Desmistificação da ligação marítima via ferry entre a Madeira e o Continente

paulo farinha

1-O ferry “Volcan de Tijarafe” deslocando 20,000 toneladas brutas, tem capacidade para transportar 57 atrelados de 45’, e 174 viaturas ligeiras, acontece que a secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes, impunha limitação a 30 atrelados entre Portimão e o Funchal, consequentemente inviabilizando a optimização da operação.

A Naviera Armas, previa colocar o cruise ferry “Volcan del Teide” deslocando 30,000 toneladas brutas e com capacidade de transportar 80 atrelados e 190 viaturas ligeiras, na linha de Canárias, Madeira, Portimão, substituindo o “Volcan de Tijarafe”, ao invés, colocou o cruise ferry “Volcan del Teide” na nova linha marítima Canárias-Huelva, devido às acrescidas dificuldades criadas pela Autoridade marítima da Madeira, APRAM.

Capacidade de 1000 passageiros do ferry “Volcan de Tijarafe”, nas ligações inter-ilhas de Canárias. Acomodações em camarotes 206 camas, acomodações em poltronas 794.

A capacidade de 1000 era reduzida para 650 passageiros entre Canárias, Madeira e Portimão, por motivos de segurança e conforto dos mesmos, esta explicação foi-me dada pelo Vice-Presidente da Naviera Armas.

2-Com a prejudicial obrigatoriedade dos atrelados de 45 pés serem acompanhados pelos meios de propulsão próprios, retirava cerca de 25% de espaço nos car-decks para carga rodada constituída por viaturas dos passageiros, atrelados de 45 pés e outros veículos e máquinas, penalizando a Naviera Armas no transporte de carga rodada nos picos dos períodos da Páscoa, verão e Natal quando registava mais procura de passageiros com o consequente aumento de viaturas ligeiras transportadas.

Em anexo, documento comprovativo de que essa obrigatoriedade foi solicitada pela APRAM ao IPTM, Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos, sendo o Presidente João Carvalho, plenamente desfavorável à ligação marítima entre a Madeira e o Continente que era assegurada pela Naviera Armas. Obrigatoriedade que não consta em regulamentação da União Europeia.

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3-Se o ferry “Volcan de Tijarafe” não tivesse limitações no transporte de atrelados no Porto do Funchal, em 2011, poderia transportar cerca de 50 atrelados de 45’, (carga rodada) de Portimão para a Madeira, desta forma optimizando a viabilidade da operação.

4- Custo do combustível em 2011, média de 270€/tonelada (Las Palmas)

Custo do combustível em 2016, média de 195€/tonelada (Las Palmas)

  1. Vantagens dos atrelados frigoríficos de 45’ em navio ferry, transportam 26 paletes estandardizadas com as dimensões 1200 mm x 800 mm.

Os contentores frigoríficos de 40’em navio porta contentores transportam 21 paletes estandardizadas com as dimensões 1200 mm x 800 mm.

No diferencial entre atrelados e contentores, resultam acréscimo de logística com custos acrescidos. Devido à ausência de ferry, havendo necessariamente operações de transbordo nos parques dos transitários, dos atrelados frigoríficos de 45’ vindos da Europa para contentores frigoríficos de 40’ a serem embarcados em navios porta contentores com destino à Madeira.

O transbordo de mercadoria perecível tem o inconveniente do atrelado e do contentor ficarem abertos à temperatura ambiente cerca de 40 minutos até o final da desconsolidação/consolidação, com o inconveniente da mercadoria ficar exposta ao diferencial de temperatura, com maior incidência no período de Verão, certamente afetando a qualidade dos produtos perecíveis.

6-1 Acresce informar que os navios porta contentores, se carregarem por exemplo para a Madeira “aves refrigeradas”, estas embarcam à Sexta-feira (abate de Quinta-feira) chegando ao Funchal às Segundas-feiras para venda a partir de 3ª feira.

Os matadouros dão a validade de 5 dias após o abate só podendo ser vendido às Terças (pois na Quarta-feira estão em incumprimento podendo e devendo ser apreendido pela DRAE).

