Casa do Povo de Câmara de Lobos assinala 30 anos com gala de homenagem aos sócios

DRA Casa do Povo de Câmara de Lobos assinala hoje o seu 30º aniversário com uma gala comemorativa, na qual serão, homenageadas quatro pessoas com o título de sócio honorário, nomeadamente, José António Freitas, Eduardo Figueira, Maria Paixão e Tiago Brito. Em entrevista ao Funchal Notícias o actual Presidente da Direcção da Casa do Povo de Câmara de Lobos, Sérgio Oliveira, conta as razões que levaram a criação deste evento, fala sobre projectos futuros e também sobre as dificuldades pelas quais a Casa do Povo passa em termos de falta de recursos humanos para responder às necessidades da população.

Funchal Notícias – O que levou a direcção da Casa do Povo de Câmara de Lobos a criar uma gala comemorativa do seu 30º aniversário com homenagem aos sócios?

Sérgio Oliveira – Os 30 anos surgem porque estamos aqui há dois mandatos e fomos nos apercebendo da riqueza e da história da instituição Casa do Povo. São muitas as actividades desenvolvidas ao longo destes 30 anos e essa riqueza em termos de trabalho desenvolvido tinha de ser, no nosso entender, reconhecida. A história da instituição e o número de pessoas que por aqui foram passando e deixando um legado merece uma homenagem e é isso que nestes 30 anos se pretende homenagear e festejar.

Nesta primeira gala o objectivo não é homenagear os presidentes que por aqui passaram, que foram dois, o senhor João Crisóstomo e o senhor José António Freitas. O que vai acontecer hoje, pelas 21h00, na Casa da Cultura de Câmara de Lobos é uma homenagem a quatro sócios que a direcção propôs em assembleia geral e que representam áreas diferentes da história da instituição.

DRO senhor José António Freitas foi o segundo presidente da direcção da Casa do Povo e foi o que esteve mais tempo na instituição, cerca de 20 anos. Na parte cultural temos a senhora Maria Paixão que foi a grande impulsionadora das Marchas Populares que, actualmente, é a Câmara Municipal que organiza e muito bem, mas que em 1987 eram da responsabilidade da Casa do Povo presida então por João Crisóstomo Caires Gonçalves. O outro homenageado será o senhor Eduardo Figueira na parte do desporto, nomeadamente, no Futebol de 11 e no Futsal. Nesta modalidade temos um palmarés riquíssimo e muito valioso fomos campeões regionais várias vezes e representamos a ilha no desporto do INATEL no Continente. Na área do Atletismo será homenageado o atleta mais antigo da instituição, o senhor Tiago Brito, que também tem brindado as cores da Casa do Povo com imensos troféus e medalhas ao longo destes 30 anos.

“João Crisóstomo será homenageado a título póstumo”

FN – Falou de João Crisóstomo Caires Gonçalves, foi o primeiro presidente da Casa do Povo de Câmara de Lobos, porquê não será homenageado nesta primeira gala?

Sérgio Oliveira – É uma pessoa que lamentavelmente já não está entre nós mas de alguma forma a Casa do Povo vai homenageá-lo também hoje. O senhor João Crisóstomo deixou-nos este ano, com muita pena nossa, porque de facto ele quer no ano passado, quer ainda este ano participou num curso de línguas desenvolvidos pela actual direcção, pela Casa do Povo, e víamos e falávamos várias vezes e era com imenso carinho que o recebíamos nesta nossa casa. Ele próprio também nas conversas que por vezes tínhamos sentia-se uma pessoa de dentro da casa e é assim que nós queremos que todas as pessoas se sintam nesta instituição.

Infelizmente não nos foi oportuno poder ter presente o senhor João Crisóstomo, pelas circunstâncias da vida. Este ano comemoramos 30 anos, para o 31 e esperamos homenagear outras pessoas e o senhor João Crisóstomo será homenageado a título póstumo porque é realmente uma figura incontornável e bastante importante para a instituição.

FN – Celebram 30 anos mas a Casa do Povo de Câmara de Lobo nasce em 1973?

