Ricardo Vieira fez forte apologia do 25 de Novembro no parlamento regional

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O deputado do CDS, Ricardo Vieira, fez esta manhã uma apaixonada intervenção na qual fez a apologia do 25 de Novembro, como data estabilizadora da democracia portuguesa, que assim não resvalou para uma ditadura comunista do tipo soviético. A Assembleia Regional optou por não comemorar esta data no corrente ano, mas o CDS discorda profundamente desta decisão. E Ricardo Vieira deixou-o bem patente.
“Quando se inflamavam os écrans a preto e branco de medo e de vingança, houve fontes luminosas que nos afastaram das trevas”, disse. “ Quando se silenciavam rádios, houve quem soubesse cantar a liberdade. Quando se expulsava a propriedade, houve portugueses que estiveram presentes. Quando se assinavam mandatos em branco dirigidos a quem quer que fosse que atrapalhasse um processo auto-intitulado de revolucionário e em curso, houve quem soube gritar basta. Quando se saneava na praça pública, houve quem soube semear esperança. Quando se dizia que as armas estavam distribuídas em “boas mãos”, houve quem não se amedrontasse. Quando se ameaçava com o Campo Pequeno, quando se cercavam congressos de partidos, houve um povo que encheu praças e percorreu avenidas”.
Por tudo isto, Ricardo Vieira prometeu que, amanhã, a memória não cairá no vazio da história.
“Quarenta anos depois, mesmo que alguns procurem desvalorizar, nós continuaremos a sublinhar que a liberdade em Portugal fez-se de duas datas”. Ou seja, o 25 de Abril e o 25 de Novembro.
Nesse sentido sublinhou que foi o 25 de Novembro que “enterrou a loucura e o alucinado sonho de uma Cuba na Europa que Vasco Gonçalves ou Otelo Saraiva de Carvalho pretendiam”.
O fim dos sequestros na Assembleia Constituinte é que nos permitiram criar este Parlamento, germinada na vontade de afirmação de uma Região e na liberdade de um povo”. Por isso, dirigindo-se aos deputados, realçou que “esta casa tem o supremo dever de relembrar o que aconteceu”.
Isto porque a Madeira “só é Região Autónoma na pátria portuguesa porque se fez uma primavera da liberdade em Novembro de 1975”.
Citando o que escreveu recentemente Henrique Monteiro no jornal Expresso, disse que renegar o 25 de Novembro é concordar com o caminho anterior.
A propósito, reportou-se também ao Diário da Assembleia de 25 de Novembro de 2005, citou ainda Tranquada Gomes, actual presidente da Assembleia, que declarou então: “Estivemos muito perto de nos tornarmos um país satélite da União Soviética”, e que considerou na época o 25 de Novembro uma “data de relevância particular e decisiva para a restauração da democracia em Portugal”.