O Bullying

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João Viveiros*

O Bullying deve ser cada vez mais objecto de análise e reflexão por todos nós, professores, pais, psicólogos, enfim, por todos aqueles que estão de alguma forma ligados ao crescimento dos jovens. As escolas são os lugares privilegiados para nos apercebermos da existência do bullying, nas suas diversas formas, entre os estudantes. De qualquer forma não devemos confundir um ato isolado com o bullying. O bullying deve ser entendido como agressão, ameaça, perseguição, etc. exercido sobre alguém mas de forma sistemática.

Os estudos indicam que em Portugal um em cada cinco estudantes pratica bullying. De acordo com o relatório da UNESCO, a média nacional de adolescentes que praticam bullying é superior em seis por cento à média europeia. É curioso verificar também que em Setembro de 2015 foi revelado que metade das raparigas entre os 15 e os 19 anos considera normal que os maridos batam nas mulheres em determinadas circunstâncias. O que levará estas raparigas a pensar desta forma?

Daniel Sampaio defende que o problema do bullying reside na ética relacional e propõe a formação de uma equipa de trabalho nas escolas, constituída por professores, estudantes, funcionários, um psicólogo, para prevenir e combater o bullying. O pico de casos de bullying entre os estudantes parece acontecer quando os jovens têm 15, 16 anos.

Temos de facto de pensar em formas de prevenir o bullying. Neste sentido o Instituto Universitário de Lisboa-ISCTE e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, estão a desenvolver um jogo para crianças designado por “StopBully” para o tablet, o telemóvel, para ajudar a prevenir o bullying.

Será que estamos perante um problema que tem a ver com a ética relacional? Será que com a educação consegue-se resolver este problema entre os estudantes? As agressões entre os adultos, que parecem não terminar, não contribuirão para a existência do bullying entre os estudantes? Será que estamos perante um daqueles problemas sem resolução em que o melhor que se pode fazer é minimizá-lo? Ou será que estamos mesmo perante um problema mas profundo, um problema genético, que é impossível resolver?

*Professor