
A aquisição pelo Governo Regional da obra de arte da autoria do pintor russo Karl Briullov, para criar o Museu do Romantismo, no Monte, está a desencadear algumas reações críticas por parte do público atento às questões da cultura e da defesa do património. Apesar de haver quem publicamente discuta as prioridades deste governo, que investe 171 mil euros na compra de uma pintura quando haveria necessidades mais urgentes, a verdade é que nem é esta a principal crítica que é feita à tutela, neste caso a Secretaria Regional da Economia, Turismo e Cultura, mais precisamente à DRC-Direção Regional de Cultura que tem o processo nas mãos. O que tem sido questionado junto do FN é “a inexistência de uma comissão idónea, formada por diversos peritos na matéria (arqueólogos, historiadores, arquitetos, antiquários, entre outros) para se pronunciar e acompanhar todo o processo de compra de obras de arte pela Região, desta e de outras do passado e do presente, bem como a sua fundamentação em relatório que deveria ser de consulta pública”.
O que tem acontecido até à data, segundo apurou o FN, é que tudo costuma ficar normalmente nas mãos do atual diretor de serviços de Museu e Património, Francisco Clode de Sousa, há largos anos na DRC, e que é o rosto e o intermediário do Executivo regional na aquisição destes bens, ao longo dos últimos anos. Assim aconteceu com a aquisição do quadro de Karl Briullov. Segundo o FN confirmou junto de um dos administradores da Leiloeira Renascimento-Avaliações e Leilões SA, em Lisboa, o famoso quadro do médico António da Silva, foi adquirido diretamente a esta galeria, tendo os contactos sido estabelecidos por Francisco Clode de Sousa. Um nome que é conhecido e considerado na Região, mas que importa juntar outros especialistas na matéria, “em nome da transparência na aquisição de bens públicos de montantes elevados e de valor cultural importante para as gerações vindouras”.
Em termos da importância deste quadro, adquirido por 171 mil euros, ninguém questiona o valor nem a qualidade da obra, considerada segundo um dos administradores da Leiloeira, José Pedro Pereira, a melhor pintura russa do romantismo da época, século XIX, que foi entregue para leilão por uma família com ligações à Madeira. A leiloeira não divulga o nome da família mas o FN soube, em Lisboa, que se tratava da família Bettencourt da Câmara Ramalho Ortigão.
Em sinal de gratidão, o pintor russo elaborou o retrato do seu médico, António Alves da Silva, que o tratou nos dois anos que esteve na Madeira (1849-1850). O significado cultural, a riqueza do quadro e o que ele significa para a Madeira em termos de universo romântico e de ilha virada para o turismo terapêutico no século XIX, são argumentos válidos para justificarem a compra. Ninguém duvida que o Museu do Romantismo ficará bem apetrechado com o referido quadro.
A discussão reside em torno de, “em nome da transparência na aquisição de obras de montantes elevados, normalmente adquiridas no exterior, ser acompanhada não por um único especialista – independentemente do seu valor – mas por uma comissão idónea, como existe em qualquer parte do mundo”.
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