Projetos no Estreito e no Caniço transformam alunos ‘maus’ em casos de sucesso

jorge carvalhoO Secretário Regional de Educação, Jorge Carvalho assistiu, na manhã desta quarta-feira, à apresentação dos resultados alcançados pelos alunos integrados nas turmas homogéneas constituídas, no início do ano letivo, nas Escolas Básicas de 2º e 3º Ciclo do Caniço e do Estreito de Câmara de Lobos.

A apresentação esteve a cargo dos responsáveis máximos daqueles estabelecimentos de ensino, os professores Armando Morgado e António Mendonça, e decorreu na Escola do Caniço, perante uma plateia constituída por professores, encarregados de educação e alguns dos alunos integrados nas referidas turmas. 

No final das apresentações, o responsável pela pasta da Educação felicitou as Escolas, os seus diretores e professores, pela ‘capacidade de resistência às dificuldades geradas pelo desconhecimento, as quais foram criadas artificialmente e alimentadas maldosamente por quem quis cavalgar a ignorância e fazer da Educação um campo de batalha para a política partidária’. 

Elucidando o sentido das suas declarações, Jorge Carvalho salientou que o modelo de intervenção adotado pelas escolas em causa para combater o insucesso não foi inovador, ‘pois reproduziu estratégias de intervenção que já tinham sido experimentadas, com sucesso, noutros países e igualmente noutras partes do nosso’. 

‘Continuar a tratar problemáticas desta natureza com os mesmos métodos que produziram resultados negativos é um erro. O segredo foi a capacidade da escola adaptar-se aos alunos concretos que tinha pela frente e não a obrigação desses alunos serem a única parte que tem de adaptar-se’, enfatizou Jorge Carvalho. 

O Secretário Regional da Educação fez ainda questão de focar o alcance da intervenção seguido no Caniço e no Estreito, dizendo que ‘a continuidade destes projetos vai permitir dar consistência à relação entre professores, alunos e as suas famílias, gerando a cumplicidade indispensável para que o sucesso educativo fique mais próximo’. 

‘Foi uma fórmula de sucesso, contra a demagogia e o desconhecimento, que continha o incómodo de abandonar a zona de conforto, mas estava, como muita boa gente não quis perceber, devidamente fundamentado e estruturado’, concluiu.

Resultados exemplares 

O projeto ‘Estreito +’ destinou-se a quatro turmas, duas de 5º ano e duas de 7º ano, num total de 87 alunos. Nos resultados finais, apenas dois alunos não transitaram de ano.

No Caniço o projeto teve a designação ‘7º Ano +’ e englobou cinco turmas de 7º ano, num total de 73 alunos. Tal qual aconteceu no Estreito, nos resultados finais, apenas dois alunos não transitaram de ano.

Estes resultados alcançados por alunos que, em ambas as escolas, tinham um histórico de repetências considerável e encontravam-se em risco de não ultrapassar as dificuldades na relação com a escola, repercutiram-se favoravelmente na taxa global de retenções das escolas e dos anos letivos das turmas em causa, os quais nunca tinham sido tão baixos.

Outro dado relevante da apresentação feita pelos diretores das escolas é o do grau de satisfação da comunidade envolvida. Encarregados de Educação, alunos e professores roçam a unanimidade quando se trata de avaliar a eficácia dos projetos, a melhoria das aprendizagens dos alunos, a motivação destes e dos professores para continuarem a trilhar o percurso aberto no início do ano letivo que agora finda.

Para trás ficam também, como referiram alguns professores envolvidos, as dúvidas dos encarregados de educação que, fazendo juízo apenas a partir das informações veiculadas pela comunicação social, se opunham ao ingresso dos seus educandos nas turmas em causa – também é praticamente unânime, entre os mesmos, a ideia de que os projetos devem continuar e que os seus filhos neles devem manter-se.


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