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As ousadias são atitudes que nos colocam em territórios de risco. Quando isto acontece, é preciso recorrer a um pretexto de legítima curiosidade, para justificar as incursões naquilo que abala os apelos do nosso entendimento e nos leva à sua livre expressão. Sem especiais pretensões vou referir-me hoje a um assunto que não conheço e faço-o, humildemente, para tentar conhecê-lo. Pensar sobre ele. Confessar, à medida do que possa apreender dum tema tão complexo, a minha fé em descobertas fundamentais da Humanidade.
Acabei de ler há pouco um texto longo que, em alguns casos, pode tornar-se perturbador. É assim a Ciência: Maravilhosa e perturbadora. Um texto que comporta estranhas revelações. Talvez a palavra “estranhas”, não seja a mais adequada, pelo que prefiro substitui-la por “inesperadas”. Inesperadas, por decorrerem num longo período de tempo “sem tempo” que, vindo do passado, de repente se faz presente, e, ao mesmo tempo, futuro, na espantosa simultaneidade do universo.
No momento em que se afirma definitivamente a descoberta da Física Quântica, revela-se uma extraordinária conquista de longos séculos de inquietação e procura: Conhecer a vida como parte integrante do amplo conceito do Grande Cosmos de onde emanam espantosas informações que apontam já para as grandes revoluções do terceiro milénio, com reflexos nas áreas da Biologia, da Medicina, da Filosofia e da Teologia. Que origem temos nós, os humanos, de onde viemos, que projecto nos integra na ordem, na harmonia, na orgânica do universo, são perguntas totais e constantes. Quanto às respostas são vagas e carecem de verificação. A Ciência tem procurado encontra-las e há caminhos percorridos que um dia, em tempo por agora não vislumbrado, hão-de abrir-se em novas perspectivas.
A História Universal transporta, desde as mais remotas épocas, passos e factos que testemunham visões várias sobre a realidade do mundo, de acordo com o estádio de desenvolvimento dos povos. Para além dos fenómenos sensoriais, os povos revelaram-se sempre detentores duma percepção extra-sensorial, conducente à contemplação de fenómenos misteriosos que, sendo desconhecidos, passaram a designar-se por sobrenaturais, ou seja, fora da Natureza conhecida, fora da realidade entendida pela nossa condição humana. A partir de Einstein a realidade assume contornos mais alargados que ultrapassam o sensorial. Fora do que se vê há muito mais que pode ser visto.
E é aqui que a minha atenção se prende, no que a Física Quântica nos vem revelando quanto ao Universo Físico e à matéria. No centro do fotão (partícula de luz que transporta energia fotoeléctrica), foi descoberto um “vazio” , uma “ não localidade” que é uma região de prodigiosas potencialidades por onde transitam e se trocam informações, onde acontecem “eventos” que não consomem tempo, nem percorrem distâncias. Manifestam-se à velocidade da luz, à revelia de tempo e de espaço. Este trânsito de partículas-ondas permite a criação de formações instantâneas que aparecem momentaneamente e desaparecem misteriosamente. Estas partículas podem ocupar dois lugares ao mesmo tempo. São portanto imateriais. O Universo Físico é um processo dinâmico e não pode ser explicado pela matéria e suas propriedades pois estas não existem reais e independentes. * “ O uno está inexoravelmente urdido no diverso, desde os confins do infinito à intimidade do átomo…Nesta interconexão o processo causa-efeito não se desencadeia no ritmo cronológico, mas coexiste fora da linha do tempo em um presente constante”. Está aberto o caminho para o imponderável, o absurdo, o mistério ou o milagre. Numa palavra só: O prodígio. Na senda deste poderoso conhecimento se coloca a existência de Deus, possível para uns, impossível para outros. A verdade é que não podemos aceitar os campos da telepatia, a existência da ubiquidade, da mediunidade, do extra-sensorial, como ilusões de mentes doentes ou pouco esclarecidas. A Física Quântica revela-nos que a própria matéria é uma ilusão, realidade que perturba as nossas limitações mentais acerca deste conhecimento.
Eintein lega-nos na sua experiência, testemunhos fundamentais para esta compreensão. Quando lhe perguntaram o que era a luz, o físico respondeu: “ A luz é a sombra de Deus… Quando abro a porta para uma nova descoberta, já encontro Deus lá dentro. O acaso não existe… Deus é hábil, mas nunca enganador… Deus é a lei e o legislador do Universo…Mais do que um Deus unipessoal é o Deus cósmico”.
Temos então sinais de que Deus existe no “não lugar” do Universo ? Será a Física Quântica o caminho para essa fascinante revelação ?
Esta poderá ser a religião do futuro, onde converge o conceito ecuménico de toda a espiritualidade. O conceito do Monismo, referido já por grandes filósofos , que identifica a doutrina da unidade, advém da “íntima vibração duma potência única, sempre idêntica a si mesma, em todas as expressões duma realidade concreta”.
Contra a visão clássica do Universo como uma grande máquina, opõe-se a visão quântica do grandiloquente pensamento. Neste nosso deambular terreno a verdadeira “iluminação” só será possível quando a matéria for dominada pela consciência que se vislumbra como um novo domínio quântico, e a vida, em todas as suas manifestações, alcançará uma nova e prodigiosa dimensão.
A minha ousadia mantém-se ainda ao formular esta pergunta: Será Deus, o imponderável, a nossa própria consciência, que não será apenas “nossa”, porque é Una e Universal.
Referências: FREIRE, Gilson – Da Física Quântica à Espiritualidade.
ARMADA, Fina d´, e FERNANDES, Joaquim – Fátima nos Bastidores do Segredo.
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