Violante Saramago Matos aposta em série literária para crianças

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Violante Saramago Matos lançou recentemente um novo livro infantil, ‘Quinas – À Descoberta’, que se vem somar ao anterior, ‘Quinas – Ganhei uma Casa’, com a particularidade de ser uma obra protagonizada pelo mesmo personagem principal, um cão, e que incorpora no volume a primeira aventura do mesmo.

Assim, o livro tem duas capas, uma ao contrário em relação à outra, e divide-se em duas partes: numa está a história ‘Quinas – À Descoberta’ e na outra, a primeira história, ‘Quinas – Ganhei uma Casa’. A obra tem a chancela da editora madeirense ‘O Liberal’.

Violante Saramago Matos explicou-nos que decidiu fazer uma reedição do primeiro livro infantil a que se abalançou, “porque de facto não fazia sentido ter o primeiro numa editora e os restantes noutra”.

O primeiro livro, então intitulado ‘O Quinas ganha uma casa’, foi lançado em 2011 na editora ‘7 Dias 6 Noites’. Foi o princípio de uma série infantil constituída por vários livros infantis, ainda por publicar, mas que agora começam a aparecer na editora ‘O Liberal’, sob a forma daquilo a que a autora chama “livros duplos”, ou seja, que incluem duas histórias.

A segunda história que agora surge, acompanhada da primeira, é a nova revelação numa sucessão total prevista de oito histórias para crianças da autoria de Violante, que serão lançadas em ‘O Liberal’.

A primeira história narra o percurso de um cão que foi abandonado, mas que encontra uma família de humanos que o adoptam. E essa família é a da própria Violante Saramago Matos, bióloga e filha do famoso escritor português José Saramago, Prémio Nobel da Literatura.

Conforme explicou a autora, que entretanto adoptou mais dois cães que foram abandonados e que de uma maneira ou de outra lhe foram ter a casa que começaram a inspirar a produção de mais histórias destinadas ao público infantil.

“Realmente, o Quinas é o primeiro, mas acaba por ser aqui a propósito da vida dele, e da relação com o meu filho, e do andar de um lado para o outro numa série de peripécias, que acabei por imaginar uma história efabulada na qual procuro, no fundo, basear-me na vida dele, e na relação extraordinária que tem com o dono, e por outro lado falar de uma série de coisas que a mim me parecem importantes”. Questões relacionadas com necessidades fundamentais tanto de animais como de humanos, ou seja, “aquilo que é mais basilar: ter um abrigo, ter comida, carinho, amizade”.

‘Quinas – Ganhei uma casa’ é assim a satisfação primeira dessas necessidades essenciais.

“Depois, vem a descoberta, as coisas novas, algumas coisas que ele vai encontrando e que não conhece, no caso concreto, alguns costumes da Madeira, como por exemplo a vivência do Natal, mas também as questões que se prendem com a própria vida das crianças, hábitos que é preciso ter, coisas que nos surpreendem e que nós vamos procurar descobrir…”

Violante Saramago Matos refere que a abordagem que empreendeu à literatura infantil se desenvolve numa linguagem que tem que ser obrigatoriamente simples, uma vez que as crianças conhecem poucas palavras.

“O vocabulário delas é muito menos extenso que o nosso, portanto a escrita tem que ser simples, mas também tem que ser verdadeira, embora haja aqui imaginação. O que quero dizer é que não há mentira – ou seja, pode haver efabulação, mas não há mentira”, salienta. A receita por escrever para crianças, conclui, passa também por “arranjar algum mistério e tentar arranjar uma forma de as prender à leitura, o que não é fácil para crianças pequeninas… mas enfim, vamos tentando”.

A série agora iniciada no Liberal chama-se ‘Histórias do Quinas’ precisamente porque reúne diversas narrativas em volta deste personagem. O próximo livro, disse-nos Violante, provavelmente sairá para o ano: “Está a acabar de ser pensado, ilustrado, e levará ainda um certo tempo a surgir nos escaparates”.

A problemática dos animais abandonados, que tem vindo a ser mais e mais abordada nos meios de comunicação social, respondendo a uma crescente consciencialização da sociedade portuguesa para a questão, é referida nestes dois primeiros livros apenas “en passant’, mas há-de ser bem referida na quarta ou na quinta história, diz-nos a nossa interlocutora. Há uma cadelinha que foi adoptada pela família de Violante Saramago Matos, e que foi encontrada numa situação “quase in extremis”. Aí, de certa maneira, é que é mais abordada a questão do abandono e dos maus tratos, “do crime que é realmente o abandono de animais”.

Na Madeira, foi recentemente aprovada legislação que proíbe o abate indiscriminado de animais de companhia que vão bater aos canis municipais por manifesta negligência dos donos, além da legislação nacional que veio penalizar os donos por maus tratos. “Acho que deve haver legislação, naturalmente”, diz a bióloga. “Mas é duma dificuldade enorme para aplicar. Não é fácil saber quem abandona um animal no meio da serra… quer dizer, é praticamente impossível, portanto, acho que as coisas têm de ir por outro caminho… Tem de haver legislação e penalização, sem qualquer espécie de dúvida… Mas é preciso ir por outras vias, procurar junto de quem é mais sensível, as crianças, fazer perceber a importância de não realizar estes actos”. Esperançosamente, as crianças poderão influenciar positivamente os pais, e desenvolver uma nova consciência na sua geração.

Os livros têm ilustrações de Sara Aguiar. Há mais quatro histórias para publicar. Duas delas já estão a ser trabalhadas, e sairão provavelmente no próximo ano, constituindo o segundo volume da colecção. Depois sairá o terceiro e finalmente o quarto, que incluirá a sétima e a oitava história, na qual a autora já começou a trabalhar.

As narrativas reflectem as preocupações de Violante Saramago Matos enquanto pessoa e cidadã, em matéria de questões sociais, ambientais, de importância dos animais e da floresta… Temas como a laurissilva e das áreas protegidas estarão em foco, de uma forma que a autora pretende que seja educativa, mas de uma forma engraçada, sem a pedagogia tradicional.

Os livros destinam-se a crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico.