A Legitimidade de um governo do PS

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Como corolário da luta dos trabalhadores e do povo português, as eleições de 4 de Outubro traduziram a inequívoca derrota política da Coligação PSD/CDS, que quatro anos depois da entrada em vigor do seu Governo, conduziu Portugal a uma situação de grave declínio económico, de empobrecimento, retrocesso social, de vergonhosa dependência externa, e de quase falência do regime democrático.
Determinando com o seu voto a perda da maioria dos deputados da direita na Assembleia da República, o nosso povo condenou claramente o governo da coligação e as suas nefasta política, e demonstrou um claro desejo de mudança, que imediatamente o PCP teve a perceção, anunciando, desde logo, a inteira rejeição e repúdio a um governo PSD/CDS, e a inteira disponibilidade para contribuir para a construção de soluções governativas capazes de garantir o fim da cega austeridade, o desenvolvimento económico, a valorização dos salários e pensões, a devolução dos rendimentos e direitos saqueados, bem como a recuperação do direito à saúde, à educação e à segurança social, e de mais elevados níveis proteção social.
E de facto estavam reunidas todas as condições necessárias para assegurar uma solução de governo estável e duradoiro, que respeitando as nossas obrigações e compromissos internacionais, impedisse a coligação da direita de prosseguir as suas ruinosas políticas de destruição do País, pois o novo quadro parlamentar resultante do voto dos portugueses apresentava uma franca maioria de deputados da esquerda, apta a garantir a formação dum governo de iniciativa do PS, capaz de realizar a tão desejada mudança na vida política do País.
Nesse sentido, de forma séria e empenhada, com a tradicional frontalidade, não iludindo as dificuldades, nem escondendo divergências, com inteiro respeito pelo posicionamento do PS, mas também assegurando a sua identidade e independência, o PCP entrou em negociações com o Partido Socialista, começando com uma mútua abordagem para identificar matérias, medidas e soluções que possam traduzir um indispensável sinal de mudança, na qual ambas os partidos, embora verificando a natureza distinta dos seus programas, reconheceram haver viabilidade de entrar em acordo sobre um programa que pudesse assegurar uma resposta aos legítimos desejos do nosso povo de verem recuperados salário e pensões, devolvidos os seus direitos, e de estarem garantidas melhores e mais justas condições de existência.
De modo que foram os pontos de convergência e não as divergências que ambas as partes optaram por valorizar, obtendo uma série de acordos e compromissos estáveis e duradoiros, que apesar das exigências e dificuldades, permitem realizar as profundas aspirações dos portugueses de uma vida mais digna, e a concretização de políticas a seguir por um governo do PS, viabilizado pela esquerda parlamentar, que responda a direitos e interesses inadiáveis dos trabalhadores e do povo português.
De resto, e com já salientamos, existe na Assembleia da República uma ampla base institucional e uma maioria de deputados, que permite suportar esse caminho de reposição de salários e rendimentos, a devolução de direitos, o reforço do direito à saúde, à educação e à segurança social, o apoio às micro, pequena e médias empresas, bem como das aspirações dos jovens, pensionistas e reformados.
Muitas calúnias, desinformações e advertências, cobertas pela maioria dos órgãos da comunicação social, os seus engajados comentadores da direita, e facilitadas pelo sectarismo e as indefinições do Presidente da República, têm sido bolsadas contra o êxito e a durabilidade do posicionamento do PCP em viabilizar um Governo estável e duradoiro do Partido Socialista.
Contudo, como tem sido demonstrado no passado, os portugueses podem ter a certeza que o Partido Comunista Português reitera o seu empenho de honrar a palavra dada, e garante solenemente aos trabalhadores, á classe média e ao povo que nunca, em momento nenhum, faltará aos acordos e compromissos assumidos com o PS; bem como que procurará assegurar, em consonância com a Constituição de República, a defesa do estado social, e dos direitos e garantias das populações e do País.


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