Sérgio Oliveira – Realmente as Casas do Povo começaram como Comissão Administrativa nos anos setenta e foram fundamentais na ajuda às pessoas no âmbito da Segurança Social e na ajuda aos agricultores. Na altura eram o grande apoio da população rural. Depois com o passar do tempo e com a criação de outras instituições e de outras entidades, nomeadamente, com a fixação da segurança social nas freguesias o papel das Casas do Povo acabou por alterar-se mas continua a ser sempre o de ajuda à comunidade. Existe de facto, alguma história para trás da instituição que começou por funcionar como Comissão Administrativa, e essa história será relembrada. Mas o que vamos de facto comemorar hoje são os 30 anos tendo por base os termos estatutários de 1986.

img_8179FN- É então a publicação dos estatutos em Diário da Região Autónoma da Madeira com data de 16 de Outubro de 1986 que vão festejar hoje?

Sérgio Oliveira – Sim. Vamos comemorar os 30 anos utilizando essa data estatutária, de registo, porque foi de facto a 16 de Outubro de 1986 que a Casa do Povo de Câmara de Lobos foi oficialmente constituída e publicados os seus estatutos. Foi aí que passou a ser pessoa colectiva de utilidade pública e de base associativa que pretende chegar à comunidade através do desenvolvimento cultural, recreativo e desportivo.

“Defendemos a preservação dos costumes culturais da população”

FN – Desde Maio de 2010 que está a frente dos destinos da Casa desta Casa do Povo. Mantêm os objectivos dos estatutos de 1986?  

Sérgio Oliveira – Sem dúvida. A ideia sempre foi manter o papel de âmbito social, cultural e desportivo que as Casas do Povo adquiriram depois dos anos 70. Ao longo destes 30 anos desenvolveram-se várias actividades de cariz cultural, social e desportivo que mantemos. O que defendemos é a preservação dos costumes culturais da população e temos alcançado esse objectivo.

FN – De que forma?

Sérgio Oliveira – Continuamos a actuar na área social, cultural e desportiva. Depois desenvolvemos projectos e actividades que estejam a integrados na comunidade e que são tradição da população, nomeadamente a Ceia de São João, as corridas de carros de pau, as missas do parto, o cantar dos reis entre outras.

img_2969No passado já se fazia a comemoração das marchas, às marchas hoje em dia são organizadas pela câmara porque, entretanto, as próprias marchas atingiram outro patamar que para uma instituição como a Casa do Povo era impossível conseguir organizar. Porque de facto hoje em dia as marchas já movimentam o concelho todo e por isso que é a câmara que organiza. Mas o São João, por exemplo, é uma actividade que é uma tradição da população comemora no calhau da Praia do Vigário em Câmara de Lobos. Entretanto essa tradição perdeu-se devido às obras que aconteceram na promenade e na frente mar de Câmara de Lobos e há, sensivelmente, quatro anos reactivamos essa tradição. Esta festa tem ganho muitos adeptos e hoje é com alguma satisfação que vemos já algumas famílias que fazem a comemoração e a sua ceia de São João no calhau de Câmara de Lobos, nós o que fazemos é garantir a animação e um ambiente bastante rico em termos culturais e de ambiente familiar.

FN- Em relação à formação mantem a mesma base da anterior direcção?

Sérgio Oliveira– Claro. Nós temos dois tipos de intervenção na área de formação. Uma formação tem a ver com a população mais sénior que é o projecto Universidade Sénior, precisamente, com esse mesmo nome, que é um projecto social e educativo dirigido para essas pessoas com um conjunto de actividades lúdicas, de formação em ambiente de sala e fora do ambiente de sala, com conferências, com tertúlias, com visitas de estudo, com passeios, com intercâmbios, uma serie de actividades que desenvolvemos ao longo de nove meses e que são destinadas a pessoas com mais de 50 anos. Essas pessoas também têm oportunidade no âmbito do projecto de serem eles professores, ou seja, é um projecto que permite que as pessoas possam partilhar as suas experiências ao longo da vida com os seus colegas de carteira de Universidade Sénior.

FN- A Universidade Sénior funciona muito na base do voluntariado?

Sérgio Oliveira – É verdade temos um conjunto de voluntários que sem eles claro que não havia muito dessa formação que é dada aos séniores.

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FN – E o outro tipo de formação é para que públicos?

