Natal, época da boa vontade… e da boa pedincha

pedincha

Rui Marote

Como se já não bastassem os nossos, o Funchal todos os anos, na quadra natalícia, transforma-se em destino de pedintes originários de países de Leste, em especial da Roménia. Trata-se de uma rede que coloca homens, mulheres e crianças portadoras de deficiência na via pública, com cartazes à vista e também cartões que distribuem pelos transeuntes, apelando à caridade.

Como aqui chegaram? Onde residem? Quem os coloca na praça pública? Toda esta investigação deveria ser feita logo aquando da sua aparição nos espaços públicos.
O Funchal Notícias sabe que alguns estão instalados em pensões no centro do Funchal. Em anteriores investigações jornalísticas na Região, anos atrás, a comunicação social local descobriu mesmo grupos destes imigrantes-pedintes instalados em apartamentos.
Fazem recurso a todas as formas de extorquir algumas moedas aos passantes, em cafés, restaurantes, paragens de autocarro e até no interior da Sé, em momentos em que decorre a celebração litúrgica.

pedincha
A situação dos sem-abrigo é complicada, mas muitos permanecem na rua por opção. Esta é a verdade.

Homens entregam um cartão com uma foto de crianças, acompanhadas por pequenos textos solicitando ajuda para cuidados médicos de supostas doenças incuráveis. As pessoas lêem o o texto e passados alguns segundos, o homem volta à abordagem, para recolher o respectivo cartão, mais a contribuição solicitada. Uma nova forma de angariar euros que já passou da via pública para o interior dos templos, fazendo concorrência às doações na altura do ofertório.

Tudo isto se passa numa cidade onde polícia e demais entidades competentes vão fechando os olhos a esta nova forma de pedincha.
Não estamos em Calcutá ou no Bangladesh: estamos numa cidade que se orgulha de ostentar o galardão de melhor destino insular do Mundo, conquistado nos World Travel Awards, e que a promoção turística fez questão de colocar nos cartazes publicitando as festas de fim-de-ano.

Na Sopa do Cardoso, todos os dias surgem os clientes do costume, acompanhados pelos seus cães que não precisam de trela nem coleira... não cumprem as regras como os outros
Na Sopa do Cardoso, todos os dias surgem os clientes do costume, acompanhados pelos seus cães que não precisam de trela nem coleira e que podem ladrar e atacar a quem quiserem… não cumprem as regras como os outros.

Já não bastava o problema com os nossos sem-abrigo, cuja solução brilhante descoberta pela CMF é colocar em certos pontos da cidade um cacifo para que possam guardar os seus utensílios. Será a nova “frasqueira” da cidade e esconderijo de drogas…

Quem não se lembra dos antigos albergues onde uma cama e um banho aguardavam os sem-abrigo para passarem a noite? E ainda os há, no centro de acolhimento nocturno da Associação dos Pobres, vulgo “Sopa do Cardoso”, que servem sem-abrigo e necessitados, mas exigem deles o respeito de algumas regras. Que nem todos estão dispostos a cumprir, preferindo pernoitar na rua, onde se podem embebedar à vontade.

Contava-nos ainda há dias um comerciante de uma loja de confecções: ofereci a um sem-abrigo roupa nova para mudar, já que tinha a indumentária muito degradada. Respondeu-me que não queria: “Se usar isso, ninguém me dá dinheiro”…

sem abrigo
A situação de sem-abrigo é muito difícil, mas é geralmente acompanhada por alcoolismo e outros vícios.

Ou seja: não basta todas as noites os apoios aos sem-abrigo distribuírem refeições e até vestuário. O assunto é mais sério. Cada caso é um caso e obriga a um estudo no terreno. De qualquer modo, há uma antiga máxima que se deveria aplicar sempre que possível: “Não dês peixe, ensina a pescar”.
Para que sejamos efectivamente o melhor destino do mundo, há que apostar na educação e no respeito de todos pelas mesmas regras…