarda na sociedade madeirense”.