Fotos: Rui Marote
É já hoje, ao meio-dia (17 horas na Madeira) que um dos mais polémicos, senão o mais polémico presidente norte-americano, toma posse. Donald Trump ainda não tem nem um dia no cargo e já é ferozmente criticado, levando mesmo muita gente a temer até o pior, incluindo uma terceira guerra mundial. Tanto pessimismo é justificado pela personalidade obnóxia do milionário, que chocou o público durante a campanha eleitoral ao fazer as mais polémicas declarações. Entre elas, a consideração de que os muçulmanos deveriam ser impedidos de viajar para os EUA, de que os emigrantes, principalmente os mexicanos, são criminosos e nefastos e de que se deveria construir um muro separando os Estados Unidos do México, ou a famosa tirada de que se Ivanka Trump não fosse sua filha, ele provavelmente estaria a andar com ela.

A isto vêm somar-se muitas outras declarações e atitudes estrambólicas, por entre assumidas posições xenófobas, misóginas, intolerantes e muito pouco científicas. Preocupa, por exemplo, que numa época em que as alterações climáticas são já um dado adquirido entre a comunidade científica, Donald Trump venha dizer que considera o aquecimento global uma falácia. Por outro lado, no campo da diplomacia internacional, o consulado de Trump promete ser um desastre: as relações com a China, uma superpotência emergente, já começaram a deteriorar-se, o proteccionismo mercantil que o presidente eleito diz pretender implementar teria consequências de vulto à escala global e toda a polémica envolvendo a Rússia, com acusações de ingerência externa no processo eleitoral norte-americano, ainda deverá ser uma novela com muitos capítulos. Trump diz pretender melhorar as relações dos EUA com a Rússia, mas não falta quem veja uma maquiavélica mão ‘putiniana’ por detrás da eleição deste inusitado presidente de tez alaranjada e cabelo indescritível.

No ciberespaço, os ‘memes’ sucedem-se nas redes sociais, com fotos de George W. Bush a sorrir e a dizer que em breve não será o pior presidente que a América já teve, ou outros a gozar com a eleição de um populista xenófobo e autoritário: o que poderia possivelmente correr mal, interroga quem assina: o povo da Alemanha. Uma alusão indirecta a Adolf Hitler e uma mal disfarçada comparação de Trump com um ditador fascista e totalitário.

Seja como for, o mundo não tem agora outro remédio senão descobrir como será, com um milionário desbocado e algo alarve a governá-lo. O dia começará, para Trump, com a presença numa missa na igreja episcopal de St. John’s, perto da Casa Branca. Depois, o casal Donald e Melania Trump tomará o pequeno-almoço com o presidente cessante, Barack Obama, sendo ambos depois conduzidos em cortejo automóvel ao Capitólio; ali, às 9h30 locais (14h30 na Madeira) principiará uma cerimónia, com actuações musicais, seguindo-se, duas horas mais tarde, alguns discursos, com os juízes do Supremo Tribunal a ajuramentar Mike Pence, vice-presidente eleito dos EUA.


É ao meio-dia (17 horas na Madeira) que Donald Trump recitará o juramento de tomada de posse do cargo de presidente da nação mais poderosa do mundo, sob a orientação do juiz-presidente Roberts. Fará, então, o seu discurso inaugural. Entre as 15 e as 17 horas (das 20 às 22 horas na Madeira) Trump e Pence participarão numa parada de 2,4 quilómetros pela Pensylvannia Avenue, perante os olhares embevecidos dos apoiantes e as miradas revoltadas dos detractores. O dia terminará com a inauguração de três bailes, entre as 19 e as 23 horas (da meia-noite às quatro da manhã na Madeira).

O centro de Washington, D.C. fervilhará de gente – e de segurança policial – durante o dia de hoje. Nesse sentido, escolhemos apresentar aqui algumas fotografias colhidas por Rui Marote naquela cidade norte-americana, onde se podem observar alguns dos principais locais que estarão em evidência. Nas imagens, colhidas há alguns anos, pode ver-se também o Museu dos Correios na capital, edifício entretanto adquirido por Trump, que o transformou num hotel internacional com o seu nome em evidência. Fica, curiosamente, a dois passos da Casa Branca, numa clara demonstração de que o poder financeiro e político caminham agora a par e passo nos Estados Unidos (se é que alguma vez não foi assim).

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