Sérgio Oliveira – A outra formação é de âmbito mais laborar, mais virado para um público activo. A ideia é que as pessoas possam se autovalorizar. Nós promovemos, por exemplo, cursos nas áreas das línguas, da contabilidade que são os cursos que têm tido mais procura, neste momento. São cursos pós-laboral funcionam ao final do dia, são acreditados pela Direcção Regional de Qualificação Profissional e pretendem ir ao encontro dessas pessoas que precisam de algum complemento na sua formação, e de mais ferramentas para poderem enfrentar melhor o mercado de trabalho. Para além disso temos os cursos diários, para pessoas que estejam menos ocupadas, que também são acreditados, são cursos dados pela Direcção Regional de Desenvolvimento Rural em áreas mais práticas, como a culinária, a costura, o Bordado Madeira. Muitas das formações também são realizadas tendo em conta aquilo que é a tradição porque não queremos deixar perder essas tradições. Mantemos o croché, o trico, as rendas antigas e o macramé são uma série de actividades que se continuam a fazer. Elas já aconteciam no passado e o que procuramos fazer nestes dois mandatos foi aumentar esse leque de actividades e dar mais qualidade a essas mesmas actividades disponibilizando as à população.

Na vertente social mas destinado à uma população jovem também temos realizado, desde 2013, projectos de Eramus em parceria com a Associação de Amigos das Artes – Teatro Metaphora.

FN – E na área desportiva e cultural quais são as actividades e os objectivos?

Sérgio Oliveira – No desporto é sempre numa perspectiva lúdica. A ideia do desporto é um desporto para todos numa vertente pós-laboral de ocupação de tempos livres. Nós não somos nenhum clube, nem trabalhamos em função daquilo que os clubes fazem porque também não pretendemos ser um clube pelo menos enquanto eu estiver na direcção. A nossa ideia em termos de desporto é o complemento do desporto numa perspectiva de ocupação de temos livres e temos o atletismo e o futsal que muitas alegrias nos têm dado.

12606750_933878220039598_170883261_nTemos uma equipa de futsal que funciona como uma família, que ano apos ano, temos pessoas que se vão integrando, outras que se vão, inclusive, para clubes profissionais ou para clubes que fazem disto a sua única missão. Há clubes da freguesia que têm vindo repescar alguns atletas as nossas equipas de futsal, porque de facto gerou-se um grupo bastante bom, já desde há 30 anos a esta parte, não é algo que é só de agora, há um ambiente familiar de muita amizade e muita camaradagem e depois isso transporta-se para dentro do campo de jogo e acabamos por ganhar jogos e temos vindo a ser campeões durante vários anos. Este ano fomos novamente campões no primeiro campeonato de Casas do Povo da Madeira, organizado pela ACAPORAMA. Isso deixa-nos orgulhosos e satisfeitos. Mas isso é fruto desta equipa, deste ambiente de amizade e que tem vindo ao longo destes anos a perdurar. Também no atletismo são atletas seniores, atletas que correm por prazer por se manterem saudáveis e têm vindo a conquistar alguns títulos, fazem o Campeonato do Madeira a Correr e têm vindo a ganhar algumas medalhas nesse âmbito.

Já na vertente cultural também crescemos. Temos a Tuna da Universidade Sénior que tem vindo a crescer, o grupo de acordeões, o grupo de dança R`evolução e outros projectos que pretendemos melhorar.

“Se não tivermos qualidade nos nossos recursos humanos não podemos apresentar trabalho de qualidade”

FN- Tomou posse pela segunda vez a 29 de Maio de 2015 o que é que ainda há para fazer?

Sérgio Oliveira – Neste mandato muito poderia haver por fazer. Mas o que acontece é que estamos, cada vez mais, limitados por duas situações que nos impossibilitam de poder oferecer mais serviços com mais qualidade às pessoas. Não só aos sócios mas à população em geral. Uma grande limitação é o espaço, nós crescemos de um T0 para uma casa, que é muito acolhedora, mas que já não tem espaço suficiente para as actividades que temos. Neste momento precisávamos de evoluir para um espaço maior não só para as formações que se dá, mas para maior dignidade em termos de ocupação das próprias pessoas e maior conforto das pessoas nas actividades.

