
Fotos: Rui Marote
O sagrado e o profano, o tradicional e o contemporâneo, encontram-se no Festival Aqui Acolá, que hoje principiou na Ponta do Sol, movimentando significativamente a localidade. Várias artes e expressões juntam-se para criar um evento que já se tornou um descentralizador cartaz cultural.

A ‘mexer’ com a população, começou por estar a Festa da Ascensão, que oferece aos turistas a oportunidade de fotografar as crianças vestidas de ‘viloas’ ou ‘saloias’ das visitas do Espírito Santo (que decorreram na parte da manhã) com os seus adornos de ouro, prata e pedrarias cedidos por familiares, amigos e vizinhos, prática que vem dos tempos em que as famílias nobres emprestavam jóias para adornar imagens sagradas em celebrações religiosas.

A Festa da Ascensão é já uma festividade muito antiga e que, apesar de ter caído um pouco no esquecimento durante um certo período, ganhou em anos mais recentes novo fôlego.

Para Rui Marques, presidente da Câmara Municipal da Ponta do Sol, “só o facto de colocarmos a Festa da Ascensão dentro do programa do Festival Aqui Acolá já significa um pouco da importância que lhe damos. É uma festa que diz muito aos pontasolenses. Outrora, era feriado, era uma altura em que os pontasolenses participavam muito da mesma, e estava intimamente ligada às visitas do Espírito Santo às casas dos habitantes locais”, realçou. Agora, acontece num dia da semana e em que já não é feriado, mas mesmo assim ainda há muita gente que vai à missa e quer assistir ao tradicional ‘lançar das pétalas’, dando um bocadinho do seu tempo.

O Festival Aqui Acolá, por seu turno, “é um misto de arte, cultura, tradição”, que inclui múltiplas áreas expressivas como a música, o teatro, a dança, o cinema, a literatura, as artes plásticas… “Fomos fazendo algumas experiências, incluímos decorações de flores, que o ano passado não fizemos, mas depois sentimos que faltava também a participação das crianças, emendámos a mão, e temos este ano a participação das escolas do primeiro ciclo da Ponta do Sol, e da Escola Básica e Secundária”.

De facto, hoje, no adro da igreja, na vila, foram muitas as crianças que participaram, entoando, nas suas flautas, o ‘Hino à Alegria’ de Ludwig Van Beethoven. Um momento que se alternou com a actuação de uma banda filarmónica, levando animação musical ao centro.

Rui Marques explicou ao FN que a ideia fulcral é envolver a comunidade pontasolense, em torno de um evento que, por um lado, se propõe projectar a cultura e as tradições da localidade, e ao mesmo tempo proporcionar um cartaz apelativo capaz de proporcionar aos madeirenses momentos interessantes do ponto de vista artístico.

Na segunda edição, do ponto de vista de Rui Marques, o Festival Aqui Acolá já vem provando que efectivamente tem um impacto positivo no turismo do concelho.

“Há unidades hoteleiras que já registaram, para este fim-de-semana, uma subida considerável”, assinalou o autarca. “A nossa preocupação, ano após ano, é melhorar cada vez mais”.

Este ano, na opinião de Rui Marques, o evento atingiu já um patamar bastante elevado. “Este ano apresentamos três artistas nacionais, e um internacional”. O edil diz que se tem esforçado por desenvolver mais a vertente cultural, colocando-a de forma mais equilibrada com a vertente desportiva, que geralmente é sempre mais beneficiada.

Actualmente, diz, as pessoas “estão a despertar mais um pouco” para as mais modernas manifestações de cultura, mas que as coisas evoluem pouco a pouco, através de um “processo educacional” e de evolução.

Como exemplo de outras actividades culturais na Ponta do Sol, Rui Marques destacou ainda a música nas capelas ou a exibição de um ciclo de cinema alternativo no Centro Cultural John Dos Passos. A Estalagem da Ponta do Sol, disse, tem também dado um grande impulso cultural à localidade, com os eventos que promove.

“Para a dimensão que temos em termos de território e de população, temos já um bom número de associações a desenvolver um importante papel em termos culturais, sociais e desportivos. Para mim, são parceiros importantes que desempenham um bom trabalho em prol dos munícipes”, elogiou.
Hoje, o secretário regional da Agricultura e Pescas, Humberto Vasconcelos, esteve na abertura oficial do Festival Aqui Acolá, na visita às exposições de Domingas Pita e Patrícia Sumares, tendo-se seguido momentos de teatro, dança e música que segue hoje pela noite dentro. Amanhã o dia começa com um workshop de pintura, um encontro com o músico madeirense Mário André às 11 horas da manhã, seguindo-se animação de rua por Celina Pereira e Duarte Rodrigues pelas 17 horas, e depois uma maratona de leitura e cinema, a actuação das ‘Ninfas do Atlântico’, o teatro ‘O Guardião do Rio’ pelo grupo ‘Palmilha Dentada’ e actuação de um trio de jazz, isto tudo no final de tarde e pela noite dentro, que terminará com a actuação de Rui Drummond às 23h40 e, finalmente, de um dj à uma da madrugada.
Sábado, a manhã será preenchida com workshops de cinema, literatura, culinária, escultura, pintura e música. Haverá actuações de grupos folclóricos, animação de rua, projecção de filmes e documentários, teatro por Pedro Neves e João Seabra às 20h30, actuação dos músicos Viviane e Miguel Araújo, e um dj a fechar a noite. Para domingo estão previstas pinturas faciais, um workshop sobre cordofones, dança, fotografia, pintura, teatro, a actuação da TUMa e dos Camachofones, do Grupo de Folclore da Ponta do Sol, cinema, mais teatro, e a actuação dos Xarabanda pelas 20h30, a encerrar o Festival.
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