Casa do Povo da Camacha atira-se à Câmara de Santa Cruz: “Nada investe, não dispensa apoios e tudo solicita”

casa povo camachaNa Camacha, o Carnaval está mesmo a correr mal. Tudo por causa do cortejo que não irá realizar-se este ano. À conta deste assunto, as relações entre a Casa do Povo, a entidade organizadora do tradicional cortejo, e a autarquia de Santa Cruz azedaram, trazendo para a praça pública um mal estar que vem a arrastar-se desde que a equipa de Filipe Sousa (JPP) assumiu os destinos da Câmara.

A autarquia já respondeu às acusações de insensibilidade e falta de apoios com os rigores orçamentais impostos pelo PAEL e agora é a vez de a Casa do Povo voltar à carga contra as declarações do edil santacruzense na comunicação social, lamentando que a continuar este clima o futuro de outros grandes eventos possa estar em causa.

Reunida este sábado para analisar as declarações de Filipe Sousa, a direção da instituição cultural nega qualquer motivação política na decisão de suspender este ano o cortejo de Carnaval. “A Casa do Povo não se imiscui nesse tipo de assunto e nunca será, com a presente direção,  instrumentalizada para qualquer efeito”, assegura o responsável da instituição.

Em comunicado enviado às redações, Duarte Abreu sublinha que a situação se deve “a um conjunto de fatores negativos que limitam a capacidade financeira da instituição”. E adianta. “No entanto, a realidade presente desta casa do povo é fortemente marcada pelas políticas desta gestão camarária que nada investe, não dispensa apoios e tudo solicita. É gritante a falta de sensibilidade para a atividade desta instituição, que atua positivamente na cultura, na arte, no desporto, na recreação, na formação, no apoio aos agricultores, na oferta de apoio social e valências de ocupação dos mais idosos”.

O responsável pela Casa do Povo da Camacha vai mais longe e abre o rol das queixas que vinham a acumular-se nos últimos anos. “A Câmara Municipal, continuamente, nega a atribuição de apoios, quer financeiros, quer ao funcionamento da sede da Instituição, que tem custos avultados com eletricidade e consumo de água, o que não acontecia no passado”.

Câmara lucra com casa do povo

Duarte Abreu exclui das críticas a Junta de Freguesia, curiosamente também JPP, a quem enaltece a cooperação e diálogo, “promovendo ações conjuntas e desenvolvendo parcerias em eventos”.

Da Câmara Municipal, explica, por vezes chegam alguns pequenos apoios em transportes, aquando da realização de grande eventos, como o Amo-Teatro e a Gala de Folclore. “Mas, por outro lado, na realização de eventos públicos sob a responsabilidade da casa do povo, a Instituição torna-se cliente da Câmara Municipal, porquanto o pagamento de água e licenças de venda, traduzem-se em lucro camarário.”

Duarte Abreu entende que, sendo eventos de impacto social, cultural e dinamizadores da economia local, é naturalmente função da autarquia dar apoio e capacitar as organizações de melhores condições. “No entanto, apenas são recebidos elogios e residual apoio logístico manifestamente insuficiente para a grandeza de tais eventos”, adianta.

O responsável assegura que, em todo o processo em torno do Cortejo de Carnaval, a casa do povo agiu de boa fé, porque, na verdade, não é possível assumir encargos numa altura em que as nossas capacidades financeiras continuam a escassear, muito pela assunção de despesas com bens essenciais. “Quem tem responsabilidades de gestão pública, não se pode limitar a manter o discurso da impossibilidade de apoiar financeiramente, sugerindo que apoia logísticamente, quando não detem recursos humanos e materiais próprios, adequados aos eventos em causa”.