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Hoje em dia, existe claramente um desincentivo à poupança, uma vez que as taxas de juro de depósito a prazo nos bancos comerciais se encontram em mínimos históricos, muito próximos dos zero por cento. Isto acontece porque, com as taxas directoras do banco central europeu próximas de zero, os bancos comerciais não vêm necessidade, num futuro próximo, de aumentar as taxas de juros de depósitos para captar a poupança das famílias.
Face a esta situação, as famílias portuguesas não têm vantagens em depositar o seu dinheiro no banco, uma vez que, por vezes, os juros dos depósitos não chegam para cobrir as comissões retiradas pelos bancos, ficando os depositantes a perder com a sua decisão. Muitas pessoas começam, portanto, a pensar em investir em activos de maior risco, ou pura e simplesmente, pensam em retirar o seu dinheiro do banco e guardar em casa, o que para além de não ser seguro, retira valor ao dinheiro devido à inflação.
Contudo, há uma outra opção, talvez menos conhecida do público português, que é aplicar as poupanças em dívida pública. Para pessoas avessas ao risco e pouco conhecedoras dos diferentes activos financeiros disponibilizados no mercado, aplicar o dinheiro em instrumentos de dívida é uma opção viável e segura.
Os instrumentos de dívida constituem as várias formas que o governo tem à sua disponibilidade para emitir dívida pública, que consiste, essencialmente, na transação de títulos de dívida de um país nos mercados de títulos. O governo, normalmente, recorre à emissão de dívida pública, quando se encontra numa situação de défice orçamental, isto é, quando as receitas orçamentais não chegam para cobrir os gastos públicos (em educação, saúde, etc). Logo, a emissão de dívida pública é uma das maneiras que o estado tem para financiar o défice, uma vez que as contas nacionais têm de estar equilibradas no fim do ano. Basicamente, quem adquire dívida pública está a emprestar dinheiro ao país e, em contrapartida, recebe os juros desses empréstimos. No caso de Portugal, a emissão de dívida é feita pelo IGCP, que é organismo responsável pela gestão da tesouraria e da dívida pública portuguesa.
Existem no mercado português vários instrumentos de dívida como as obrigações de tesouro, bilhetes de tesouro, certificados de aforro, certificados de tesouro, etc., que variam entre si em maturidade, taxas de juro e riscos associados.
As obrigações de tesouro (OT) são o instrumento de dívida mais conhecido e mais utilizado pelo estado, constituem activos de médio ou longo prazo, que podem ir até aos cinquenta anos, e podem ser de rendimento fixo ou rendimento variável. Os certificados de tesouro poupança mais e os certificados de aforro são os instrumentos de dívida pública orientados especificamente para captar a poupança das famílias portuguesas. Estes instrumentos podem ser obtidos em algumas lojas CTT.
Considerando as alternativas apresentadas pelos bancos comerciais, com taxas de juro de depósito próximas a zero por cento, investir em instrumentos de dívida é um negócio muito atractivo. Por exemplo, no caso dos certificados de tesouro poupança mais, estes podem ser adquiridos por um montante mínimo de subscrição de mil euros, e apresentam taxas de juro anuais que vão desde os 1,25%, no primeiro ano, até aos 3,25%, no quinto ano.
Na minha opinião, actualmente, vale a pena emprestar o dinheiro ao estado uma vez que é vantajoso para as famílias, pois o risco é mínimo, se considerarmos que o país não entrará em incumprimento, e as taxas de juro anuais são superiores às oferecidas pelos bancos. Para além do mais, o país também beneficia por ter mais residentes nacionais detentores de dívida pública, uma vez que o dinheiro dos juros pagos pelo governo não sairá do país, como no caso das obrigações detidas por estrangeiros, fazendo-o circular na economia portuguesa através do consumo das famílias e como consequência voltará ao estado na forma de impostos, contribuindo para a riqueza nacional.
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