Cães dos sem-abrigo continuam a atacar gatos e a andar soltos e sem trela, mas a CMF exige aos outros munícipes registo, licença e vacinas

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São estes três cães das fotos os que se mostram regularmente agressivos para ciclistas, motociclistas, gatos e outros pequenos cães.

A 9 de Dezembro último, o FN alertou para o facto de três cães que costumam andar soltos, acompanhando os sem-abrigo no centro do Funchal, assumirem regularmente comportamentos agressivos para com pessoas e outros animais. Abordávamos a legislação vigente e perguntávamos o porquê de ninguém actuar. Desde então até agora nada aconteceu. A CMF nada fez, a GNR nada fez, nem nenhuma outra autoridade. Curiosamente, entretanto a CMF começou a contactar os munícipes alertando-os para a necessidade de respeitarem a lei relativamente à posse de animais domésticos e ameaçando-os de multa. Ou seja, há dois pesos e duas medidas.

Ontem à noite presenciámos esses mesmos cães a terem novamente comportamentos agressivos contra outros animais. Acompanhados dos seus donos aparentemente inimputáveis, os sem-abrigo, os cães voltaram, como já fizeram muitas outras vezes, a irromper pelos jardins da Escola Secundária Francisco Franco. Ali vivem alguns gatos vadios, poucos, que não incomodam ninguém e que são desde há anos alimentados por ex-funcionários daquele estabelecimento de ensino e por outras pessoas.

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O FN voltou a presenciar como os ditos sem-abrigo (que dada a sua situação de carência são frequentemente merecedores de todas as simpatias e desculpas) nada faziam para impedir os cães de, em grupo, entrarem nos jardins da Francisco Franco e perseguirem os gatos. Antes pelo contrário, ainda os incentivavam.

De facto, não é a primeira vez que os mesmos se divertem e atiçam os seus cães a matarem gatos. Já o fizeram pelo menos a dois destes pequenos felinos, de que temos conhecimento, em parques de estacionamento situados nas traseiras da Rua do Carmo. Os cães, como a 9 de Dezembro era referido numa Crónica Urbana do jornalista Rui Marote, também perseguem impunemente e em matilha ciclistas e motociclistas, colocando a sua segurança em perigo. Mas ninguém actua.

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Os folhetos contendo a legislação, que a CMF passou recentemente a distribuir aos munícipes, complementando o contacto directo.

O caricato é que, entretanto, a Câmara Municipal do Funchal começou a contactar os munícipes e a entregar-lhes folhetos com a legislação. Vejamos o que dizem os mesmos: “O detentor tem o dever especial de cuidar do seu animal de companhia (…) bem como de o vigiar, de forma a evitar que este ponha em risco a vida ou integridade física de outras pessoas ou animais”.

Também é referido que só pode ter cães e gatos quem tenha “boas condições” e “ausência de riscos higio-sanitários relativamente à conspurcação ambiental e doenças transmissíveis ao homem”. As pessoas respeitadoras da lei não podem possuir nos prédios urbanos mais de três cães ou quatro gatos adultos, não excedendo o total de 4 animais. Todos os cães têm de ter identificação electrónica.

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Circulação na via pública? Só pode ser feita com “uso de coleira ou peitoral com indicação do nome, morada ou telefone do detentor” e é “igualmente obrigatório o uso de açaime funcional, excepto se conduzido a trela”. Todos os cães com mais de 3 meses têm de ter a vacina anti-rábica em dia e registo e licença obrigatórios na Junta de Freguesia.

A CMF também adverte os munícipes de que “o incumprimento de cada uma destas normas constitui contra-ordenação punível com coima desde 25 euros a 3740 euros  ou 44890 euros, consoante o agente seja pessoa singular ou colectiva (Decreto-Lei nº 314/2003 de 17 de Dezembro).

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As exigências aos cidadãos, que os sem-abrigo não têm aparentemente de cumprir, perante a complacência das autoridades camarárias e policiais.

Questiona-se, pois, se a lei não é para todos, e como é que a edilidade funchalense pode exigir aos donos dos animais que a cumpram, quando as pessoas que escolhem viver na rua, mau grado os apoios sociais que lhes são concedidos – situação admitida pelo próprio presidente da Câmara do Funchal – podem ter os animais que entenderem e andar com eles sem coleira nem trela, fazendo as suas necessidades por todo o lado. E, ainda por cima, os “donos” regozijarem-se ao incentivá-los a atacar outros e indefesos animais.

Os cães costumam acompanhar os sem-abrigo à ‘Sopa do Cardoso’, na Rua do Frigorífico, sendo frequentemente vistos na Praça do Carmo, na Rua do Carmo, na Rua Fernão de Ornelas, perto do Mercado e em outras artérias do centro. Os sem-abrigo que andam com eles vão-se revezando a andarem com tais animais, deixam-nos fazer tudo e ainda ficam alterados se alguma pessoa se aborrece com o comportamento dos canídeos, conforme o FN já viu e reportou.

Interessante é estes cidadãos, para quem inclusive vão ser criados “cacifos” urbanos pelo presidente da CMF, Paulo Cafôfo (uma vez que este diz reconhecer o direito a estas pessoas a recusarem as ajudas que lhes são oferecidas e a viverem na rua, se assim o quiserem) não terem de cumprir a lei que é exigida aos restantes cidadãos, em matéria de segurança e higiene dos seus animais. Uma situação no mínimo curiosa e paradoxal.


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