Generosidade falou mais alto e quadrigémeos concluem primeiro ano da universidade com sucesso
Os quadrigémeos e a mãe, quando foram finalistas do 12.º ano de escolaridade.
Os quadrigémeos que apelaram, no ano passado, à generosidade dos madeirenses para entrarem na universidade, não só conseguiram atingir este objetivo como concluíram todos com sucesso o primeiro ano nos respetivos cursos, sem necessidade de aguardar pelos recursos.
A mãe dos jovens, Nélia Alves, salienta que esta missão bem difícil tem sido possível levar a cabo com êxito graças à extraordinária resposta dos madeirenses que têm generosamente contribuído para concretizar o sonho da família e do pai falecido.
Agora, sim, de férias. Mas durante a semana desdobram-se a trabalhar para ajudar nas despesas.
Há auxílios que têm feito toda a diferença perante o grande volume de despesas, nomeadamente com os dois filhos que estudam Medicina e Fisioterapia em Lisboa. “Estamos todos muito gratos pela ajuda dos anónimos, pelas bolsas de estudo, pela Porto Santo Line que ajudou com as propinas, pelo projecto Super4arte que também nos deu o seu contributo. Graças a estas ajudas, foi possível pagar as inscrições nas respetivas universidades, a aquisição dos computadores, as viagens e alguns livros iniciais”.
Recomeça batalha pelas bolsas
Curiosamente, a solidariedade inspira também as práticas solidárias do Nuno, Diogo, Beatriz e Leonardo Alves. “Motivados por estas ajudas anónimas, todos eles tentaram retribuir de alguma forma com várias situações de voluntariado. Um deles, o Diogo, a estudar na UMa, até continua para integrar os quadros da Cruz Vermelha como voluntário”, revela Nélia Alves. Por isso, acrescenta, “nem sempre podemos retribuir diretamente a quem nos ajudou mas há sempre uma forma de dar continuidade ao bem fazendo algo pelos outros. Esta é uma filosofia de vida que resultou destes tempos difíceis que temos vivido”.
Mas a batalha desta família para prosseguir os estudos superiores dos quatro filhos continua. “Recomeça a luta pelas bolsas de estudo porque, verdade seja dita, sem bolsas não há universidade”, assume Nélia Alves.
Entretanto, já foi dobrado com sucesso o primeiro ano. Penoso, sem dúvida. “Foi um ano de adaptação, muito difícil. Muito trabalho, muitas horas investidas em estudo, bibliotecas, estágios, formações, aulas teórico-praticas, mas com um excelente resultado”.
Neste momento, a família aproveita para fazer “férias cá dentro, alternando os domingos de lazer com os trabalhos de verão, no âmbito da Juventude e Trabalho”.
Recorde-se que, o FN tem vindo a acompanhar esta família, quando os quatro jovens estudavam ainda na Escola Secundária de Jaime Moniz, no 12.º ano de escolaridade, e se debatiam com as dificuldades financeiras para frequentarem o ensino superior. Com o pai precocemente falecido e a mãe com um trabalho sazonal de guia turística, o sonho parecia impossível assegurar os estudos superiores, em simultâneo aos quatro, nas faculdades do país. Mas a solidariedade dos madeirenses falou mais alto. Ao espírito combativo e persistente desta mãe, juntou-se os braços da sociedade, quer das empresas quer de anónimos, e o primeiro ano dos cursos está concluído.
Para o ano, o regresso às aulas implica as despesas do costume. Os estudantes aguardam pelas imprescindíveis bolsas de estudo e pela continuidade dos apoios das empresas e anónimos para prosseguirem a formação superior.
O futuro é sempre enfrentado com muita esperança por parte desta família e espírito de sacrifício. Cada etapa vencida incentiva o próximo combate e a generosidade de tanta gente tem sido o melhor dos estímulos.
Da esquerda para a direita: Leonardo, Beatriz, Nélia (a mãe), Diogo e Nuno Alves.