Presidente tranquiliza população após situação explosiva: 27 casas destruídas, um queimado grave, 174 em tratamento hospitalar

albiquerques p+rincipal“Se não houver imponderáveis, a situação dos incêndios na Madeira está relativamente consolidada”. É desta forma que o presidente do Governo Regional acabou de traçar o balanço à situação explosiva que se tem vivido nas zonas altas da cidade, particularmente em São Roque e no Monte.

A hipótese de recurso a meios aéreos de combate aos sinistros está posta de parte, segundo Miguel Albuquerque, dadas as divergências técnicas sobre este assunto. Mas o chefe do Executivo já recebeu o telefonema do Presidente da República, assim como da Ministra da Administração Interna a expressar vontade no sentido de prestarem o socorro que a Madeira vier a necessitar.

Após mais de 24 horas a combater os incêndios, foi um Miguel Albuquerque mais sereno que esta tarde se apresentou à Imprensa, dando sinais de que a situação caminha para a normalidade, embora sem abrandar os dispositivos no terreno.

Eis os números apresentados pelo presidente do GR, no rescaldo dos sinistros:

– temperatura hoje registada na Madeira 38,1 graus, a mais alta desde 1976;

– vento forte, com melhoria amanhã de manhã;

– 174 indivíduos receberam tratamento hospitalar, 22 no centro de medicina hiperbárica do Hospital Dr Nélio Mendonça, por problemas de respiração;

– um habitante do Monte apresenta queimaduras graves, e vai ser evacuado por avião da Força Aérea para o Hospital de Santa Maria;

-um acidente com uma viatura de bombeiros de Câmara de Lobos e dois bombeiros com ferimentos ligeiros;

-Na zona do Funchal, 27 moradias atdestruídas, 11 em São Roque, 13 no Monte, 3 em Santo António e duas unidades de carpintaria destruídas em São Roque;

-Evacuação, a partir das 05h20 desta manhã, de 234 doentes do Hospital dos Marmeleiros, apenas por questões de precaução, alguns dos quais transportados para o Hospital Dr Nélio Mendonça e outros para o Quartel Militar RG3, encontrando-se 77 internados, 49 em consulta externa, 22 em cirurgia hospitalar e 86 alojados no RG3;

-Foram ainda evacuados 60 idosos do Lar de Santa Isabel, apenas por precaução, que foram acolhidos no Estabelecimento da Bela Vista e Colégio Misionário.

albiquerques2Linha de emergência nova: 926768743

Miguel Albuquerque procurou transmitir alguns sinais de tranquilidade à população, salientando que o governo vai manter todos os dispositivos de intervenção no terreno, com um combate aos incêndios em três frentes: Funchal, Monte (Lajinhas, Corujeira, Caminho dos Tornos), Calheta (Arco da Calheta e Paul da Serra) e Canhas.

Foi ainda criada uma linha de emergência de incêndios que estará disponível durante 24 horas para acudir às solicitações da população. O contacto é 926768743.

Além disso, Miguel Albuquerque anunciou que foi ativado o Fundo de Socorro Social, num total de 163 mil euros para apoiar as habitações destruídas ou afetadas. Os apoios aos terrenos agrícolas destruídos, através do PRODRAM, será também ativado.

Fogo posto por doente

No domínio turístico, o presidente do GR quis passar uma mensagem de serenidade: “Alguns incêndios nas zonas altas da cidade não põem em causa a circulação turística, até porque a situação está perfeitamente controlada”. Albuquerque procurou deixar bem claro que “não há nenhuma situação de catástrofe, nenhuma vítima mortal, e as pessoas têm razões para estarem mais calmas”.

Questionado sobre a velha questão de usar ou não a força aérea no combate aos incêndios, o presidente declarou que é político e não técnico. No entanto, já leu dois relatórios com conclusões distintas. Um apresenta reservas a este recurso devido à natureza dos nossos ventos e vales, enquanto outro, pelos custos apresentados, é despropositado.

Apesar destes sinistros que têm abalado a Região desde ontem, o presidente salientou que a monitorização e porevenção dos fogos está muito melhor, a população dá sinais de maior preocupação com a limpeza das casas e terrenos. “Esta situação que estamos a viver é excecional, provocada por fogo posto, altas temperaturas e ventos fortes. Tenho quase a certeza que este fogo começou por mão humana, como já aconteceu no memso lugar, por três vezes”.

Albuquerque reconhece que se está perante pessoas com sinais patológicos, mas é preciso que se crie mecanismos para monitorizar estas pessoas em situações como a que vivemos. Também não se tem melhor civilização, respondendo aos problemas com mais leis. O fogo posto é patológico, declarou.