Madeira prepara grande exposição em Lisboa, no Museu Nacional de Arte Antiga

(Luís Rocha e Rui Marote, em Lisboa)

Fotos: Rui Marote

A Madeira está a preparar uma grande exposição com o Museu Nacional de Arte Antiga,  para apresentar em Lisboa a riqueza artística existente nas instituições museológicas da Região. Isso mesmo foi avançado hoje ao Funchal Notícias pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, no final de uma visita ao MNAA, também conhecido como Museu das Janelas Verdes, e na qual foi acompanhado pelo secretário regional da Economia, Turismo e Cultura,  Eduardo Jesus, pela directora regional dos Assuntos Culturais,  Natércia Xavier, pelo director de Serviços de Museus e Património da DRC,  Francisco Clode de Sousa, e pelo director do Museu Nacional de Arte Antiga,  Filipe Pimentel, entre outros responsáveis.


Conforme explicou ao FN Miguel Albuquerque, “nós vamos iniciar – aliás já iniciámos – uma cooperação com um conjunto de museus, e em particular com o MNAA, porque a Madeira tem neste momento um conjunto de obras muito significativas e importantes da história quer da Região, quer da expansão portuguesa, e nesse acervo, possuímos obras extremamente relevantes na história europeia e na história de Portugal. Algumas delas resultaram das aquisições que temos levado a efeito nos últimos anos, e que têm sido muito importantes”.


O presidente é contra a perspectiva,  que considera miserabilista e pouco fundamentada, de que não se devem adquirir obras de arte em alturas de crise económica porque, dizem os críticos, tal verba deveria ser usada na área da saúde, por exemplo. Para Albuquerque, há que aproveitar as oportunidades de aquisição de trabalhos artísticos relevantes para a Madeira quando a ocasião se proporciona. E essas aquisições traduzem-se posteriormente em mais-valias inequívocas que são,  inclusive,  capitalizáveis económica e turisticamente.
No Museu Nacional de Arte Antiga, na Rua das Janelas Verdes, está actualmente em exposição, há cerca de três meses, uma obra emprestada pela Madeira, proveniente do acervo do Museu Quinta das Cruzes. Trata-se de uma obra de François Duchatel, “Retrato de D. Francisco de Moura Corte Real, terceiro Marquês de Castelo Rodrigo, uma pintura a óleo sobre tela datada de cerca de 1664.


A mesma, segundo o chefe do Executivo madeirense,  foi adquirida há poucos anos pelo Governo Regional da Madeira, mas a verdade é que,  como o FN pôde constatar,  encontra-se em grande destaque numa secção do Museu onde presentemente há um espaço dedicado a Duchatel.
“Vamos continuar a colaborar com o MNAA, até porque temos no Museu de Arte Sacra um espólio único de pintura flamenga, dos melhores a nível nacional e mundial”, disse-nos Albuquerque.


A intenção do Governo Regional é realizar uma grande exposição, provavelmente não ainda este ano, mas num futuro breve, que coloque em evidência a riqueza patrimonial da Madeira e a dê a conhecer a nacionais e estrangeiros, e que replique, de algum modo, o impacto que teve a anterior exposição “Obras de Referência dos Museus da Madeira”, que se realizou no Palácio da Ajuda há alguns anos, e que se traduziu em grande retorno a nível de projecção cultural da Madeira no país e não só. Neste momento, o Governo não está ainda em condições de avançar com datas, até porque um evento deste tipo tem de ser muito bem preparado, mas há a definitiva intenção de assinalar os 600 anos da descoberta da Madeira com uma grande mostra do acervo das instituições museológicas madeirenses, e também pertencentes a coleccionadores particulares, que também os há de relevo na Região, sublinha Francisco Clode.


“Vamos seleccionar as obras, fazer os catálogos… tem de ser tudo com tempo”, salienta Miguel Albuquerque. “A ideia é fazer uma exposição de excelência aqui em Lisboa”, reafirmou, “do melhor que temos”. Obviamente que isso implica um trabalho complexo a nível da selecção de obras,  dos seguros, e depende também  da programação do Museu de Arte Antiga. “Estamos a trabalhar nisso, e vai ser, penso, uma das maiores amostragens do acervo da Madeira no continente”. A ideia passa também por potencializar a Madeira enquanto destino turístico cultural, e mostrar a riqueza do nosso espólio relacionado com a expansão portuguesa -até porque o Funchal foi a primeira cidade resultante dessa expansão.

Miguel Albuquerque diz que a riqueza do espólio madeirense não se esgota aí: “Temos dos melhores coleccionadores, a nível nacional, por exemplo, de China, e pensamos que podemos trabalhar para além do acervo que temos para além da arte flamenga”.

O presidente do Governo da Madeira efectuou, na companhia das outras entidades já referidas, uma longa visita esta manhã ao MNAA, onde observou,  inclusive, a magnífica exposição “A Cidade Global – Lisboa no Renascimento”, na qual um quadro, em particular,  tem suscitado polémica. Trata-se da pintura “A Rua Nova dos Mercadores”, uma peça central da mostra que foi inaugurada pelo Ministro da Cultura. A peça levantou polémica entre historiadores de arte, alguns dos quais consideram que o quadro, que representa a Lisboa do século XVI, é na realidade uma falsificação, forjada no século XX. O quadro é visto como uma continuação de outro, “Chafariz D’El Rei’, que foi comprado pelo coleccionador madeirense Joe Berardo.

Albuquerque apreciou também no MNAA o famoso tríptico de Hieronymus Bosch que constitui uma das jóias da colecção do Museu.