Se vier no ferry da Naviera Armas são abatidos aos Sábados embarcando no Domingo, chegando à Segunda, podendo ser vendido (dentro da lei) até às Quintas-feiras.

Informação prestada pelo maior empresário da Madeira na importação de carne congelada ou fresca, António Nóbrega.

6-2 A monitorização da temperatura em atrelados frigoríficos, ou manutenção, é muito mais eficaz e prática nos car-decks de um navio ferry do que os contentores frigoríficos transportados no interior dos porões, ou no exterior, nas cobertas dos porões, num navio porta contentores.

6-3 Um navio ferry não está exposto a greves de estivadores nem aos operadores de logística portuária, a carga rodada que o ferry embarca/desembarca não necessita dos mesmos.

6-4 A carga rodada perecível transportada por ferry com rapidez e segurança, oferece confiança ao mercado turístico na Madeira, contribuindo para melhor qualidade alimentar.

7-O Presidente do Governo Regional em artigo de opinião no DN Madeira no dia 21 de Janeiro de 2016, “viabilidade financeira da operação – em 2011, apenas 3% da população residente utilizou o navio (8.500 madeirenses/ano). A carga transportada pelo ferry para a Região não chegou aos 10%” do total da carga proveniente de Lisboa, Leixões e Portimão a bordo dos navios porta contentores e do ferry.

Apenas 3%, certamente, mas, sem a aplicação do subsídio de mobilidade marítimo aos residentes na Madeira.

Valorizo a petição ‘Transporte marítimo por ‘ferryboat’ entre a ilha da Madeira e o continente, entregue na Assembleia da República, que foi aprovada por unanimidade em plenário. A utilidade pública deverá proteger o operador do ferry das previsíveis investidas de armadores nacionais, por exemplo com Providência Cautelar contra as operações da Naviera Armas, e denúncia de concorrência desleal tal com aconteceu no passado.

Histórico das operações da Naviera Armas com ferry no ano 2011

Estimativas de custos encargos

Consumo de combustível, (3 toneladas/h), óleo pesado, IFO380, nos 4 dias de operação por semana entre as Canárias, Madeira e Portimão, 3 milhões de Euros, ano.

Encargos com a tripulação cerca de 30 tripulantes, no decorrer dos 4 dias de operação por semana entre as Canárias, Madeira e Portimão, 1,3 milhões de Euros ano.

Taxas portuárias no Porto do Funchal 1,2 milhões de Euros ano.

Total: 5,5 milhões de Euros.

Estimativas de ganhos

 Carga rodada constituída por atrelados, cerca de 30 por semana entre Portimão e o Funchal, 2 milhões de Euros ano.

Passagens dos passageiros e viaturas ligeiras, 1,3 milhões de Euros ano.

Total: 3,3 milhões de Euros.

 Previsão de acréscimo, de 30 para 50 atrelados de 45’, sem a obrigatoriedade de serem acompanhados pelos meios de propulsão próprios, 1,3 milhões de Euros ano.

Isenção de taxas portuárias no Porto do Funchal 1,2 milhões de Euros

Total: 2,5 milhões de Euros + 3,3 milhões de Euros ano.

Total: 5,8 milhões de Euros.

Não estão contabilizados os valores relativos à exploração da restauração e bares do ferry, e mais alguma carga rodada, por exemplo, camiões, motas, e máquinas.

A este valor positivo 5,8 milhões de Euros juntar-se-á o valor do acréscimo de passagens dos passageiros madeirenses em consequência da aplicação do subsídio de mobilidade marítimo.

Evidentemente que, a linha marítima obtendo maturidade evolutiva, visibilidade nacional e internacional, é previsível o aumento de passageiros, emigrantes, turistas nacionais e europeus que se deslocam na Europa com as suas viaturas, e certamente ajudarão a escoar os produtos regionais.

Termino, com a forte convicção, de que o défice de 6 milhões de Euros, atribuído à operação da Naviera Armas entre as Canárias, Madeira e Portimão no ano de 2011, é irreal, sem correspondência aos valores apresentados.


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