Realizador quer levar “O Feiticeiro da Calheta” às comunidades madeirenses

(Foto Carlos Freira)
(Foto Carlos Freira)

O filme “O Feiticeiro da Calheta”, prestes a ser exibido na Madeira, poderá vir a ser apresentado em salas de cinema do continente e junto da diáspora madeirense. O anúncio foi feito ao final da tarde desta sexta feira pelo próprio realizador, durante a apresentação do projeto. A longa-metragem conta com 400 elementos, entre atores e figurantes. O ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, encarna a personagem de um pastor.

Em pouco mais de hora e meia, “O Feiticeiro da Calheta” conta a história do poeta popular João Gomes de Sousa e ao mesmo tempo retrata todo o drama e até algumas singularidades hilariantes do quotidiano tão próprio e genuíno de uma Madeira rural dos anos 40 e 50 do século passado.

Trata-se de um filme que ultrapassa a vida do homem que ficou conhecido por ser o autor do “Bailinho da Madeira” e dinamizador da primeira Festa da Vindima, para retratar a Madeira, as suas gentes e o património natural da ilha.

“É um filme que vai marcar o cinema na Região”, garantiu esta sexta-feira Luís Miguel Jardim, ao referir-se àquela que é a sua primeira produção independente e que estará em exibição ao público durante mais de um mês, a partir de 10 de março, no Funchal, Calheta, Ponta do Sol e Machico.

O realizador madeirense falava durante a apresentação da longa-metragem, no Design Centre Nini Andrade Silva, perante uma plateia de composta por elementos do elenco e convidados, entre eles o presidente da Câmara Municipal da Calheta, uma das entidades patrocinadoras do projeto.

(Foto Carlos Freira)
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Antes da apresentação realizada por Fátima Marques, também ela uma das protagonistas do filme, o realizador falou aos jornalistas. Mostrou-se confiante no sucesso de “O Feiticeiro da Calheta”, graças em grande parte ao argumento e à fotografia que enaltece a beleza das paisagens da ilha. Em vésperas de apresentação pública – antestreia no MUDAS Calheta a 3 de março e estreia a 5 no Centro de Congressos da Madeira -, Luís Jardim espera que o projeto ganhe dimensão fora de portas.

A exibição em salas de cinema nacionais foi já abordada com a Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, no sentido de ser estabelecida uma parceria com o Ministério da Cultura. A ideia poderá eventualmente passar pela exibição da película no Centro Cultural de Belém ou na cidade do Porto.

A diáspora madeirense é igualmente um público desejado para “O Feiticeiro da Calheta”. “Esse é o nosso grande desejo”, admitiu o realizador madeirense que avançou ter uma reunião preparada com Sérgio Marques, o titular da pasta da emigração, no sentido de agilizar o processo.

(Foto Carlos Freira)
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A rodagem e pós-produção de “O Feiticeiro da Calheta” durou um ano e sete meses e envolveu mais de 400 pessoas, entre atores, figurantes e técnicos. As filmagens aconteceram na sua maioria nas serras da Calheta, no Fanal, na Ribeira da Janela e na Ponta do Pargo. Muitas horas, muito compromisso e muita “carolice” de toda a equipa, o que “aliviou” os custos de um projeto maioritariamente apoiado pela autarquia da Calheta e Direção Regional da Cultura.

“Por exemplo, não equacionei o aluguer das câmaras, do equipamento e da banda sonora porque houve muita carolice. Num orçamento real, os gastos seriam muitos. Devo dizer que há despesas que são suportadas pelos próprios atores e por mim também”.

Satisfeito por ter chegado ao fim num projeto que dá prioridade aos afetos e à imaginação, Luís Miguel Jardim perspetiva novos trabalhos em regime de produção independente. “Quero continuar nas “longas”. Quero filmar a emigração, anos 20/30 do século passado, que é algo que me fascina. Filmes de época, sobretudo. Espero que este “Feiticeiro” me ajude a abrir portas de financiamento para outros patamares”.

(Foto Carlos Freira)
(Foto Carlos Freira)

O filme tem antestreia marcada para 3 de março, no Museu de Arte Contemporânea da Madeira, na Calheta. A 5 de março será a estreia no Centro de Congressos da Madeira, no Funchal. Uma sessão novamente só para convidados e na qual Alberto João Jardim, um dos elementos do elenco, estará presente, conforme garantiu o realizador.

As exibições ao público começam no Centro de Congressos do Casino, a 10, 11 e 12 de março. No Museu da Calheta MUDAS ficará de 17 a 26 de março, e no Centro Cultural John dos Passos será exibido de 6 a 8 de abril. Está também prevista uma passagem pelo Fórum de Machico. Os bilhetes terão um custo de 5 euros.

A personagem de João Gomes de Sousa, a figura central do filme, é interpretada por Francisco Lobo Faria. João Augusto Abreu, que também participa como ator representando um senhorio, assina a banda sonora original do filme.

Para além de Jardim no papel de pastor, o elenco conta ainda com a participação de figuras públicas convidadas, como é o caso de Ireneu Barreto, o atual representante da República, que fará de governador, e de João Carlos Abreu, antigo secretário regional do Turismo, na pele de um barbeiro. Carlos Lélis, ex-deputado social democrata, e a designer Nini Andrade Silva experimentam também a sétima arte.

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“O Feiticeiro da Calheta” é a primeira produção independente de Luís Miguel Jardim, que conta no seu currículo com outros títulos: “Águas”, “O miradouro do mar” (através do Clube de Cinema da Escola Secundária Jaime Moniz), “Liceu:  uma escola, muitas vidas” e ainda “Histórias.


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