Crónica Urbana: Sete anos depois do 20 de Fevereiro de 2010, ainda há histórias a contar

 

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Rui Marote

É incrível: decorridos sete anos da tragédia do 20 de Fevereiro de 2010, que continua
nas mentes dos madeirenses, ainda há histórias a contar.

No número 12 da Rua Brito Câmara, as residências do moradores, os consultórios e os escritórios em diversos andares continuam com um elevador avariado desde essa data.
O edifício tem condomínio formado, mas até à data de hoje nunca entrou em funcionamento.

O proprietário ainda assume as despesas de limpeza e manutenção de toda a área.

Os inquilinos nunca pagaram condomínio até a presente data. O elevador paralisado é de uma excelente marca suíça. Mas tudo o que os prejudicados sabem é só que “não há peças”.

Nem acreditei: sete anos sem funcionar… estamos mesmo num país africano.

Como tenho sempre uma história a contar, ou recordar a propósito uma viagem oficial que fiz a Maputo, onde vivi durante oito anos, a acompanhar uma visita do dr. Alberto João.
Num intervalo do trabalho, tive curiosidade em visitar o edifício onde vivi na baixa da ex -cidade de Lourenço Marques. Ao chegar ao local, com certo receio, aguardei a chegada de um morador para utilizar o elevador ao mesmo tempo.

Ao entrar vi o homem puxar do bolso uma lâmpada, que colocou no suporte. Fez-se luz. O meu companheiro de cabine marcou então o quarto andar e eu o sétimo. Ao chegar ao primeiro destino, o homem desatarrachou a lâmpada e saiu… e a partir daqui viajei às escuras.

Conclusão : cada morador, em princípio, teria uma lâmpada para utilizar no elevador. É que se por ventura alguém se esquecesse da lâmpada no suporte, num abrir e fechar de olhos desapareceria. Aqui fica uma história real…

Entretanto, não estamos propriamente a falar de um prédio algures em África: o tema desta crónica é um edifício cinco estrelas na área nobre do Funchal. Não se trata do bairro das Malvinas, muito menos da Nazaré. Sete anos sem elevador é mais do dobro do tempo do que o centro comercial La Vie, antigo Dolce Vita, demorou a ser construído.