OMS alerta: carnes vermelhas e processadas aumentam risco de cancro

salsicha churrascoPresunto, salsichas, enchidos e enlatados estão definitivamente na lista dos alimentos a evitar. É que a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de anunciar a relação perigosa entre as carnes processadas e a ocorrência de cancro colorretal em humanos, perigos que estende também à carne vermelha.

Os dados apresentados pelos especialistas da OMS esta segunda-feira, elevam o patamar do debate sobre os deméritos de uma dieta baseada no consumo de carnes.

A agência internacional da Organização Mundial de Saúde que se dedica ao estudo do cancro (International Agency for Research on Cancer, IARC), sediada na França, colocou as carnes processadas, como presunto e salsichas, no grupo 1, que inclui tabaco, amianto e fumo de diesel, que possuem “evidências suficientes” de efeito carcinogénico.

“Para um indivíduo, o risco de desenvolver cancro colorretal devido ao consumo de carne processada mantém-se pequeno, mas o risco aumenta com a quantidade de carne consumida”, disse Kurt Starif, diretor do Programa de Monografia do IARC, citado em comunicado. “Tendo em conta o elevado número de pessoas que consome carne processada, o impacto global da incidência do cancro tem importância para a saúde pública.”

A carne vermelha, sob a qual a IARC inclui carne de vaca,borrego e porco, foi classificada como “provável” agente cancerígeno na lista do grupo 2A, que contém glifosato, ingrediente ativo em muitos pesticidas.

A classificação mais baixa para carne vermelha refletiu “evidências limitadas” na doença. A IARC descobriu ligações principalmente com o cancro no intestino, mas também observou associações com patologia no pâncreas e próstata.

Por cada 50 gramas de carne processada ingerida diariamente, o risco de desenvolver cancro colorretal aumenta 18%, concluem os especialistas, segundo o comunicado de imprensa. Para o consumo de 100 gramas de carne vermelha por dia, o risco aumenta 17%.

Em Portugal não existem, neste momento, linhas orientadoras específicas para o consumo de carne vermelha ou carne processada, disse ao jornal Observador, Nuno Miranda, diretor do Programa para as Doenças Oncológicas da Direção-Geral de Saúde. As recomendações gerais são que se consuma de forma moderada as carnes vermelhas e processadas, e que sempre que possível sejam substituídas por carnes brancas ou peixe. “[Mas] obviamente que vão ser tomadas as ações tendo em conta esta nova classificação.”