
Actualmente e com a crise as juntas de freguesia desempenham, cada vez mais, um papel de proximidade junto da comunidade e de apoio a muitas famílias que passam por dificuldades financeiras.
Por tudo e país e também na Região, as juntas são em alguns casos uma ajuda preciosa de apoio e de sobrevivência de agregados familiares.

O dinheiro não abunda em nenhum lado e as juntas de freguesia também não recebem muito mas com parcos recursos conseguem fazer muita coisa. Exemplo disso é a Junta de Freguesia de São Pedro, no Funchal, que apoia, actualmente, cerca de 75 famílias carenciadas.
Este número foi revelado ao Funchal Notícias por António Gomes, presidente da Junta de Freguesia de São Pedro. O autarca admitiu que existem muitas pessoas carenciadas em São Pedro e que o número aumentou, consideravelmente, desde que chegou à junta há três anos e meio. “O antigo executivo já apoiava cerca de 35 famílias. Há dois anos esse número subiu para 50, depois para 65 e no final do ano passado estávamos a apoiar 75 famílias. É um esforço bastante grande que nós fazemos. No Natal conseguimos apoiar mais algumas famílias, à volta de 150 famílias com um cabaz. Durante o ano vamos fazendo o que podemos e este ano vamos continuar a dar apoio a 75 agregados familiares”, declarou.

Acrescentando, que a Junta de São Pedro optou por criar cabazes no valor de 25 euros que são posteriormente dados em cartão de supermercado, “porque desta forma as famílias têm a hipótese, não sou de comprar alimentos, como também podem optar por produtos de higiene ou outros produtos, com excepção de bebidas alcoólicas. Depois de feitas as compras a pessoa tem de entregar o talão de compra, para comprovar que não comprou bebidas alcoólicas”, explicou. A crise e o desemprego estão na origem deste crescimento, mas também os idosos com reformas baixas são “obrigados” a pedir ajuda.
António Gomes queria poder fazer mais, mas o orçamento da junta não dá para tudo. Com os cerca de 70 mil euros que recebe do Fundo de Financiamento de Freguesias (FFF), verba do governo central, “ainda muito se consegue fazer na junta de São Pedro”, diz, fruto também da cooperação e boa vontade das pessoas.

Sobre o orçamento da Junta de Freguesia de São Pedro, o presidente disse que cerca de 70 mil euros vem do FFF e há uma outra verba, dada pela Câmara do Funchal ao abrigo de um contrato-programa, tecnicamente definido como acordo de execução, que ronda também os 70 mil euros.
É com cerca de 140 mil euros anuais que a junta liderada por António Gomes, apoia famílias carenciadas, faz obras de recuperação de becos, levadas, varandins, logradouros e manutenção de alguns jardins da freguesia.

A referida verba serve ainda para a gestão e despesas de funcionamento da junta, nomeadamente, com funcionários, e também há o apoio às cresces e escolas do primeiro ciclo de São Pedro e à manutenção das tradições, nomeadamente, com as Marchas de São Pedro e São João, a criação da festa do Bolo de Mel na Rua da Carreira, o manter viva a tradição de algumas procissões na Igreja de São Pedro.
“O papel da junta é também arranjar uma pedra junto ao logradouro, uma calçada. Nós fazemos essas pequenas obras. Tudo o que é a manutenção de veredas e becos, colocar os varadins, tapar um buraco num beco, cimentar um beco, arranjar uma levada.
No acordo de execução também está circunscrito a manutenção de alguns jardins da freguesia, e é dentro destas áreas que também actuamos”, esclareceu. Tentamos também manter vivas algumas tradições da freguesia, como por exemplo, no ano passado apoiamos a festa e procissão de São Pedro, que já não acontecia há cerca de 15 anos”.
São Pedro tem mais de 200 casas devolutas

Para além do crescimento do número de famílias carenciadas, outra das preocupações de António Gomes, é o aumento do número de casas devolutas na freguesia, uma situação, que parece não ter fim à vista. “É um grande problema que nós temos nesta freguesia as casas abandonadas, casas devolutas onde já não vive ninguém e que estão vetadas ao abandono. Temos cerca de 200 casas devolutas. Em alguns casos as pessoas saíram porque o telhado caiu e não há condições de habitabilidade. Há também o problema da formiga branca nos telhados e paredes, isto são edifícios muito antigos e os proprietários já têm uma certa idade e muitas vezes a opção é sair por segurança”, explicou.

Questionado sobre uma possível solução para o problemas das casas devolutas nesta zona histórica, António Gomes aponta uma possibilidade, “uma maior aposta no turismo, como a criação de roteiros, novos pontos de interesse, uma revitalização de toda esta zona histórica, com a recuperação dos prédios, traria com certeza uma nova dinâmica à zona histórica de São Pedro, com mais comércio, mais turistas e mais pessoas a procurar casa”, frisou.
Esta recuperação dos prédios devolutos teria de ser concertada entre proprietários, câmara municipal e Governo Regional, defende o autarca que será recandidato à junta de freguesia de São Pedro nas Eleições Autárquicas deste ano.
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