Até o Pai Natal se rendeu às novas tecnologias. Será porque a criançada está para lá de avançada neste domínio, ou porque já não há magia que resolva os atrasos aos balcões dos correios?
Qualquer que seja a razão, suspiramos pela fantasia daqueles tempos em que a figura mítica se enclausurava durante 364 dias no Pólo Norte, longe das preocupações mundanas, apenas vigiando o comportamento dos meninos e meninas de todo o mundo. Por sinal, pensávamos nós, os filhos dos mais abastados portavam-se sempre melhor do que os restantes.
Com o acesso à informação digital e em tempo real, o Pai Natal perde em mistério e respeito. Enquanto os mais novitos têm medo do senhor vestido com mau gosto, os mais velhos já nem lhe passam cartão de crédito.
A ver pela cara do figurante do amável velhinho, as notícias não acompanham o espírito natalício nem os votos de feliz Ano Novo. Estaria a ler sobre os 3 mil milhões que os contribuintes terão de desembolsar para salvar o Banif? Ou a promessa de Mário Centeno, o ministro das Finanças, de que o Estado não vai acudir a mais nenhum desmando da banca ou incompetência dos banqueiros?
Apesar dos balões flutuantes, o Estepilha aconselha a ter os pés bem assentes na terra. Não quer estragar os sonhos a ninguém, sobretudo numa altura em que as redes sociais regurgitam os apelos à esperança, mas apetece-lhe dar voz à menina que por ali passa e interromper os pensamentos do homem do fato vermelho, com a seguinte reflexão: “Ainda acreditas no Pai Natal?”
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