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Depois para poder crescer para outras solicitações que nos são feitas e outros projectos que também temos e que gostávamos de por em prática mas que é impossível em função da limitação de espaço.

O outro grande problema com que nos debatemos e temos vindo ao longo destes dois mandatos, a tentar colmatar, mas não tem sido muito fácil, apesar de termos dados alguns passos é os recursos humanos. Se não tivermos qualidade nos nossos recursos humanos não podemos apresentar trabalho de qualidade. À medida que vamos conseguindo ter pessoas ou técnicos com capacidade de desenvolver projectos, conseguimos avançar e desenvolver actividades e quem ganha com esses projectos é a população, mas se não temos recursos humanos não conseguimos desenvolver mais. O problema é que não abundam os recursos financeiros para poder fazer face aos recursos humanos. Uma pessoa para poder estar a trabalhar a tempo inteiro, naturalmente, que precisa de ser ressarcida com o seu ordenado e é essa a grande dificuldade. Nós já conseguimos dar um passo.

img_3057Quando entrei não tínhamos qualquer funcionário, eu não era nem sou destacado, nem estou permanentemente na Casa do Povo, nem eu nem ninguém da direcção, nós estamos aqui como voluntários, damos o nosso tempo livre para cá estar. Mas a determinada altura e tendo em conta aquilo que temos vindo a desenvolver é nos impossível fazer mais. E então tivemos que contratar alguém, criamos bases em temos financeiros para poder contratar uma pessoa mas mais do que isso para já não conseguimos ter.

Estamos a trabalhar para conseguir, eventualmente, desenvolver mais actividades tendo mais recursos humanos e isso, naturalmente, obriga a que haja mais recursos financeiros.

FN – A Casa do Povo precisa de mais dinheiro?

Sérgio Oliveira – Não quer dizer que haja muito dinheiro, é claro que o dinheiro é importante e é sempre bem-vindo e ajuda. E é com dinheiro quando bem aplicado, que modéstia à parte tem sido o nosso caso, nós temos feito reflectir todo o dinheiro que temos aplicado nos relatórios de actividades, não só com texto mas fundamentalmente com imagens que comprovam as actividades que se têm feito e com o relato dessas mesmas actividades. Portanto, quando o dinheiro é bem aplicado e bem comprovado com os planos e com os relatórios elaborados pela instituição é dinheiro que é aplicado na população porque quem tem beneficiado é a população, não é a direcção nem os elementos da direcção, mas é a população porque são eles que estão aqui diariamente. Eu estou menos tempo na Casa do Povo do que muitas das pessoas que estão aqui diariamente e que usufruem das actividades que a Casa do Povo tem.

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E é isso que me deixa satisfeito porque é sinal de que o dinheiro que está a ser aplicado das entidades públicas, neste caso da câmara e do Governo Regional é um dinheiro que está a ser bem aplicado. Nós temos noção que há dificuldades o Governo Regional também as tem em termos de financiamento, mas também temos noção que se o dinheiro é escasso também não podemos fazer omeletes sem ovos. E muitas vezes aqui o que pode acontecer e é algo que deve ser trabalhado e incluído que é ir buscar recursos a instituições e fazer acordos com essas instituições para que determinados profissionais possam trabalhar com a comunidade.

logo_cpcl_30anos-1É mais nessa perspectiva que também pode evoluir a parte dos recursos humanos. A instituição está a fazer um esforço enorme para poder ter alguém contratado e tem uma pessoa contratada à três anos seguidos mas não tem capacidade para poder aumentar os recursos humanos com fins próprios. Tem é capacidade para poder absorver um ou outro técnico da área social, na área da saúde, na área do ensino, enfim, ao abrigo de determinados acordos com outras instituições que podem ser públicas ou privadas.

FN O que se perspectiva em termos de futuro?

Sérgio Oliveira – As perspectivas são de continuar a desenvolver o trabalho nas áreas que achamos que são as mais deficitárias na freguesia e aquelas que os sócios mais procuram. Temos alguns projectos e ideias que estão a ser estudados para o futuro próximo, nomeadamente na área da gastronomia, do turismo na área cultural. Mas tudo a seu tempo. Queremos é manter o que já conseguimos nos últimos quatro anos, na formação, na cultura e no desporto.

 


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