CMF diz que vai pôr Gil Canha em tribunal por declarações difamatórias; em causa, a acusação de desviar verbas solidárias para fazer propaganda no DN

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Paulo Cafôfo não gostou que o deputado independente Gil Canha apontasse hoje o dedo, em plenário da Assembleia Legislativa Regional, aos valores que a autarquia tem gasto em publicidade e outras iniciativas no DN-Madeira. Muito menos que o parlamentar acusasse a autarquia de pôr de lesar eventuais cidadãos recipientes de verbas de solidariedade, as tais que Canha acusou Cafôfo de gastar com o matutino regional. Por isso, emitiu de imediato um comunicado destinado a esclarecer o assunto, acusando recorrer à justiça contra as declarações do deputado, que reputa de caluniosas.

Para a CMF, as afirmações proferidas e veiculadas nos meios de comunicação regionais são “gravemente atentatórias do bom nome, honra e dignidade do Município do Funchal, bem como da credibilidade da Instituição perante os particulares e empresas afetadas, perante todos aqueles que contribuíram para o mitigar da situação”. À edilidade, afirma, não resta outra alternativa senão proceder perante as instâncias judiciais criminais e cíveis competentes.

A CMF condenou, de forma veemente, as “graves acusações e mentiras grosseiras” de Gil Canha, segundo o qual o Município estaria a desviar verbas solidárias para fins de propaganda política.

Repudiando formalmente tais declarações “vergonhosas”, o gabinete da Presidência da CMF, numa nota de imprensa, diz que em Democracia não pode valer tudo e que se tem assistido nos últimos meses na Assembleia Legislativa Regional a acusações gratuitas, falsas e constantes à autarquia, sem possibilidade de qualquer contraditório.

A edilidade vem esclarecer que, “tal como já é do conhecimento público há alguns meses, foi aprovado um regulamento público para a distribuição dos donativos de pessoas e empresas à Conta Solidária do Município, criado no rescaldo imediato dos incêndios de agosto. A fórmula encontrada para ceder as verbas, e aprovada em Reunião de Câmara por unanimidade, passou por dividir o total de 170 mil euros em duas partes iguais: metade distribuída consoante a dimensão dos agregados familiares e outra metade consoante o seu rendimento per capita. O valor que serve de base para o cálculo do montante a atribuir a cada agregado familiar foi obtido com a divisão do valor pelo número total de 214 agregados afetados. Cada agregado receberá, assim, o valor correspondente ao seu rendimento per capita, acrescido do valor correspondente ao número de pessoas incluídas nesse mesmo agregado. Trata-se de um processo perfeitamente transparente, que já está em andamento e que vai assegurar a distribuição integral das verbas da Conta Solidária”, assegura a autarquia em comunicado.

A Câmara vem reiterar que o apoio aos funchalenses que sofreram com os incêndios do passado Verão é uma questão verdadeiramente sensível, que todos os colaboradores na autarquia levam muito a sério, e que a CMF está muito agradecida a todos aqueles que, de acordo com as suas possibilidades, muito ou pouco, quiseram ajudar.

“Não admitimos que esta questão se torne alvo de chicana eleitoral ou de qualquer jogo político baixo”, destaca.