Morreu um homem bom!

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Fotos retiradas de uma entrevista à RTP-Madeira, à jornalista que também já partiu, Lília Bernardes.

(Crónica) Morreu um homem de uma abnegada persistência. Cruzei-me com ele diversas vezes, algumas delas por causa da minha profissão de jornalista e das muitas vicissitudes de um processo judicial.

Era um cavalheiro à moda antiga. Um Senhor no trato. Com uma humildade tão desconcertante quanto a sua sabedoria de experiência vivida.

Foi presidente da Câmara Municipal de Machico em tempos difíceis (até 1974).

Foi um estudioso da história, dos primórdios da Capitania de Machico à heráldica.

Deixa obra feita também na escrita.

Nos últimos 30 anos, a sua batalha foi tentar fazer cumprir a vontade de Dª. Eugénia Bettencourt, falecida a 8 de Janeiro de 1982.

Retenha o último parágrafo de uma ‘Carta aberta ao povo madeirense nos 500 anos da Diocese do Funchal’, escrita em Setembro de 2011:

“Desejo que todos saibam que, com o meu falecimento, terminarão estes quase 30 anos de luta e, então, a Diocese jamais cumprirá a vontade da Senhora Dª. Eugénia Bettencourt”.

Mas não guardo apenas essa passagem. Guardo outras dessa mesma ‘carta do leitor’ que me veio entregar em mãos, manuscrita, para publicar no Diário de Notícias e cujo título era “E a fortuna da Sr.ª Dona Eugénia a favor dos Cancerosos?”.

Consta no testamento/legado Pio a seguinte passagem: “…instituo a Diocese do Funchal herdeira de todos os meus bens direitos e acções incluindo o recheio da aludida casa onde habito, à Rua das Pretas, n.º 70, com a condição desses mesmos bens direitos e acções serem aplicados no distrito do Funchal em obras de assistência a doentes cancerosos…”.

A Diocese terá agora de conviver com duas heranças. A de D.ª Eugénia e a da memória de um homem bom cuja vontade nunca foi abrir ‘guerras’ contra quem quer que fosse mas, tão só, essa coisa proverbial, que é cumprir a vontade de Dona Eugénia.

Não é humanamente possível mas seria interessante saber que conversa teve o testamenteiro com a testadora, no encontro que teve, esta semana, lá nos céus.

Até sempre Manuel Rufino de Almeida Teixeira.

 


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