Bandeira obrigatória desaparece da Fortaleza do Pico

fortaleza do picoQuem não se lembra do finca pé entre Alberto João Jardim e Lisboa para que a Fortaleza do Pico de São João Baptista passasse para a tutela da Região? Foram anos de recados e ataques aos “colonialistas” do Continente, a pressionar a saída da Marinha da vetusta fortificação filipina do séc. XVII. “À Região o que é da Região”, defendeu-se então, como se a Fortaleza do Pico fosse o último e grande baluarte da refrega autonomista.

Pois bem, o Governo de Passos e Portas, através do ministro Aguiar Branco, lá cedeu nas pretensões de Jardim e, em meados do ano passado, acabaria por ceder definitivamente o emblemático edifício militar à Região Autónoma da Madeira. Finalmente, bandeira hasteada que o Pico já é nosso!

Alcançado o feito e com os militares de malas aviadas, esperava-se uma solução à altura da dignidade do edifício. Falou-se em estalagem, restaurante, polo cultural, grandes projetos. Mas, entretanto, o general e as tropas mudaram por estas bandas e as ideias perderam gás. Verdade, verdadinha, é que já ninguém se bate pela Fortaleza. Ela continua lá, imponente sobre a cidade, mas de portas fechadas e já com visíveis sinais de degradação.

fortaleza do pico

E porque se não bastasse tanta exclamação, eis que agora surge a interrogação: Onde para a bandeira da Região hasteada desde os tempos da República? É que agora só lá drapeja a bandeira nacional, com o segundo mastro vazio ao lado.

Não se sabe quem a retirou nem por que motivo. Há quem diga que a situação já dura há uns meses.

Será mais um mistério a deslindar pelas secretarias de Sérgio Marques e de Rui Gonçalves, que tutelam as Direções Regionais dos Edifícios Públicos e do Património.

Sem querer ser picuinhas, poder-se-á contudo acrescentar que a ausência levanta questões de ordem legal. De acordo com o Decreto Regional n.º 30/78/M, de 12 de setembro de 1978 (art.5º), a bandeira da Região, um dos símbolos autonómicos, deverá ser usada em instalações e atividades dependentes dos órgãos de governo próprio da Região ou por estes tutelados.

Por enquanto, o Estepilha fica sem saber se é mesmo desatenção ou o castelo já mudou de dono e ninguém foi informado.