Crónica Urbana: assassinar fotografias

Rui Marote
O FN foi alertado para o “crime” de mutilação de fotografias históricas no complexo balnear do Lido.
Decorrem nas lojas do edifício exterior, as quais foram postas a concurso, obras de melhoramentos e adaptação aos novos estabelecimentos: uma gelataria e um café a abrir brevemente.
Estes espaços estavam decorados com enormes posters de fotos antigas da Piscina do  Lido e arredores, que marcam uma época histórica.
História é a narração dos acontecimentos do passado que contribuíram para o aperfeiçoamento das condições intelectuais e espirituais  cujo protagonista é o próprio homem. Assim aprendi com o meu professor Sousa e Freitas no Externato Lisbonense.
“Verdade, verdadinha”, é que se mutilou o passado, que até era bem agradável de ver e de recordar naquelas imagens, abrindo absurdamente umas janelas nas fotografias para colocar o alvará de obras da Câmara (ver fotos).
Todas as fotografias são sempre suceptíveis de adquirir novas interpretações, somando-se às experiências de vida de cada um. São modos de recordar épocas, ambientes, emoções.. 
Tínhamos neste espaço um pequeno museu vivo, fotografado diariamente por turistas nacionais e estrangeiros e pelos madeirenses, explicando aos filhos os seus tempos de juventude no único espaço balnear com piscina então existente na Madeira. Mas é óbvio que há quem não valorize uma imagem, nem sequer o bom gosto. E assim, se corta sem dó nem piedade. Nada a que não estejamos habituados, na nossa terra. Infelizmente.