O ser humano é um ser comunicador por natureza. E pelo facto de sermos sociais necessitamos, constantemente, da comunicação para opinarmos, trocarmos informações, questionarmos e expressarmos os nossos sentimentos e ideias, a favor ou contra, sobre de tudo aquilo que nos rodeia.
Somos seres iminentemente sociais, porque queremos viver em grupos, ter amigos para conversar, dialogar, e até opinar com diferentes pensamentos estruturados. Assim, desenvolver a capacidade de opinião é uma importante necessidade humana. Para isso, utilizamos a expressão verbal, corporal, escrita, os gestos, as imagens, os sons, as cores ou mesmo o poder das artes.
De facto, podemos e devemos construir conhecimento a partir da opinião pessoal e coletiva. O ser humano tem e melhora a opinião de acordo com as suas ações e com a cultura que adquire no meio da sociedade. Com tantas opiniões a favor e algumas até divergentes, o nosso conhecimento, também, vai crescendo. Assim nos ensina a sabedoria popular: “quem conta um conto, acrescenta um ponto.” E como é hábito dizer, “a voz do povo é a voz de Deus”.
Obviamente que não temos que concordar com a totalidade – ou parte – dos conteúdos dos todos os artigos de opinião que lemos ou ouvimos. Temos no mínimo é que os respeitar. E respeitar não implica concordar. Muitas vezes as opiniões são divergentes, ou seja, as pessoas não têm – nem têm que ter –, a mesma opinião sobre o mesmo assunto. Mas a riqueza das opiniões está, exatamente, na sua diversidade e não na igualdade.
Efetivamente, gosto de ouvir, ler e até construir opiniões que levam à reflexão e não simplesmente por entretenimento puro e simples. Detesto também deparar-me com opiniões que são um autêntico blá-blá-blá, que só servem para encher chouriços e que não nos levam a lado nenhum.
Por vezes, reclama-se tanto que, há falta de massa crítica em algumas localidades, mas por outro lado, nem sempre se criam oportunidades suficientes para que as pessoas possam intervir. E quando intervêm são pouco valorizadas. No entanto, enquanto tivermos sentido crítico devemos emitir a nossa opinião junto das comunidades onde estamos inseridos. Pois o valor da opinião, livre e sincera, enobrece e embeleza a vida de cada cidadão.
Da minha parte, há mais de um ano que venho a escrever, mensalmente um artigo de opinião que é publicado no Funchal Notícias, no qual procuro dar um contributo sincero sobre assuntos que me interessam, nomeadamente, relacionados com a área da arte e da cultura. Colaboro com a minha opinião de forma livre e consciente, porque sei que também evoluo culturalmente com as pesquisas, com as interpretações e com as retroações.
E nunca se esqueçam que todas as opiniões com fundamento contam. A opinião além, como é óbvio, de contribuir para desenvolvermos o nosso lado crítico e criativo, é um excelente instrumento para a exploração do mundo e serve igualmente para ampliar os nossos horizontes. Ter e construir opiniões é um excelente contributo para a formação pessoal, social e cultural do indivíduo inserido na sociedade.
Evidentemente que a arte da opinião, não deve ser um simples despejar de palavras vazias, sem um nico de pensamento. A arte da opinião, deve ser algo que sirva para a troca democrática de ideias e debates, que nos faça comunicar e conhecer melhor o mundo que nos cerca e que queremos que seja cada vez melhor. Ter opinião e transmitir com inteligência, palavras que contribuam para a criatividade e o conhecimento, faz parte da arte de viver melhor. Devemos expor o nosso ponto de vista, e sustentá-lo através de informações coerentes e admissíveis. Por isso, “é preciso aprender a buscar a própria palavra, como quem busca a própria identidade”. Fonte: http://www.guiarh.com.br/p84.htm.
O ter a capacidade de criar opiniões faz de nós seres humanos autónomos, democráticos, uma vez que expressamos os nossos sentimentos, saberes, de forma livre e responsável, acerca da realidade que nos rodeia. É bom que se saiba que “não há opiniões interditas, no sentido de se proibirem opiniões diferentes de uma certa «verdade» acolhida e protegida pelo Estado. No entanto, a expressão de uma opinião pode ser ilícita, se ofender outros direitos ou interesses dignos de proteção.” Fonte: http://www.direitosedeveres.pt/.
O dar uma opinião é um ato livre, pois apresentar uma visão crítica sobre um determinado assunto ou fazer uma apreciação oral ou escrita sobre os acontecimentos marcantes da atualidade, ou de uma outra época qualquer, é contribuir para uma sociedade mais participada, mais esclarecida e mais inclusiva. Por isso, dê a sua opinião sobre as situações que nos movem e provoque o debate sem esperar agradar a gregos e a troianos.
O importante é lutarmos por uma sociedade mais aberta ao diálogo e ao conhecimento, pois, como sabemos, quanto mais cultas e melhor formadas são pessoas, mais justa será a vida de cada um.
Vamos lá, então, todos, pensar fora da caixa, pensar e opinar, com cabeça, tronco e membros, sobre as coisas que nos agitam. Mencionando, parte de uma poema, do nosso grande poeta Fernando Pessoa: “Que ideia tenho eu das coisas?/ Que opinião tenho sobre as causas e os efeitos?/ Que tenho eu meditado sobre Deus e a alma / E sobre a criação do Mundo?”
Embora, alguns acham que opinar sobre determinados temas é intrometer-se na vida alheia, não nos devemos limitar a ver a vida, simplesmente, como ela é, ficando mergulhados no silêncio. Importa mesmo, impor a nossa opinião.
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