Ator de “Bem-vindos a Beirais” pede estatuto fiscal especial para artistas

heitor lourençoUm enquadramento fiscal e profissional para os trabalhadores das artes. O repto foi lançado recentemente por Heitor Lourenço ao novo governo de António Costa, aquando da passagem por algumas escolas da Madeira para apresentação dos seus livros.

O ator, que falava à margem de um encontro com alunos da Escola dos Louros, no Funchal, aceitou revelar ao FN as suas expetativas relativamente ao novo executivo central e às políticas na área da cultura.

“O enquadramento profissional para os trabalhadores das artes é algo que gostaria de ver resolvido no curto prazo. Tenho esperança que o novo ministro da Cultura, mesmo que não seja do seu pelouro, possa dar um impulso nesta matéria”, confessou o ator, relembrando as contingência da profissão e as lacunas que existem no sentido de garantir direitos. “Temos uma profissão muito intermitente. Durante temporadas, não temos mesmo trabalho de todo, mas as exigências mantêm-se tal como para os restantes cidadãos que recebem rendimento regularmente. Um quadro legal e fiscal que tivesse em conta essa intermitência era muito bom e reporia alguma justiça”.

Atualmente, a maioria dos artistas nacionais vive com grandes dificuldades. As limitações financeiras acabam por condicionar, não só a vida pessoal, mas a própria qualidade do produto artístico. “Notam-se marcas na própria criatividade”, aponta. “Por vezes, apesar dos nossos esforços, não se consegue ir mais longe”.

Lamentando que na política se tenha instalado nos últimos anos uma tendência “estranha”, de considerar a cultura uma área acessória, “quase um luxo”, Heitor Lourenço alertou para as consequências que esse desinvestimento e praxis está a ter junto da população.

“Estamos a verificar um empobrecimento dos valores, um desinteresse e uma insatisfação crescente”, sublinha. “A cultura é algo de intrínseco ao indivíduo e à sociedade. Ao nos distanciarmos ficamos mais vazios e a tendência é preencher com o materialismo e o consumismo”.

Relativamente aos últimos quatro anos de austeridade, Heitor Lourenço classificou-os de “muito dramáticos” para o mundo das artes em Portugal. “Em situação de crise, a cultura foi logo o sector onde se cortou ainda mais”, referiu. “Esperemos que este governo, apesar de ter recuperado o ministério da Cultura, vá para além do aspeto formal e consiga reverter muitas das situações anteriores. É preciso mais investimento à semelhança do se passa em Espanha”.IMG_20160224_142809

Heitor Lourenço esteve na passada semana na Madeira, a convite da editora Plátano, e deslocou-se a várias escolas do 1º, 2º e 3º ciclos da Região, onde conversou com os alunos sobre a sua experiência como ator e escritor. Heitor Lourenço, cara conhecida das novelas – atualmente integra o elenco de “Bem-vindos a Beirais”, em exibição na RTP – tem duas obras infanto-juvenis publicadas: “O triângulo das portas” e “Histórias da Dona Esperança”.