![]()
Nesta época natalícia tão propícia aos festejos em família e entre amigos, mas também propensa a algum tempo de reflexão já que em vésperas do virar do ano, ano este de tanta mudança no nosso mundo, proponho-me refletir um pouco, ainda que de soslaio, sobre as ocorrências que qualifico de mais marcantes acontecidas em 2016, as quais merecem seguramente uma atenção especial por parte de todos nós.
Desde logo vem-me imediatamente à memória, na sequência dos atentados de Paris em novembro de 2015, o que aconteceu no aeroporto e no metro em Bruxelas no mês de março deste ano, o camião kamikaze em Nice a 14 de julho, já este mês a 10 do corrente no estádio do Besiktas em pleno centro de Istanbul, uma semana depois em Kayseri também na Turquia e já esta semana o assassinato do embaixador russo em Ancara e ainda o atentado no mesmo dia com um camião desencabrestado numa feira de natal em Berlim.
Em todos eles se registaram vítimas mortais e inúmeros feridos, cujo balanço global se cifra em cerca de 200 mortos e mais de quinhentas pessoas feridas, quase todos civis e isto apenas nos atentados que acima referencio. Todos estes atentados têm pelo menos dois pontos em comum: terrorismo e estado islâmico. Isto já para não falar na guerra civil da Síria que não para de vitimar civis entre os quais um sem número de crianças e que também possui como núcleo responsável o dito estado islâmico.
Recordo a continuação em 2016 do êxodo de 2015 para a Europa, mormente através da Itália, da Grécia e da Turquia, de um sem número de refugiados, a maioria com as suas famílias, homens, mulheres e crianças em busca de sossego e de uma vida melhor, mas quiçá também muitos infiltrados terroristas do chamado Daesh (estado islâmico), aproveitando-se da oportunidade para instalar-se entre nós e fazer-se explodir no meio de nós, destruindo-nos em massa em nome de uma causa, de um estilo de vida e de uma religião, quanto a mim, erradamente evocada pois que, na sua génese, jamais o Islão apregoaria o terror, o ódio, a destruição e a morte como veículos privilegiados da defesa intransigente dos seus objetivos e ideais.
Que dizer sobre o Brexit e a votação do referendo cujo resultado surpreendeu meio mundo no pretérito mês de junho? Que será desta nossa Europa comunitária sem a sua atual segunda maior economia, eterna e tradicional parceira de uma gigantesca economia norte americana cujo crescimento, como o seu e aliás o de toda a Europa salvo raras exceções, teima em arrancar para valores sustentáveis e permanece num nível mais propício à estagnação?
Acompanhei com maior ou menor emoção a evolução das eleições primárias nos Estados Unidos para a escolha dos candidatos às presidenciais e finalmente a eleição final do seu 45º presidente cujo vencedor terá também surpreendido totalmente muitos quantos se preocupam sobre quem, a nível da maior potência militar do mundo, tem a última palavra sobre as decisões que, em variadíssimos setores da nossa vida e não só o militar, a todos nos influencia! Que desaire! Mais uma vez, os resultados foram contra todas e quaisquer expetativas… Já para não falar das escolhas que tem feito para a sua equipa governamental que incluem, só para mencionar dois deles, homens de topo na hierarquia do Goldman Sachs! It sucks…
Que pensar acerca da proliferação em 2016 dos hackers (piratas) informáticos e dos seus ciberataques que, segundo parece comprovado ou estar em vias disso, terão atacado a mando das autoridades russas as bases da própria democracia americana e influenciado os votos dos mais de 125 milhões de americanos que votaram nas últimas presidenciais, entrado em bases de dados de gigantes informáticos como a Yahoo e o LinkedIn entre outros, extorquindo fundos e, ou contra, informação e dados pessoais privados de milhões de clientes cibernéticos a troco de que utilização ilegal seguramente pouco inocente? e não gratuita! Já nem tremo só pelo roubo da respetiva identidade ou a divulgação indevida, abusiva e em muitos casos humilhante da informação violada e dos fundos extorquidos, mas sim pelo sem fim de consequências nefastas que poderão resultar, financeiramente ou de outra natureza para os respetivos lesados. E fala-se que, eventualmente, se desconhece ainda os maiores golpes de pirataria efetuados este ano!?
Que dizer, se se vier a confirmar que os ataques informáticos aos centros de dados dos partidos democrata (aparentemente a principal vítima) e republicano dos EUA influenciaram mesmo as votações nos seus candidatos, e nesse mesmo sentido o terão feito aquando do roubo e fuga de milhares de mensagens de correio eletrónico que vieram recentemente a público, nomeadamente da candidata Clinton e do seu diretor de campanha, ridicularizando-os perante o mundo inteiro, tornando-os e a todos nós totalmente vulneráveis perante um inimigo, ou antes, milhares de piratas anónimos, sem face?
Por último, uma breve referência ao tempo, na sua dimensão meteorológica. Para já, o fenómeno do aquecimento global de que sofre o nosso planeta cuja evolução, apesar de ter vindo a ser cuidadosamente estudada e de ser pacificamente aceite como uma realidade por todos nós, não suscita ainda a devida mudança de hábitos e costumes da nossa dita “civilização ocidental”, a julgar pela atitude de vários governos de grandes países intitulados de “desenvolvidos” que são dos que mais prevaricam e desrespeitam os acordos internacionais que tentam, a todo o custo, reverter o referido fenómeno e reduzir as emissões prejudiciais de efluentes para a atmosfera. Em segundo lugar, não menos preocupante para nós habitantes desta ilha ainda paradisíaca, muito provavelmente como consequência do supracitado fenómeno de aquecimento global, registo as constantes e crescentes correntes atmosféricas (por momentos) ciclónicas e cruzadas que nos têm assolado, fazendo com que, cada vez mais ao longo do ano, o nosso aeroporto internacional tenho devido fechar ou, senão isso, sujeitado os voos com destino à ilha a aproveitar, em cada vez mais dias ao longo de todo o ano, de janelas de oportunidade cada vez menores de aproximação à pista sob a orientação competente da nossa torre de controlo. A situação presente não será certamente grave ou preocupante, mas afeta a viagem de muitos turistas que, em alguns desses casos acabam desistindo da sua visita a esta ilha que ostenta orgulhosamente o nome de pérola do Atlântico e o de jardim do Oceano.
Quanta mudança! Tanta incerteza e vulnerabilidade! Para onde caminha este nosso mundo, pergunto-me, às portas de 2017? Espero que o novo ano nos reserve inúmeras surpresas, mas pela positiva. Entretanto a isso faço votos, ao mesmo tempo em que, a todos nós desejo umas merecidas Boas Festas.
Descubra mais sobre Funchal Notícias
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.





