Rui Marote
Continuamos a perder autonomia. A mesma só existe no papel. Os políticos continuam calados, surdos e mudos. Agora são os CTT que passam para a alçada directa operacional de Lisboa. Ficamos sem fundo de pensões e, em 2018, sem as instalações no edifício 2000, conforme avançou ontem o FN.
A TAP embrulha e desembrulha os madeirenses; os nossos governantes são marionetas nas negociações. Pagamos e desesperamos para receber o reembolso. É como a história de um pai que entrega ao filho os negócios, e passados anos, está tudo na falência.
Somos sonhadores: anunciamos um museu dos carros clássicos para um local que hoje é morada dos sem-abrigo. Outro museu vem a caminho: o do Romantismo, na Quinta do Monte, um edifício reduzido a escombros.
O Governo acaba de comprar um quadro no valor de 173 mil euros na Central de Compras do Estado, para um museu que ainda não existe. Não querendo ser irónico, esta verba dava para levantar as paredes e a cobertura do telhado. O Museu de Arte Contemporânea deixou o Forte de São Tiago, sendo transferido para o Centro das Artes Casa das Mudas, na Calheta, espaço que foi (re)inaugurado com pompa e circunstância. Um autocarro pintado a preceito todos os dias saía do Funchal para a Calheta, transportando turistas e residentes para visitar as obras de arte, com cartazes a anunciar a iniciativa que não teve porém êxito. O autocarro encerrou passados cerca de três meses. Quanto ao Mudas.Museu de Arte Contemporânea, continua hoje em dia sem director, aposentado desde o Verão passado…
Sociedades de Desenvolvimento
Entretanto, o Governo Regional acabou de fazer mais quatro empréstimos no valor de 38.843.961 euros às sociedades. Para a do Porto Santo vão 7.039.219,00 euros (não será para recuperar a destruição do Penedo do Sono) ; à Sociedade Metropolitana de Desenvolvimento são 11.307.018,00 (para destruir o projecto das Salinas em Câmara de Lobos); À da Zoina Oeste 11.498.183,00 (não será para a Marina do Lugar de Baixo) e à Sociedade de Desenvolvimento do Norte serão serão 8.999.541,00 (não será para destruir os ‘abortos’ dos contentores em São Vicente).
Tudo isto a título de empréstimo, para pagar quando? Jamais, nunca… É um autêntico saco roto.
Continuamos, e vamos continuar, de chapéu na mão, com chantagem, quer se queira quer não, dos senhores do Terreiro do Paço.
Se há alguém que merece uma estátua na Madeira não será o recentemente falecido Mário Soares, a quem chamaram de pai da Liberdade, mas sim António Guterres, que nos pagou a dívida duas vezes e colocou-nos a zeros.
Hoje continuamos endividados, sem anéis e já sem dedos.
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