Trabalhadores do Banif apreensivos “esperam para ver”

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As convulsões porque está a passar o Banif, com a sua absorção pelo Santander, preocupam naturalmente os trabalhadores do banco, perante a reestruturação que se avizinha. Álvaro Juvenal Jesus Gonçalves é o secretário coordenador da Secção Regional do Funchal do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, e legítimo porta-voz dessas preocupações. Ouvido pelo Funchal Notícias, deu-nos conta de que, na realidade, os funcionários do Banif “já andam apreensivos desde 2013, ano em que o Governo de então poderia muito bem ter resolvido esta situação”.

Por motivos vários, aponta, a estruturação e recapitalização do banco fez-se muito lentamente. “O que acontece é que agora, por força de um novo governo, a situação teve que tomar outras proporções”. Álvaro Gonçalves admite que os trabalhadores possam ser afectados pela reestruturação em curso, mas espera que a mesma se processe do modo mais pacífico que for possível.

“Naturalmente que nós, em termos de futuro, estamos conscientes de que há uma reestruturação que terá de acontecer, em especial na nossa Região Autónoma… Este é um banco que tem cerca de 40 balcões e agências, que vai ser integrado num outro que tem apenas 19… Naturalmente vão ser suprimidos muitos [postos de trabalho]. No caso concreto dos trabalhadores, o que já foi dito a nível superior é que, da parte comercial, nenhum dos mesmos será afectado, ou seja, perderá o seu posto de trabalho. Agora, os outros, aqueles que pertencem a outro tipo de estruturas do banco, esses serão afectos a uma outra estrutura que está a ser criada, que não o Santander… trata-se de uma outra empresa que irá aglutiná-los [ou seja, a Naviget, que gerirá os activos que não foram comprados]. Se calhar, aí é que se vai gerar algum tipo de celeuma”, referiu o nosso interlocutor.

Todavia, Álvaro Gonçalves promete que o Sindicato estará presente, quando for preciso, para ver o que terá de ser feito para que a integração de todos esses trabalhadores se processe da melhor maneira.

No sector da banca, sublinha o entrevistado, não acontecem, por norma, despedimentos. O que se verifica é que, quando há reestruturações – coisa que não acontece no Banif pela primeira vez – geralmente segue-se uma política de rescisão por mútuo acordo, ou então por via de uma pré-reforma ou reforma antecipada.

“Estamos crentes de que, na maioria dos casos, é isso que vai acontecer”, assevera.

O Banif é uma instituição que, ao longo dos anos, “não se precaveu a nível de rejuvenescimento”, e essa condição deve ser tomada em linha de conta na presente situação. “Ainda tem uma carga de trabalhadores com um nível etário um pouco alto, muitos deles já bem próximos da idade da reforma”. O dirigente representante na Madeira do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas está em crer que este número ajudará a evacuar, de forma relativamente pacífica, uma boa fatia daqueles que terão obrigatoriamente que ser dispensados, na presente situação que o Banif atravessa, com a sua aquisição pelo Santander Totta.

“Presumo que essa será uma das formas através das quais o banco Santander vai levar a efeito [a reestruturação]. E, aliás, são as informações que eu tenho a nível superior”, acrescenta.

Tudo isto contribui para minimizar, entre os trabalhadores, os receios de situações potencialmente dramáticas, como em tantos outros casos de despedimentos colectivos em Portugal.

Mas Álvaro Gonçalves frisa que dizer que não existe apreensão, ninguém em seu perfeito juízo neste país diria que não ocorre neste momento entre os trabalhadores do Banif. “Temos visto ao longo dos anos muitas situações que pensávamos que eram impossível ocorrerem, e afinal ocorreram… Basta ver o caso do BES e o presidente da República, que assegurou que todos os depósitos estavam salvaguardados, e depois foi o que se viu… E, mais do que isso, todas aquelas situações que têm ocorrido nos últimos anos… por isso é que eu prevejo que se tentará resolver a situação da melhor das formas”, refere, mas não descarta que não possam haver situações menos gratas para os trabalhadores bancários.

Álvaro Gonçalves admite não saber se a situação poderia ter sido resolvida de outra forma que não esta, mas insiste em que “andamos desde 2013 a ‘empurrar esta situação com a barriga’, como se costuma dizer. Deixá-la chegar a este extremo, é que se calhar, não havia mesmo necessidade”, desabafa.

E acrescenta um outro dado curioso: “Ainda há uma semana atrás, muitos dos trabalhadores que solicitaram a rescisão por mútuo acordo, receberam como resposta do Banif que tal não seria possível, porque necessitava de todos eles”.

“Neste momento”, conclui, “é isto que estamos a ver”.

O dirigente faz ainda uma ressalva: as suas declarações procuram ver a situação da forma mais positiva… mas “o tempo o dirá”.

O Funchal Notícias falou, por outro lado, com dois trabalhadores bancários do Banif na Madeira, que se nos mostraram crentes de que lhes será possível manter o seu posto de trabalho… mas não têm a certeza absoluta disso e não têm também a certeza de conseguir negociar condições de saída que os satisfaçam. Continuam a esperar para ver, embora um pouco ‘com o coração nas mãos’, pois, afinal de contas, trata-se do seu futuro. Ao fim e ao cabo, estão como o seu dirigente sindical na RAM: “É esperar para ver”, dizem, deixando transparecer alguma apreensão não facilmente assumida.


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