BE acusa: PSD e CDS querem “muralha de aço” à volta do CINM

Roberto Almada

A questão do Centro Internacional de Negócios da Madeira e do seu funcionamento, catapultada novamente para a ribalta com as opiniões daqueles que defendem a sua extinção, está novamente na ordem do dia por causa dos chamados ‘Panama Papers’, trazidos a público pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação. A discussão tem dominado várias intervenções na Assembleia da República e na Assembleia Legislativa da Madeira, com detractores e defensores do CINM a degladiar-se sobre se se trata ou não de um offshore e sobre se alguma das suas operações é mais ou menos irregular. O Bloco de Esquerda tem estado no centro das atenções, já que Catarina Martins e Mariana Mortágua, figuras de proa do Bloco, vieram defender a nível nacional a extinção pura e simples do CINM, enquanto o dirigente regional Roberto Almada veio esclarecer ao Funchal Notícias que, antes de mais, é madeirense e que o preocupam as questões que afectam directamente a sua terra. Por esse motivo o BE Madeira pretende chamar ao parlamento regional o secretário regional das Finanças e o responsável da empresa concessionária do CINM, para clarificar aquilo que, em seu entender está envolto por uma nebulosa e pode configurar operações menos claras que importa desvendar.

O tema continua a aquecer, já que, numa intervenção feita hoje na Assembleia Legislativa da Madeira, Roberto Almada acusou o PSD/M e CDS/M de quererem criar uma “muralha de aço” para impedir a investigação no CINM, na sequência das notícias que dão conta das ligações ao escândalo “Panama papers”.

O coordenador e deputado bloquista no parlamento madeirense afirmou ainda “não ser indiferente que o dinheiro que fica na Madeira seja proveniente de empresas com actividade clara e legítima ou se, eventualmente, esse dinheiro é proveniente de empresas com ligação ao submundo opaco e pouco claro do crime organizado”.

De acordo com este deputado, “o escândalo dos ‘Papéis do Panamá’ trouxe novamente a público suspeitas de empresas sediadas no CINM a esquemas de corrupção e fuga e fraude fiscal”. Suspeitas que, sublinhou, já não são de hoje. Abordando investigações da polícia italiana sobre empresas com negócios “duvidosos”, e, mais recentemente, notícias sobre uma empresa no CINM que estaria ligada ao escândalo do ‘Mensalão no Brasil [conforme já ontem nos referiu Almada], o deputado denunciou “milhares de empresas registadas no CINM”, que não têm um único trabalhador e que movimentam milhões e milhões de euros (…)”.

Perante a “algazarra, a gritaria e as acusações” de que existem forças políticas que querem acabar com “aquela espécie de paraíso na terra que é o CINM”, ironizou, Roberto Almada apontou baterias ao PSD e ao CDS e acusou-os de quererem impedir investigações que lancem luz sobre situações “eventualmente” menos claras.

E recusou que o BE seja detractor do Centro e que sobre ele queira lançar suspeição.


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