
De vez em quando, o assunto salta para a discussão: temos hospital velho e queremos hospital novo. Qual filho rico que vê o dinheiro a entrar sem o semear, são muitos a pedirem mais e melhor hospital. Uma novela que dura anos e, desta vez, com o ultimato imposto a Albuquerque de cumprir a promessa: ou temos hospital ou não há mais governo.
O Estepilha, que não queimou as pestanas nas faculdades de medicina, não deixa de ficar atónito com tão eloquente discussão da necessidade de nova casa de saúde pública. Mas depois fica a burilar com o lado bem concreto do quotidiano daqueles que recorrem ao hospital: faltam medicamentos, materiais de enfermagem e outras “pequenas” grandes coisas para tratar da saúde do cidadão comum. Tudo isto num caldo que mistura a desmotivação dos profissionais de saúde e, claro está, a falta de dinheiro para tudo. Então, como sequer pensar em pôr no ar um novo hospital? Não se pode fazer por menos, quiçá ampliar para os arredores, melhorar, remodelar… Num olhar mais longínquo encontra-se estoicamente operacional o Hospital de Santa Maria, com mais de cem anos de vida…
Nestas efabulações, eis que chega a boa nova própria do tempo do advento que estamos a entrar: o governo de Lisboa paga metade da conta. Ufa! Suspiram muitos de alívio. Meia promessa eleitoral cumprida e pode ser que se safem as eleições. O Estepilha, que parece já ter visto este filme noutras novelas, pergunta: e quem paga a outra metade?
Entretanto, pelos corredores do hospital, diz quem lá está no terreno diariamente, que a vontade de dobrar o Bojador é grande mas que falta quase tudo e que a força anímica é cada vez menor. Não há Indias por inventar e as especiarias estão gastas. Neste estado de coisas, o Estepilha só vê uma saída: por favor, não adoeçam e virem a página do hospital.
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