Esta é a minha primeira contribuição para o Funchal Notícias. Numa apresentação rápida, sou um jovem economista que esteve a trabalhar nos últimos tempos na mais antiga e maior empresa de tecnologia para empresas do mundo, a IBM, em Bratislava, capital da Eslováquia. Para esta minha primeira contribuição decidi, por isso, escolher um tema que me toca de forma particular: a emigração, a saudade e o amor ao que nos é próximo.
A Madeira tem um problema estrutural relacionado com a pequena dimensão do mercado e a falta de massa crítica nesse mesmo mercado. Nos últimos anos, a emigração jovem fez agravar ainda mais este problema, pois o crescimento natural da população depende fortemente do número de jovens. Por outro lado, esses jovens também são em grande maioria muito talentosos e capacitados e por isso, seriam cruciais para promover esse necessário aumento de massa crítica.
Explicando melhor este problema regional, a pequena dimensão do mercado é uma das principais características das regiões ultra-periféricas. Um mercado pequeno reduz a rentabilidade esperada dos investimentos e em casos extremos torna até alguns desses investimentos inviáveis. Havia uma piada que falava da impossibilidade do polícia da ilha do Corvo passar multas porque os 430 habitantes da ilha conhecem-se todos e dessa forma uma multa podia destruir a paz social da ilha. Esta é uma boa imagem de como um mercado pequeno pode alterar a dinâmica normal desse mesmo mercado. Por outro lado, a dinâmica, inovação e empreendedorismo do mercado depende da massa critica disponível nesse mercado. Quanto mais talento disponivel e quanto melhores gestores e empresários, melhores são as soluções, produtos e serviços disponíveis.
Todos os que como eu já estiveram a viver no estrangeiro sabem que apesar desta ser uma experiência extremamente enriquecedora, é impossível não sentir saudades da nossa família, do nosso espaço e da nossa terra. Uma terra que parece que ainda se tornar mais nossa com a distância. A saudade, um sentimento tão Português, pode então desta forma se tornar numa importante oportunidade para a região. A Madeira tem milhares de quadros talentosos e com o extra de agora terem uma importante experiência internacional à distância de uma oportunidade de regresso. Adicionalmente, por qualquer razão psicológica o sentimento de saudade faz com que estes jovens tenham maior disponibilidade para correr riscos que antes talvez não tinham, na vontade de cumprir o seu desejo de regressar. Eu, por exemplo, optei por deixar um emprego estável e bem remunerado para arriscar e tentar criar o meu projecto cá de volta na região. Conheço mais um caso semelhante e muitos outros deverão existir.
É por isto que acredito que a Madeira deve olhar para os jovens emigrantes e lusodescendentes como uma real e importante oportunidade de negócio. Uma oportunidade de tornar a nossa sociedade mais multicultural, mais aberta e mais inovadora. Tentar atrair esses jovens para o regresso à sua terra deve ser um designio regional como uma estratégia de desenvolvimento que permite aumentar o mercado, melhorar técnica e culturalmente esse mercado, promover a inovação e empreendedorismo e fomentar crescimento económico sustentado.
O autor deste texto escreve segundo o antigo acordo autográfico da Língua Portuguesa.
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