Quando 10 caixas de banana voltam com prejuízo ao produtor sem capacidade de resposta da GESBA

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Fotos DR

Os problemas com a entrega da banana nos armazéns da GESBA-Empresa de Gestão do Setor da Banana persistem. De um lado, o Governo garante a normalidade, a necessidade de fazer alguns ajustamentos e garante que não funciona segundo os interesses financeiros de alguns produtores. Do outro lado, persiste o grande descontentamento de alguns produtores, porque veem a banana por descarregar nos mesmos armazéns e a ter prejuízos com o produto que fica no terreno.

O setor da banana sempre foi um mar de complexidade na Madeira. De gestão ruinosa atrás de nova gestão, a herança é pesada. O Governo Regional incumbiu, desde o tempo do ex-secretário Manuel António, de organizar o setor através da criação da empresa GESBA. Ainda assim persiste o descontentamento.
O calor intenso amadureceu a banana e os carros esperam e desesperam para descarregar a produção nos respetivos armazéns. Os funcionários da GESBA não têm mãos a medir mas há quem diga que deveriam fazer mais um turno de trabalho, para além das 17h30, evitando que a banana se estrague nas caixas que os agricultores têm por vezes de levar de volta.
ban12Antonino de Abreu é um desses produtores. Não receia retaliações porque diz trabalhar todo o dia no terreno e está do lado da justiça. Na passada semana, conta que tinha 50 caixas de banana para entregar à GESBA. Após horas de espera, pelo menos 10 caixas foram para trás. Falta de capacidade de resposta. No Curral das Freiras, há situações bem mais graves, havendo casos de produtores que esperam seis semanas para entregarem a produção.
Ironicamente, contam os produtores que o chefe geral do armazém de Santa Rita, para aligeirar o ambiente, dá-se a piadas, aconselhando o produtor a enterrar a banana que ficou em excesso, o que adensa ainda mais as críticas.
BAN7Também os produtores dizem estar a acompanhar os esclarecimentos do Governo Regional mas dizem que, na prática, as perspetivas não são otimistas. “Só conhece o setor quem trabalha diariamente no terreno”, esclarece Antonino de Abreu. Dada a situação, os agricultores vão recorrer a diversas entidades para defenderem os seus direitos.