Lesados do Banif em nova manifestação denunciam dramas familiares e injustiça em panfletos

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Fotos: Rui Marote

Uma multidão de cerca de cem pessoas marcou hoje presença numa nova manifestação em frente ao Santander Totta no Funchal, num renovado e insistente protesto contra a resolução do Banif. Nesta reunião popular, eram muitos os slogans de protesto que se podiam ler nos cartazes e ouvir de viva voz: “Só queremos o que é nosso”, “Gatunos, paguem o que devem”, “Queremos as nossas poupanças”, “Resolução do Banif não teve fundamento legal”, “Estas são as poupanças de uma vida”…

Entre os oradores, ao megafone, reclamava-se: “Quantas pessoas mais precisam de morrer ou de ir em estado grave para o hospital, pela angústia e vergonha de perderem as suas poupanças, até que o Santander perceba a importância de resolver estes problemas? Quantas pessoas acabarão por optar pelo suicídio por vergonha de terem perdido as suas poupanças? Não somos cães, somos pessoas”, reclamavam os manifestantes, que acusavam também os políticos portugueses, “de esquerda e de direita” de serem responsáveis por uma situação que está a afectar dramaticamente muitas famílias.

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Entre os lesados, era voz corrente que houve “fraude” por parte dos gerentes de conta do Banif, que, acusaram várias pessoas,  os levaram a investir em obrigações subordinadas, não os esclarecendo devidamente sobre o risco inerente e garantindo-lhes que se tratava de um investimento seguríssimo. Por alegado desconhecimento das condições inerentes a essas obrigações, muitos alinharam. Houve quem nos dissesse que foi mesmo praticamente “empurrado” a transformar depósitos a prazo em obrigações, tanta era a insistência dos gerentes de conta do banco. E assim ficaram comprometidas as poupanças de vidas inteiras, inclusive entre emigrantes madeirenses que agora sofrem grandes angústias.

De acordo com as declarações prestadas por Humberto Gonçalves à comunicação social, já foi criada uma associação para representar os lesados do Banif, que se considera bem assessorada a nível de advogados.

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“Agora, temos é que vir para a rua mostrar a nossa indignação, e fazer panfletos. Se começarmos a divulgar junto da população o que eles nos fizeram, o Santander terá que falar connosco. Esse é o objectivo”, explicou.

Humberto Gonçalves era amigo de um emigrante na Venezuela, obrigacionista do Banif, que, conforme narrou, andava muito enervado com a situação, e, apesar de muitos o aconselharem a manter a calma, conforme contou, acabou por falecer. Humberto atribui o seu falecimento, apesar da idade já algo avançada, às angústias que todo este processo de ver o seu dinheiro comprometido lhe causou. “Isto agravou o seu estado de saúde”.

“A família está indignada com isso”, acrescenta.

De acordo com as declarações deste porta-voz, há muitos mais emigrantes que vão agora entrar em contacto com a recém-criada associação. “Em Junho, Julho, teremos uma concentração muito maior de emigrantes”, garantiu.

Quanto aos trabalhos da comissão de inquérito ao Banif na Assembleia da República, não o convencem: “Todos falam bem, todos têm opiniões sobre a situação. Mas não há respostas definitivas. Como é que o governo injecta 700 milhões, o Santander compra um banco e ainda tem lucro? Isso é que não percebo. E nós fomos enganados pelos gestores de conta, que nos aconselhavam a investir em obrigações, que nem sabia bem o que eram, como muitos outros não sabiam. Era garantido, diziam-nos. Fomos todos enganados”, afirmou.

“São muitos anos a trabalhar, vidas inteiras para amealhar dinheiro, para depois vir para a Madeira”, que estão em jogo, segundo este nosso interlocutor.

Da parte do Santander, continua a não haver respostas definitivas. Tudo isto é mau, e os emigrantes começam a deixar de trazer dinheiro para Portugal e para a Madeira, afirma. “E sei o que digo”, conclui.

O advogado José Prada, também presente na manifestação, já se assumiu como um dos lesados do Banif, e corrobora as afirmações daqueles que se sentem enganados pelos gestores de conta. Também defende que a situação do Banif era inteiramente diferente na altura em que as pessoas investiram, e o modo como as pessoas se sentiam protegidas pelo estado e pelo banco. Afinal, saiu-lhes o tiro pela culatra.