
Morreu o médico William Henry Clode que nasceu no Funchal em 20 de julho de 1927.
William Clode faleceu no continente. Faria 89 anos na próxima terça-feira.
Durante mais de 50 anos manteve consultório médico no Carregado (arredores de Lisboa).
Aliás, em em 2011, então com 83 anos, William Henry Clode, senhor de um vasto currículo, foi homenageado pela Junta de Freguesia do Carregado.
Exerceu a profissão no Carregado com a abrangência dos concelhos vizinhos, desenvolvendo também uma obra literária e artística, tendo publicado sete livros de poesia e realizado cerca de duas centenas de quadros artísticos.
Exerceu a medicina numa época em que o Serviço Nacional de Saúde dispunha de parcos recursos.
“A sua acção foi particularmente importante para a população do Carregado e populações limítrofes, pelo que se tornaram manifestas as muitas provas de simpatia, consideração e amizade que sempre recebeu, e se mantiveram ao longo do tempo, demonstrativas da competência, solidariedade, bondade e abnegação sempre patenteadas para com os seus doentes”, vincou, na altura da homenagem, o presidente da Junta do Carregado.
William Clode, “muitas vezes desempenhou papel algo similar ao do mediático médico rural Dr. João Semana, deslocando-se em transporte público e a qualquer hora, aos mais variados locais, alguns bem fora do Carregado, por vezes sem
cobrar qualquer importância pela consulta, e ainda, sempre que possível, fornecendo medicação adequada, da que ocasionalmente dispunha nas suas amostras de propaganda médica”, acrescentou.
“Julga-se pois ser de toda a justeza que o Dr. William Clode seja homenageado pela nossa freguesia, congratulando-se o Carregado pelo contributo dado por este médico, de tão elevada craveira e grande versatilidade, que veio assim, manifestamente, contribuir, não só para a dignificação da sua classe, mas também para o engrandecimento da freguesia do Carregado e, consequentemente, do próprio concelho de Alenquer”, enfatizou, em Junho de 2011, José Manuel Mendes.
Esta tarde, o Posto Emissor do Funchal (PEF) emitiu uma nota onde adianta que o funeral do médico realiza-se na próxima terça feira, no Cemitério do Carregado, antecedido de Missa de Corpo Presente, pelas 10.00, na Igreja de S. João de Deus.
Era filho de William Edward Clode e de Maria Carolina Dória Monteiro Clode. Fez o ensino Secundário no Liceu Jaime Moniz onde foi um dos alunos mais brilhantes tendo terminado em 1946 com 18 valores.
Licenciou-se em 1952 em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa. Possuía o Curso de Medicina Sanitária desde 1954. Foi Bolseiro do Instituto de Alta Cultura no Centro de Física da Comissão de Estudos de Energia Nuclear até 1961. Fez carreira hospitalar e foi dos primeiros médicos portugueses a utilizar os radio-isótopos em medicina.
Entre 1961 e 1963 foi, nos Estados Unidos, médico de um Laboratório de Investigação em Nova Iorque.
Desde 1966 possuía a Especialidade de Radioterapia e Medicina Nuclear pela Ordem dos Médicos tendo frequentando um Curso de Oncologia em Houston nos Estados Unidos em 1970.
Foi Chefe do Instituto Português de Oncologia e como investigador, publicou mais de 70 trabalhos científicos, alguns dos quais premiado,s.
Obteve por 3 vezes o Prémio Pfizer e ganhou o Prémio Silva Pereira e o Prémio Fernando D’Afonseca da Liga Portuguesa Contra o Cancro.
Ganhou mais 4 prémios no âmbito da Ciência e várias distinções.
A vida de investigador e cientista foi interrompida aos 46 anos. Com 5 filhos é chamado à Guerra do Ultramar onde esteve por mais de 2 anos. Após essa missão de guerra, e durante ela, onde foi Tenente-Coronel Médico, dedicou muito dos tempos de lazer a escrever poesia tendo publicado 9 livros.
Dedicou-se também à pintura expondo muitos dos mais de 200 quadros em exposições individuais e coletivas.
Num consultório do Carregado, em Alenquer, praticou medicina durante cerca de 47 anos.
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