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1 – Forçados a reconhecer a contragosto que as eleições legislativas se destinam a eleger deputados e não o primeiro ministro, e que a formação do Governo depende da correlação de forças existente na Assembleia da República; o primeiro ano da governação do PS de António Costa, viabilizada pela esquerda parlamentar, foi assinalada com muito fel pela grande maioria dos órgãos da comunicação social, que também com bastantes amargos de boca perderam a ilusão de ser a União Europeia a cortar as pernas ao executivo.
Naquelas circunstâncias, a maioria dos jornalistas e fazedores da opinião pública, bandeados com a direita predadora e neoliberal, alimentaram o vaticínio da eminente possibilidade da “esquerda radical”, que é como apelidavam o PCP, o BE e os Verdes, “tirar o tapete” ao Governo; enquanto o inefável Passos Coelho, encabeçando esse jogo de futurologia macabra, vaticinava que as medidas governamentais de reposição dos direitos e rendimentos saqueados, determinaria um tsunami, que aceleraria essa eminente queda do Governo a que chamavam “geringonça”.
Como no fim do ano todas essas previsões de catástrofe económica, política e social não se confirmaram, e o Governo respira saúde, essa gente que destila fel, passou a rotular como tendo sido “habilidades” essas medidas de reposição de rendimentos e direitos, que antes apresentavam como susceptíveis de provocar grandes abalos na economia e nas finanças nacionais; e a insinuar que a reposição dos feriados roubados, o aumento das pensões de milhares de reformados e pensionistas, e a eliminação da sobretaxa do IRS, que os constrangimentos da submissão ao euro e ao Tratado Orçamental não permitiram ir mais longe, não passam de “trocos” para enganar papalvos e a pensar nas eleições autárquicas.
Ora, este desprezo pelas condições de vida de milhões de portugueses é miserável e roça o abjecto, pois bem sabem que quanto aos feriados o que verdadeiramente estava em causa era trabalhar sem receber, e o que chamam “trocos”, além de reverter as criminosas politicas de espoliação dos governos da direita, embora sendo pouco, tanta falta faz a quem pouco tem e vive com grandes sacrifícios e carências de toda a ordem.
2- Depois de um longo processo preparatório, com a realização de milhares de reuniões em todo o País para discutir as “teses”, e com a recolha de cerca de dois mil propostas de alteração, decorreu em Almada nos primeiros dias de Dezembro, o XX Congresso do “Partido Comunista Português”, realizado num momento de grande complexidade e exigência da situação política nacional e internacional, marcada com o crescimento do populismo, o triunfo do Brexitt na Inglaterra, a eleição de Trump nos EUA, e o grande avanço da extrema-direita em França.
Durante o Congresso, que contou com a presença de 62 delegações estrangeiras, incluindo a de países agredidos e ameaçados, como Cuba, Síria, Palestina e Ucrânia, intervieram dezenas de delegados vindos de todas as Regiões do País, representando a totalidade das profissões, e ainda intelectuais, pequenos comerciantes, mulheres, jovens, reformados e pessoas com deficiência, que analisaram os problemas reais da vida nos seus sectores e nas suas regiões, a política económica e social, a saúde, a educação, a cultura, e também a problemática da produção, da soberania nacional e do reforço da luta para romper com os bloqueios e constrangimentos do colete de forças do euro, e encetar a construção duma alternativa patriótica e de esquerda.
Perante o ambiente de grande unidade, determinação, confiança, e face ao funcionamento profundamente democrático e a afirmação da sua identidade de partido dos trabalhadores e do povo, completamente independente do grande capital; a maioria dos fazedores de opinião bandeados com a direita capitalista e neoliberal, esforçaram-se por inventar as costumadas intrigas e insanáveis contradições e divergências, numa ridícula e desesperada tentativa de branquear o projeto e o ideal do PCP de defesa intransigente dos interesses do País e dos portugueses, bem como do objectivo supremo de lutar por uma sociedade liberta da opressão e da exploração do homem pelo homem.
O “Partido Comunista Português” saiu deste Congresso mais forte e preparado para os novos desafios e batalhas que tem pela frente, nomeadamente para desenvolver a luta pelo aumento do salário mínimo para os 600 euros, e para as ações reivindicativas em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, pelo combate contra a precariedade, pela defesa e valorização das funções sociais do Estado, pela renegociação da monstruosa dívida pública, pela produção, pelo emprego, e pela libertação da submissão ao euro, e reforço da soberania nacional.
Saiu também mais consciente da necessidade de prosseguir a construção da convergência com democratas, progressistas e patriotas; sem deixar de afirmar a sua identidade comunista, alicerçada na ruptura com a política de direita seguida nas últimas quatro décadas, não regateando esforços para afirmar a sua posição de partido internacionalista, firmemente empenhado na afirmação do seu programa e projeto de luta por uma democracia avançada, assente nos valores de Abril para o futuro de Portugal, e tendo como horizonte o socialismo e o comunismo, com democracia política participativa, económica, social e cultural.
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