O inesperado conúbio de António Costa com a JPP visto por Carlos Pereira

O curioso conúbio de António Costa com Filipe Sousa deu recentemente que falar, pelo imprevisto do encontro do primeiro com o presidente da Câmara Municipal de Santa Cruz, e figura destacada do partido Juntos Pelo Povo. Tanto que essa visita espoletou reacções de desagrado no interior do Partido Socialista madeirense. O líder parlamentar Jaime Leandro foi a face do incómodo que se gerou dentro das hostes socialistas madeirenses, onde se considerou que a liderança regional de Carlos Pereira estava a ser descaradamente ultrapassada.

É precisamente esse namoro inopinado que o cartoon de Hélder procura, humoristicamente, reflectir. A intenção de negociar o apoio do JPP à candidatura de Paulo Cafôfo ao município do Funchal, não apresentando candidato próprio, terá sido o motor do almoço entre António Costa e Filipe Sousa. Um almoço por causa do qual o primeiro-ministro e líder socialista terá recusado outros convites, inclusive do representante da República, Ireneu Barreto. Jaime Leandro apresentou a Carlos Pereira a sua demissão “irrevogável” (termo que ficou famoso na boca de Paulo Portas) e outros sectores do partido criticaram a definição de estratégias por lideranças socialistas exteriores à Madeira.

Curioso, também, é que ao ouvir falar deste almoço, o Funchal Notícias procurou confirmá-lo junto de Élvio Sousa, irmão de Filipe Sousa e destacada figura do JPP. Este porém, a demonstrar o resultado do amadurecimento da sua prática política, desmentiu o encontro com a placidez característica da personagem Sir Humphrey da série ‘Yes, Minister’ e disse-nos mesmo que já não falava há algum tempo com Filipe Sousa. Porém, prometeu que se soubesse que tal encontro iria acontecer nos diria algo. Até hoje…

Digam o que disserem, inclusive que o JPP não tem coragem de avançar com candidaturas em municípios mais desafiantes como o do Funchal, a verdade é que este partido tem aprofundado muito o seu conhecimento da realpolitik. Quem acha o contrário é mesmo ingénuo… Neste imbróglio já não há virgens…