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I – Em 2009, no explosivo pico da crise económica surgida em 2007/2008, cujo epicentro acontecia nos Estados Unidos da América, Barack Obama e o Partido Democrático venceram as eleições com a promessa que iriam levar avante as profundas mudanças económicas e sociais reivindicadas e pretendidas pela maioria da população do País.
Porém, passados oito anos, apesar do saque que os EUA praticam a nível mundial e da injeção de milhares de milhões de dólares no sistema financeiro, para além da engorda de um punhado de especuladores e grandes capitalistas, não foram capazes de superar a crise em que mergulharam, nem contrariar com eficácia a tendência de declínio económico e social; e por consequência a sociedade americana continuou assinalada por profundas injustiças, grande descriminação, crescentes desigualdades, e o sucessivo apagamento do mítico “sonho americano”.
II – Na verdade, na ordem interna, a par duma economia com um crescimento anémico e insuficiente para ultrapassar os constrangimentos da crise, aumentou a violência e o racismo, mais de 48 milhões de americanos vivem em condições de pobreza, medraram as isenções fiscais para os grandes grupos económicos, aceleraram a transferência dos rendimentos do trabalho para o capital, enquanto o nível de vida dos trabalhadores e da classe média diminuía, e os seguros de saúde atingiram os preços mais altos de sempre.
Na ordem externa, os EUA prosseguiram a crónica política militarista e de desestabilização contra os estados e os povos que resistiam à sua predadora “ordem mundial”, semeando a agressão e a guerra, que tanto sofrimento e destruição têm provocado. De modo que, continuaram a guerra no Afeganistão; aumentaram as suas tropas no Iraque donde nunca saíram; não foi encerrada a horrenda prisão na base militar de Guantánamo; a Líbia foi brutalmente destruída; a Síria tem sido devastada por terroristas e mercenários armados pelos EUA e os seus aliados, que violam a sua soberania e integridade territorial; também contribuíram para armar e apoiar os monstros assassinos do Estado Islâmico; na Ucrânia, de mão dada com oligarcas e grupos fascistas apoiaram um golpe perpetrado pela extrema-direita belicista; e não contentes com tudo isso alimentaram a histeria da “ameaça russa”, e mesmo sabendo que podem desencadear uma mortífera guerra nuclear contra a Rússia, prosseguiram a instalação na Europa e na Ásia do seu provocatório sistema anti-missil.
III – No meio desta pantanosa situação de crise e de grande descontentamento, perante o baixar de braços dos importantes sectores da esquerda estado-unidense, escolheram, como mal menor, para candidatos à Presidência dos Estados Unidos da América, Donald Trump e Hilary Clinton, que personificam o que de mais negativo e reacionário caracteriza o Partido Republicano e o Partido Democrático.
Numa degradante, confrangedora e por vezes sórdida campanha eleitoral, Clinton apresentou-se como a candidata mais representativa e experiente do sistema, reunindo à sua volta os interesses predominantes do capital financeiro de “Wall-Street”, do todo poderoso complexo militar-industrial, e doutros sectores do “stablishement”. Por sua vez Trump utilizou um discurso populista e xenófobo, e procurou cativar os milhões de norte-americanos que sabia estarem indignados e desiludidos com a precariedade e crescente pobreza, colocando-se numa posição aparentemente anti-sistema, ao mesmo tempo que prometia conter a NATO, pôr fim à escalada de provocações contra a Rússia, e cortar o escandaloso financiamento aos assassinos do Estado Islâmico.
E o certo é que contrariando dezenas de tarólogos e centenas de especialistas e politólogos nacionais e internacionais que vaticinavam uma curta vitória de Hilary Clinton, o monstro pariu um monstro, e Donald Trump venceu as eleições como consequência da expressão política da crise económica e social que o capitalismo norte-americano não conseguiu travar e resolver.
De forma que a vitória do racista, obsceno, e desumano Trump representa, sobretudo, a avaliação final a duas administrações de Barack Obama que, como vimos, tornaram os trabalhadores e a classe média mais pobres, e o mundo cada vez mais perigoso e violento.
Acresce que, embora Donald Trump não representasse uma verdadeira alternativa, tinha, pelo menos, o desprezo de importantes sectores da alta finança e de largos espaços do ramo militar-industrial e dos seus aparelhos partidários e mediáticos
IV – A futura governação do magnata da extrema direita Trump é para muitos uma verdadeira incógnita.
Quanto a nós, a certeza possível é que, servindo-se da tradicional repressão policial, extremará a luta de classe contra os trabalhadores, a devastação do movimento sindical, a xenofobia e a homofobia.
A grande dúvida reside na condução da política externa e do imperialismo, pois os sinais são contraditórios. Por um lado, Donald Tump alinha e faz suas as mais reacionárias posições sionistas, e por outro lado promete cortar o financiamento do Estado Islâmico, e pôr fim à escalada de provocações contra a Rússia.
Está nas mãos dos trabalhadores e do povo norte-americano a construção duma real alternativa, dando corpo à critica e à rejeição do neoliberalismo e do domínio do capital financeiro e dos falcões do complexo militar-industrial.
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